Setecidades

Fila para leitos na região aumenta 157% em um dia




A fila de pessoas com Covid-19 que aguardam por um leito de internação no Grande ABC aumentou 157% em apenas um dia. Na quinta-feira, segundo dados das prefeituras da região, havia 54 pacientes à espera de internação. Ontem, esse número já havia saltado para 139, dos quais 78 necessitam de atendimento em UTI (Unidade de Terapia Intensiva). As solicitações são enviadas pelas cidades para a Cross (Central de Regulação de Serviços de Saúde), do Estado.

A cidade com mais pacientes esperando por atendimento é São Bernardo. São 44 pessoas, das quais 25 precisam de leitos de enfermaria e 19, de UTI. O municípiotem 89% de ocupação em UTI e 76% de enfermaria para Covid. Em Diadema, 33 pessoas estão aguardando por leitos, sendo 16 de UTI e 17 de enfermaria. O município tem 96% dos leitos exclusivos para Covid ocupados.

Em Ribeirão Pires, dez pessoas precisam de leitos de UTI e outras dez, de enfermaria. O sistema de saúde da cidade está em colapso e sem vagas.

Em Mauá, 28 pessoas aguardam por leitos, sendo 19 para UTI e nove para enfermaria. A cidade anunciou a abertura de dez novos leitos de UTI no Nardini, na segunda-feira, e vai alugar mais dez em um hospital privado. Rio Grande da Serra, que não conta com leitos de internação, tem 13 pacientes aguardando na fila da Cross.


MORTES
O Grande ABC já registrou, também até ontem, 11 mortes de pacientes que estavam à espera de leitos para internação por Covid. Ribeirão teve seis óbitos, Mauá três, e Diadema e Rio Grande da Serra, um cada. As duas únicas cidades que até o momento conseguem atender seus pacientes com recursos próprios são Santo André e São Caetano.

ESTADO
O governo do Estado de São Paulo divulgou ontem que a taxa de ocupação dos leitos de UTI era de 89,4% na Região Metropolitana e 87,6% no Estado. Em 49 cidades, a lotação nas UTIs já chegou a 100%. Em entrevista para o jornal Folha de S.Paulo, o professor da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), infectologista e integrante do Centro de Contingência do Coronavírus no Estado, Marcos Boulos, afirmou que até segunda-feira é possível que não haja mais leitos de UTI para pacientes com Covid-19 em São Paulo.

O especialista afirmou que o centro de contingência defendeu medidas ainda mais rígidas do que as anunciadas na quinta-feira pelo governador João Doria (PSDB) para a chamada fase emergencial, com maior restrição de circulação das pessoas durante o dia, mas que essa proposta deve ser debatida em um futuro próximo.

Boulos declarou que a rede hospitalar do Estado estava preparada quando a pandemia efetivamente chegou a São Paulo, mas que faltou uma vigilância mais forte e maior número de testes. As aglomerações no fim do ano e o gradativo abandono do uso de máscaras, somados ao surgimento de um novo subtipo do coronavírus, mais contagioso, resultaram no cenário atual, que beira o colapso. 

Comentários


Veja Também



Voltar