Política

FUABC convoca conselho após demissões na Central de Convênios




A presidente da FUABC (Fundação do ABC), Adriana Berringer Stephan, convocou reunião extraordinária do conselho curador da entidade diante de demissões na Central de Convênios, hoje chefiada por Almir Cicote (Avante). Gerente de compras do setor, Carla Dias Henklain foi exonerada, recentemente, sob justificativa de corte na folha salarial, mediante decisão de início de medidas de austeridade fiscal, que tem provocado redução nos gastos. Relatos apontam que a colaboradora era ligada diretamente à comandante da Fundação, o que causou indignação.

Carla atuava há cerca de oito meses no cargo, com remuneração de R$ 10,8 mil. A despeito da relação entre ambas, outros servidores foram desligados do departamento. A reunião foi marcada às pressas, via comunicado, para discutir, principalmente, situações relativas à Central de Convênios, conforme informações obtidas junto a colaboradores. Há avaliação interna que o encontro resulte em tentativa de retaliação, como delimitar poderes dentro da entidade. Adriana é indicada do ex-prefeito de São Caetano José Auricchio Júnior (PSDB), dentro do acordo de rodízio regional, e seu mandato à frente da FUABC se encerra no fim do atual exercício. Vereador licenciado de Santo André, Cicote, por sua vez, entrou na direção da central sob escolha do prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB).

A relação entre as prefeituras de Santo André e São Caetano passou, aliás, por estremecimento, em especial depois de processo administrativo que pressionou pela saída do advogado Carlos Eduardo Fava, então diretor da Central de Convênios indicado pelo Paço andreense. Em meio ao caso, o colaborador sofreu tentativa de assassinato ao ter seu veículo alvejado pouco antes de chegar na sede da entidade. A Fundação alegou, à época, que o profissional foi afastado por determinação judicial. Pouco tempo após o episódio, ele pediu demissão. Foi então substituído por Patrícia Veronesi, pessoa próxima a Adriana.

O procedimento de cortes nas despesas acontece perante cenário de desligamento da Prefeitura de São Bernardo, comandada por Orlando Morando (PSDB), da Central de Convênios, maior braço da entidade e responsável por contratos de diversas cidades. Na prática, São Bernardo sairá do guarda-chuva do setor e deve criar estrutura própria, autônoma e unificada de gestão de equipamentos de saúde, sem, no entanto, se desvincular da FUABC, da qual é mantenedora.

A ideia das medidas, portanto, seria adequar-se ao novo momento financeiro. A Fundação computa aproximadamente 22 mil servidores, o que engloba as unidades de saúde, na rede assistencial, com orçamento de R$ 2,4 bilhões. A mantenedora registra 56 e apenas a central tem 130 funcionários. Até então, eram dois gerentes de compra.
Procurada, a Fundação afirmou que não irá comentar previamente os assuntos pautados para a reunião do conselho de curadores agendada para 15 de março. 

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