Economia

Região cobra incentivo a pneumáticas e governo abre espaço para negociar




Comitiva do Grande ABC se reuniu ontem com o secretário especial de produtividade, emprego e competitividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, para pleitear incentivos ao setor de pneus. Essa indústria, que emprega diretamente 28,8 mil trabalhadores no País, sendo 6.000 (21%) na região – na Bridgestone e Prometeon, ambas em Santo André – pede condições igualitárias de competitividade com produtos importados, que tiveram alíquota de 16% zerada, no caso dos pneus de caminhões.

“Nós não queremos que essa medida seja revogada, pois entendemos que para o consumidor também é importante ter produtos mais acessíveis. Mas queremos que as pneumáticas possam competir em condição de igualdade. Por isso pedimos que o governo conceda estímulo para as empresas que produzem aqui, a fim de preservar os empregos e criar ambiente favorável à geração de mais postos de trabalho no segmento”, explicou Paulo Serra (PSDB), prefeito de Santo André e presidente do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. “A reunião foi altamente produtiva, pois Carlos da Costa compreendeu nossa demanda em busca da retomada do equilíbrio da competitividade e nos deu como tarefa para casa realizar mapeamento da cadeia produtiva para identificar onde o governo federal pode interferir e reduzir a carga tributária.”

Conforme Paulo Serra, será marcado outro encontro em Brasília dentro de dez dias, para que seja apresentado esse diagnóstico por parte das pneumáticas. A pasta afirmou que, durante a reunião, o secretário especial Carlos da Costa reforçou o compromisso do Ministério da Economia e do governo em reduzir o custo Brasil.

De acordo com o secretário, a reunião foi o marco do início de um trabalho que precisa ser muito ágil. “Estamos brigando contra o tempo para que a competitividade da nossa indústria de pneus seja resgatada. Para que nós resolvamos tudo o que faz com que o pneu nacional tenha alguns impactos de custo que não existem em outros países, e que nós demos todo o apoio para que, inclusive, nossa indústria nacional possa exportar mais pneus.”

Costa afirmou acreditar não apenas que o setor seja competitivo contra pneus importados, principalmente os que não têm a qualidade necessária para o mercado brasileiro, como também enfrentar competidores em outros países. “Aliás, esse é um desafio não só da indústria de pneus, mas de toda a indústria, e nós estamos trabalhando dia e noite, por exemplo, para que o Grande ABC seja cada vez mais competitivo. E não só essa região, mas o Brasil inteiro.”

Paulo Serra pontuou que a ideia é que não ocorra com o setor o que passou com a Ford, que fechou fábrica de São Bernardo em 2019, ao eliminar 2.800 postos diretos e, no início do ano, anunciou que não produziria mais no País e encerraria a produção local – que, após audiências de conciliação pelos tribunais de Justiça de São Paulo e da Bahia, ficou acordado que a empresa manterá os empregados por 90 dias enquanto negocia condições de desligamento. “Não podemos esperar que o Brasil nem Santo André deixem de ser competitivos. Essas companhias são multinacionais que produzem em várias partes do mundo e, se deixar de ser vantajoso a elas fabricar aqui, elas podem anunciar sua saída, como fez no início do ano a Ford. O ritmo de vacinação contra o coronavírus está avançando e acredito que até junho boa parte da população esteja imunizada. Então existe forte expectativa de retomada para o segundo semestre”, assinalou.

Ele estima que o setor deva criar em torno de 300 oportunidades de emprego na cidade até o fim do ano, em decorrência de um aumento da produção em toda a cadeia e da construção de complexo logístico para armazenagem e distribuição de pneus no segundo semestre em Santo André. “A Bridgestone já está contratando devido à maior demanda por pneus da linha agro e, com o aumento dos turnos, a tendência é haver maior necessidade de mão de obra.”

O encontro no ministério foi marcado pelo deputado federal Alex Manente (Cidadania), que possui domicílio na região que ponderou a importância de se ter mostrado os problemas enfrentados pelo setor. “Tenho a convicção de que conseguiremos criar ambiente necessário para avançar nas negociações e fazer com que a produção continue forte, sólida e gerando emprego e renda”, afirmou Manente.

O presidente da Bridgestone, Fabio Fossen, também vice-presidente da Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos), disse que a companhia, presente no Brasil há mais de 90 anos, está constantemente avaliando novas oportunidades em todos os aspectos de seus negócios de forma a se manter competitiva no mercado atual. “A Bridgestone reitera seu compromisso com o País, oferecendo produtos inovadores e soluções em mobilidade ao consumidor brasileiro. Acompanhamos, com prioridade, as discussões em torno de um ambiente de negócios que insira o País na cadeia de valor global do setor automotivo, bem como das iniciativas junto ao poder público, de forma a buscar o diálogo necessário à formulação de políticas públicas adequadas ao setor. ”

Procurada, a Prometeon informou que não iria se manifestar sobre o assunto. 

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