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Quando as garotas vão à luta




Vivian faz parte de uma realidade típica do colégio dos Estados Unidos e os filmes norte-americanos estão cansados de colocar isso na tela. Ela é introvertida e prefere ficar sozinha ou perto de poucas pessoas. A característica faz com que sofra ainda mais ao notar comportamentos ruins e situações negativas, principalmente vindos dos meninos e que parecem ser tidos como ‘normais’ pela sociedade, muito representada pelo que acontece dentro dos limites da escola. 

O turbilhão de pensamentos e sentimentos faz com que queira gritar, mas um sonho mostra que a adolescente não consegue. A explosão dessa raiva e o início do empoderamento da personagem são o coração de Moxie: Quando As Garotas Vão à Luta, nova produção original da Netflix. O autodescobrimento da protagonista, com acertos e erros, serve como combustível para que outras estudantes se sintam forte o bastante para se impor e se conectar entre si.

O começo de outro ano letivo não traz empolgação para Vivian. Ela se inquieta em perceber que Lucy, uma nova aluna, vem sofrendo ainda mais como alvo do assédio do atleta Mitchell, mesmo que a recém-chegada não baixe a cabeça para ninguém. Ao mesmo tempo, descobre que sua mãe vivia a confrontar o machismo e a fazer protestos com as amigas quando era mais jovem. O combo de fatos e informações digeridas termina com a garota escrevendo o fanzine feminista Moxie (termo em inglês que remete à questão de bravura), no qual fala sobre temas como regras de vestuário voltadas apenas para meninas, situações constrangedoras e reverbera sobre os comentários babacas dos garotos.

São as páginas da revista caseira que fazem com que as adolescentes comecem a refletir sobre casos e percebam que não estão sozinhas. Claro que o filme mescla dramas, confusões e reviravoltas, mas não deixa de ser um tanto quanto didático para que o público teen possa analisar o tema central. Garotos que imaginam que a produção é voltada somente para o público feminino estão equivocados e precisam assumir que as mudanças passam por seu apoio e confronto com comportamento tóxico masculino.

No mês que se comemora o Dia Internacional da Mulher (8 de março), Moxie: Quando As Garotas Vão à Luta surge para reforçar a briga feminina por maior reconhecimento e respeito dentro de um mundo no qual o patriarcado precisa ser combatido regularmente. 

Livro juvenil serviu de inspiração para o longa

Os acontecimentos da nova produção original da Netflix são baseados no livro Moxie – Quando as Garotas Vão à Luta (Verus Editora, 288 páginas), disponível em formato físico (R$ 49,90, em média) e em e-book (R$ 37,90, em média). A obra foi lançada nos Estados Unidos em 2017.

O texto é da norte-americana Jennifer Mathieu, especialista no gênero young adults (jovens adultos, em tradução). Toda a história é uma ficção, com a escritora aproveitando casos pessoais para ter elaborado a trama. “Para todas as adolescentes que lutam pela causa. E para o meu professor de conhecimentos gerais do ensino médio, por ter me chamado de feminazi na frente de toda a sala”, diz ela na apresentação.

A editora brasileira aproveita a estreia do longa para republicar o livro com capa e com o pôster do filme. É nova chance para leitores, tanto garotas como garotos.

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