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Ribeirão tem caso suspeito da variante do coronavírus


Uma munícipe de Ribeirão Pires, que não teve o nome revelado, pode ser o primeiro caso da nova variante da Covid na região. Segundo a Prefeitura, os exames da pacientes foram enviados ao Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, para que seja feito o sequenciamento do vírus. “A paciente veio de Manaus, com teste positivo para Covid, porém, como ainda não temos o sequenciamento genético dela, não pode ser considerado caso confirmado da variante de Manaus”, informou o Paço.

Segundo levantamento realizado pela Secretaria de Vigilância em Saúde, a partir das notificações recebidas pelas secretarias estaduais de saúde, foram registrados 204 casos de variantes do vírus no Brasil. O Diário procurou as demais prefeituras da região, que descartaram casos suspeitos até o momento.

Secretário de Saúde de Ribeirão Pires, Audrei Rocha informou que a paciente, que ficou internada no Hospital e Maternidade Ribeirão Pires, da Rede D’Or, já teve alta. “Fizemos tudo o que cabe ao município. Agora está nas mãos do Instituto Adolfo Lutz, laboratório de análises. Resolvemos fazer um alerta sobre o caso dessa paciente diante do que foi respondido no questionário por ela. Quanto à resposta concreta, se o sequenciamento genético dela foi para análise, ou não, ainda não temos como responder. Isso depende dos critérios internos do instituto.”

A Secretaria de Estado da Saúde informou, por meio de nota, que “não foi localizada nenhuma solicitação junto ao Instituto Adolfo Lutz nem ao CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica)” sobre paciente da região. “Importante acrescentar que a confirmação de novas variantes do coronavírus – cepas ou linhagens – não deve ser confundida com diagnóstico nem pode ser considerada de forma isolada. Trata-se de um instrumento de vigilância que contribui para o monitoramento da pandemia de Covid-19.” Ainda de acordo com a pasta, foram reportados, até quarta-feira, 16 casos autóctones confirmados da cepa de Manaus: um na Capital; três em Jaú; 12 em Araraquara. Há também oito confirmações da cepa britânica (seis na Capital e duas em Sorocaba) e três em fase de investigação. O Diário não conseguiu contato com o Instituto Adolf Lutz. 

A confirmação de variantes ocorre por meio de sequenciamentos genéticos realizados por laboratórios como o Adolfo Lutz. Soma-se a isso o trabalho de vigilância epidemiológica para investigação dos casos, como históricos de viagens e contatos. Até o momento não há comprovações científicas de que sejam variantes mais transmissíveis ou provoquem quadros mais graves nem evidências referentes à capacidade de resposta imune das vacinas disponíveis. Pesquisadores em todo o mundo estudam o comportamento da pandemia e as mutações do vírus.

De acordo com Luiz Gustavo de Almeida, PhD em microbiologia pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP (Universidade de São Paulo) e diretor no Brasil do festival internacional de divulgação científica Pint of Science – Um Brinde à Ciência, além de coordenador dos projetos educacionais do Instituto Questão de Ciência, a variante de Manaus tem duas características – identificadas também nas da África do Sul e no Reino Unido – marcantes: o vírus passa a ser transmitido com maior facilidade e faz com que os anticorpos de quem já teve Covid não o reconheçam. “A cópia do código genético de um vírus sempre sofre mutações, nunca é o ctrl c/ctrl v perfeito. Por isso, pode entrar novamente no organismo e não ser reconhecido.”

Almeida explica que essa variante não é mais letal ou oferece sintomas e sequelas mais graves. “A taxa de letalidade aumenta porque mais pessoas contraem a doença”, explicou.  

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