Setecidades

Arena e MDB, a política provisória...


Quando das eleições municipais de 1972, o presidente da República, general Emílio Medici, declarou: “É meu governo que estará em julgamento”. Deu Arena, na última grande vitória da agremiação oficial, subdividida em diferentes alas que se digladiavam internamente.

Analistas isentos comentavam: Arena e MDB, em se tratando de disputas municipais, eram praticamente alheios ao bipartidarismo imposto ao País.

Escrevia-se:
- Como se pode proclamar uma vitória da Arena, quando se sabe que em muitos municípios ela de fato deixou momentaneamente de existir, para dar lugar aos partidos PSD, PTB e UDN, ressurgidos na forma de sublegendas 1, 2 e 3?
Ou então:
- (...) o eleitorado estará escolhendo pessoas que julgar melhor qualificadas para dirigir os destinos de suas cidades e não regimes políticos de esquerda ou de direita.
O ano: 1972. Lideranças governamentais não economizavam esforços no apoio aos seus partidários. Às vésperas daquele pleito, o governador nomeado pelo regime Laudo Natel deslocou-se a São Bernardo para inaugurar a iluminação da Via Anchieta. Veio durante o dia. Inaugurou as primeiras passarelas da via. Mas como inaugurar a luz com todo aquele sol? Ninguém viu.

O artificial bipartidarismo.

O voo alto e a derrocada.

O fenômeno que
veio de Campinas.

491 – Apuradas as eleições de 15 de novembro de 1972, mesmo com a vitória irreparável da Arena na grande maioria dos municípios brasileiros, o que se percebia é que a agremiação oficial não escondera o artificialismo. Era chamada de agremiação provisória. Idem o “opositor” MDB.
492 – A Arena: uma “aliança” de partidos da revolução; o MDB, um “movimento” daqueles que lutavam pelo restabelecimento do estado de direito.
493 – Em meio às celebrações pela vitória da Arena em 1972, o arenista Raimundo Padilha, governador do Estado do Rio de Janeiro, nomeado pelo presidente Medici, vaticinava: era preciso abolir a sublegenda ou voltar ao pluripartidarismo, mediante a criação de mais duas ou três agremiações políticas.
494 – No Grande ABC, o bipartidarismo sustentou-se artificialmente, como no restante do País. Nas eleições legislativas de 1970, Arena e MDB conseguiram eleger representantes locais, entre os quais os deputados estaduais Walter Braido (com base em São Caetano) e Pedro Nakasone (Santo André), ambos da Arena; Carlos Vicente Cerchiari, do MDB de Santo André.
495 – Vieram as eleições municipais de 1972, com a vitória arenista, e as atenções políticas imediatamente voltavam-se ao pleito de 1974, para escolha de senadores e deputados (federais e estaduais).
496 –Manchete do Diário na sexta-feira, 15 de novembro de 1974: “Arena e MDB medem forças nas urnas”.
Eram lançados 16 candidatos do Grande ABC à Assembleia Legislativa e cinco à Câmara Federal, enquanto o veterano Carvalho Pinto enfrentava o mais ou menos novato Orestes Quércia ao Senado. E deu Quércia, disparadamente.
497 – Manchete do Diário no domingo, 17 de novembro de 1974: MDB surpreende com maciça votação.
- O Grande ABC enfrentou durante todo o dia de ontem uma sensação diferente nos círculos políticos, entre o eleitorado, acostumado há cerca de dez anos a ver a vitória constante da Arena: o partido situacionista perdia terreno, de modo espantoso, para os candidatos do MDB a cada nova urna que se abria em qualquer um dos municípios.
498 – Editorial do Diário em 22 de novembro de 1974: nocaute da Arena arrasou todos os planos.
O mal dos dirigentes arenistas foi pensar que o seu predomínio político seria imutável.
Nota – Bastava sair pelo MDB para ter muitos votos. Ficou mais ou menos claro que em 1974 a sigla emedebista falou mais alto do que nomes famosos, medalhões consagrados.
499 – E não era só no Grande ABC. O MDB vencia em todos os Estados, à exceção do Maranhão, que teve candidato único pela Arena. Entre os candidatos ao Senado, Orestes Quércia colocava mais de 1 milhão de votos à frente do professor Carvalho Pinto.
500 – Antes mesmo que a apuração terminasse, o Diário publicava o Editorial E agora, José?.
- O anunciado expurgo nas hostes arenistas, por força da vitória do MDB, para o Senado, só terá validade se o objetivo for sadio, visando a purificar o partido, a fim de melhorar a sua estrutura.

Diário há meio século

Quinta-feira, 25 de fevereiro de 1971 – ano 13, edição 1470 

Manchete – Israel insiste e não abandona as fronteiras
Jerusalém (AFP e Serviço Local) – A missão ‘Gunnar Jarrine’ teria retornado à estaca zero.
São Bernardo – Vereador Emílio Escudero solicita novo prédio para a agência da Subprefeitura do Rudge Ramos.
1986 – Futebol – EC Santo André estreia no Campeonato Paulista 86. Vai à Vila Belmiro e é goleado pelo Santos por 4 a 0.
 

Em 25 de fevereiro de...

1861 – Nasce em Scario, Comuna de São Giovanni, em Salerno, Itália, Giuseppe D’Angelo, que viria para o Brasil como imigrante e se fixaria no Núcleo Colonial de São Bernardo.
Teve armazém na Rua Marechal Deodoro, foi juiz de paz e músico, integrou a centenária Sociedade Italiana e foi vereador duas vezes no início do século.
Por dez contos de réis vendeu o prédio do atual 1.325 da Marechal à Câmara Municipal de São Bernardo. O prédio serviu como sede do Legislativo durante toda a República Velha e no período da reconstitucionalização do País. É a atual Câmara de Cultura Antonino Assumpção.
1916 – Impedida reunião dos canteiros das diversas pedreiras de Ribeirão Pires. O delegado de polícia de Santo André, acompanhado de uma força, vai ao distrito, de trem, e impede a reunião dos trabalhadores.
1956 – Criada a Paróquia do Senhor Bom Jesus, em Paranapiacaba.

Santos do Dia

- São Cesário de Nazianzo
- Valburga
- Sebastião de Aparício
- Domenico Lentini 

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