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Atenção para mais efeitos da pandemia


A pandemia do novo coronavírus ainda parece distante de uma solução definitiva. Apesar do início do processo de vacinação, acompanhamos evolução e aumento no número de casos e, consequentemente, de leitos ocupados por pessoas que testaram positivo para a doença. E tal situação acaba refletindo também no futebol. Tanto que ontem à noite a FPF (Federação Paulista de Futebol) confirmou a mudança de local do confronto entre Ferroviária x Inter de Limeira, pela primeira rodada da Série A-1, marcada para domingo. A partida foi transferida para Campinas porque Araraquara, onde inicialmente o duelo estava marcado, se encontra em lockdown, para tentar frear a disseminação do vírus. Apesar de o governador João Doria ter declarado que não vê necessidade de decretar este rigoroso protocolo de isolamento para todo o Estado, é melhor não descartar que isso possa ser adotado. No próprio Grande ABC, por exemplo, São Bernardo anunciou toque de recolher a partir das 22h. Reunião no Consórcio Intermunicipal, amanhã, pode estender a decisão às demais cidades da região. E, na pior das hipóteses, se ainda assim não tiver um efeito considerável, não duvido que possamos ter medidas enérgicas de confinamento por nossas bandas. Desta maneira, os times que iniciam neste fim de semana as disputas das séries A-1 e A-2 (São Bernardo FC, EC São Bernardo, São Caetano e Água Santa) têm de ficar de olho, porque podem ser forçados a jogar em outro lugar – o Santo André, em razão da interminável reforma do gramado do Estádio Bruno Daniel, já teve de buscar abrigo no Canindé, na Capital.

Obviamente que a saúde deve ser colocada em primeiro lugar, sempre. Entretanto, mandar jogos em um estádio que não é o seu próprio se torna um prejuízo técnico que pode ser catastrófico em uma campanha de tiro curto como no Paulistão. Afinal, se uma equipe está acostumada a treinar ou jogar num campo que conhece todas as referências espaciais (é um fato, goleiros já me disseram que é a mais pura verdade) e até mesmo cada buraco ou deformidade do gramado, e, de repente, se vê obrigada a atuar em outro local, fica em condição de igualdade com o adversário, perdendo a vantagem de ser mandante. Para o Ramalhão, mesmo que não motivado diretamente pela Covid-19 – mas pelos problemas de planejamento da Prefeitura –, será um desafio e tanto buscar repetir o bom desempenho que teve no Bruno Daniel em 2020 (80% de aproveitamento) em seus jogos na casa da Portuguesa.

INACREDITÁVEL
Beira o absurdo a declaração do vice-presidente da CBF, Francisco Novelletto, à Rádio Bandeirantes de que as reclamações do Palmeiras por jogar a cada dois ou três dias tem como único culpado o próprio Palmeiras, que chegou às finais do Paulista, Copa do Brasil e da Libertadores, viajou para o Mundial, – estas três últimas competições em meio à disputa do Brasileirão – situação que fará o Verdão alcançar 79 partidas disputadas na temporada. “Vê se o presidente do Palmeiras, se algum dirigente abre mão. Ele não é obrigado a jogar. Ele quer ganhar! Precisa fazer caixa, ganhar prêmio da CBF, ganhar prêmio de quem patrocina os campeonatos. Quem mandou eles ganharem? Ganhem só metade, para não ter esse problema (de calendário)”, declarou Novelletto. Inacreditável! Ainda mais em ano tão prejudicado – em todos os sentidos – pela pandemia da Covid-19, que sanfonou o calendário.

ADMITO: SUBESTIMEI MAIS UMA VEZ
Pela terceira vez na vida sou obrigado a admitir: subestimei um esporte/exercício. Em todas as situações o enredo foi parecido. Vendo de fora, o desafio parece ser ‘moleza’. Mas, quando chega na hora, o físico pede penico. Foi assim com o ioga, há alguns anos, quando fiz um teste e percebi o quão desequilibrado sou. Depois, em 2018, topei o desafio de pedalar de bicicleta de São Bernardo a Santos, mas, ao chegar ao pé da serra, em Cubatão, eu senti dores em locais que nem sabia que poderiam doer. E, na semana passada, depois de entrevistar o ex-jogador Lucas Limão, que abandonou o futebol para ser professor de futevôlei, recebi um convite dele e do zagueiro João Paulo, do Juventus, para uma aula na Arena Pé na Areia, em São Bernardo. De pronto aceitei, mesmo há um ano sem fazer exercícios físicos. Resultado: ainda no aquecimento bateu um misto de decepção com arrependimento. Muitas dores, sem fôlego. Mas, no fim das contas, foi uma experiência a qual pretendo repetir.

DESPEDIDA
O ex-preparador físico do Santo André Rui Palomo Júnior morreu sábado, em Formiga, cidade mineira na qual era secretário de Desenvolvimento Humano. Aos 45 anos, ele infartou enquanto pedalava. Sua marca registrada – além da competência profissional – era o sorriso. Estava sempre dando risada. Foi trazido ao Ramalhão em 2008 por Sérgio Guedes, na época em que o clube era administrado pela Saged. “O conheci em Jacutinga. Fui para lá montar um projeto e acabei o trazendo para a Portuguesa Santista. Me acompanhou na Ponte Preta, Santo André, Portuguesa, Bahia. Depois que se casou, se afastou, entrou na vida política e virou esportista. Cara estudioso, de bons princípios, boa formação, dono de metodologia pessoal que funcionava nos nossos times. Me ajudou muito, tivemos muitos momentos bacanas juntos. Lamento demais a perda, porque era amigo. Ficam as lembranças eternas pela relação construída através do futebol. Que a família herde o que ele deixou”, disse Sérgio Guedes, técnico do Água Santa. 

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