Sabores&Saberes

Honraria por priorizar a vida!


Causa sempre espanto quando gestores públicos se envolvem profundamente no cenário da saúde, pois o horizonte é ingrato. De um lado o texto constitucional faz todas as ações resolutivas provocarem a leitura popular de cumprimento da obrigação, de outro, a emotividade relacionada à morte, ou perspectiva dela, incita inconformismos, que facilmente agregam oportunistas para afrontamento político-ideológico.

Por isso, neste instante, sinto-me à vontade para alguns apontamentos parciais sem imaginar contestações, já que me escolto com o consenso popular que reelegeu o chefe do Executivo de Santo André, o prefeito Paulo Serra, com quase 80% dos votos, e me abrigo no entendimento internacional da superlatividade da condução pandêmica desempenhada pela pasta da Saúde, tutelada pelo secretário Márcio Chaves, com o aval do prefeito Serra.

Era março de 2019 e Márcio Chaves aceitava a solicitação de um grupo de médicos, liderados pela doutora em endocrinologia Maria Carolina Nascimento e o cirurgião do aparelho gastro-intestinal Ricardo Cruz, que pleiteava a criação de uma linha de cuidado para os pacientes com sobrepeso e obesidade do município. O projeto foi oficialmente chancelado em outubro daquele ano e, desde então, uma série de entraves, enfrentamentos comuns para quem desafia o convencional, tiveram que ser resolvidos para que o processo ganhasse fluidez.

Muito embora a pandemia de Covid-19 tenha arrefecido a velocidade de assentamento da linha de cuidado em todos seus fluxos, uma de suas frentes, o Núcleo de Obesidade, se readequou para a condução pandêmica. O setor, composto por endocrinologista, psicóloga, nutricionista e cirurgião bariátrico, foi criado essencialmente para contemplar especial atenção a portadores de obesidade grave, mas em face da emergência sanitária em curso, todos os seus componentes se realinharam em uma força tarefa visando estreitar os controles clínicos de pacientes obesos, incluindo suas comorbidades.

Afora as pertinentes orientações preventivas, o grupo procura criar pontes, dentro do que é possível, entre as atenções primária, secundária e terciária, pretendendo maximizar controles clínicos e minimizar os riscos para estes pacientes na eventual evolução para Covid-19, dadas suas maiores fragilidades provenientes dos descompassos metabólicos patrocinados pela obesidade.

Todas as estratégias do projeto foram organizadas com as metodologias científicas correntes e o artigo resultante foi encaminhado para o 34º Congresso de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo e, ao menos para seus atores, não foi surpresa o resultado alcançado entre os 497 estudos encaminhados por cidades de todo o estado.

A menção honrosa, prestigiosa condecoração para o município de Santo André, agrega mais um reconhecimento, além de suas fronteiras, do sério trabalho executado pela gestão municipal, em especial em seu setor de Saúde.

A obesidade é direta e indiretamente o maior problema de saúde pública do mundo e envolve interesses financeiros multifacetados, que incluem as indústrias alimentícias, farmacêuticas, materiais médico-hospitalares e suas extraordinárias contribuições tributárias. Mas, de outro lado, governos de todo o planeta fazem as contas para equilibrar arrecadação e o custo para cuidar das mazelas resultantes da obesidade.

É ato de extrema audácia avançar para o centro deste universo, mas valentia parece ser a marca de todo este time!

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