Palavra do Leitor

Democracia em risco


As cenas de selvageria na invasão do Capitólio, em Washington, nos Estados Unidos, quando da ratificação da eleição de Joe Biden, mostraram o que acontece quando um presidente desrespeita as instituições, coloca em xeque a credibilidade do sistema eleitoral e ignora os limites de independência dos demais poderes. Aqui no Brasil, em 2022 teremos eleições presidenciais. Jair Bolsonaro vem inflamando apoiadores contra o Legislativo e o Judiciário. Tem acusado o sistema eleitoral brasileiro de fraude, desacreditando as urnas eletrônicas. Como Donald Trump, sem apresentar provas. Em Brasília houve tentativa de invasão do Congresso Nacional, e foram lançados rojões contra o STF (Supremo Tribunal Federal).

São recorrentes ataques do presidente brasileiro à liberdade de imprensa, aos jornalistas. Houve ato público pedindo fechamento do Parlamento e do STF, que mereceu discurso presidencial. Muitas fakes news contra desafetos políticos que, segundo denúncias de ex-integrantes do governo, têm origem no ‘Gabinete do Ódio’ comandado por um filho de Bolsonaro. Outro filho, deputado federal, sugeriu a necessidade de novo AI-5, medida que suspenderia garantias constitucionais. Outro filho, parlamentar fluminense, denunciado pela prática de rachadinha, tenta obstruir o processo na Justiça. Não existe revolução sem armas, o presidente está abastecendo civis radicais com leis que liberam a compra e o porte de armas e munições. Vários e diferentes fatos sinalizam intenções nada republicanas.

Bolsonaro tem aberto muitas oportunidades de trabalho, com salários e relevância de imagem, aos militares. Estão ganhando mais, com mais benefícios e mais importância do que nas Forças Armadas. Assim, militariza o poder civil. Sem falar do grande número de colegas de farda que ajudou eleger. Nem na ditadura militar pós-golpe de 1964 tivemos tantos militares deputados, senadores e governadores. Lá na frente, esse pessoal não gostará de perder o espaço conquistado, podendo gerar condições para qualquer tipo de ação que garanta Bolsonaro no ‘comando’ do País. Cabe observar, ainda, que o presidente da República busca culpar governadores e prefeitos pelos erros que comete na condução da saúde. O negacionismo do perigo da Covid-19 e a demora na vacinação podem deixar o País em caos que interessa para, ‘em nome da ordem’, ser necessário implantar ‘medidas especiais’. Ainda bem que, nas Forças Armadas, há oficiais superiores demonstrando responsável atenção a tudo isso. A sociedade também precisa estar ciente e consciente. É hora de unidos, responsáveis e pacíficos nos preocuparmos com o futuro da ainda frágil democracia brasileira.


Ricardo Viveiros é jornalista, professor, escritor e conselheiro da ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e da UBE (União Brasileira de Escritores).


PALAVRA DO LEITOR

Estranheza
Mais uma vez somos informados por este Diário sobre o descaso do governador João Doria com a nossa região (Política, dia 16). Fica a dúvida se ele apenas esquece que o Grande ABC existe ou se faz isso de maldade mesmo. Outra estranheza é o fato de não se ouvir uma só palavra do prefeito de minha cidade defendendo a região nessa questão, já que é tão próximo do governador a ponto de fazer malabarismo para aparecer em fotos quando João Doria aparece por essas plagas. São duas figuras que devemos esquecer em definitivo quando se tratar de eleição.
Orlando Smênio Soares
São Bernardo


E agora?
Enquanto milhares morrem de Covid no Brasil, várias cidades País afora reclamam que vai faltar vacina. De quem será a culpa? O bom é lembrar que picanha, cerveja, cloroquina, ivermectina e leite condensado nós temos em abundância. Eita população que sabe votar! Votou em Collor, perdeu a poupança; votou em FHC, perdeu a Vale; votou em Aécio, perdeu a vergonha; e, agora, votou no Bozo e perdemos o País. Parabéns!
Abedias Barbato
São Caetano


Risco de ódio
Prefeito Paulo Serra, solicitamos, eu e os demais moradores do entorno do depósito de areia e pedra Hipólito, na Rua Camões, Vila Humaitá, em Santo André, sua interferência para que sejam sanados os problemas causados por esse estabelecimento, como, por exemplo, barulho fora do horário comercial e a gigantesca quantidade de pó produzido no local. Não queremos que feche o depósito, mas que faça cumprir as normas, para que haja paz e boa vizinhança. Basta apenas cobrir o estabelecimento. Pode usar o dinheiro do aluguel de torre de telefonia celular que mantém no terreno. Por favor, prefeito, ajude-nos, antes que passe a ser odiado por essa mesma vizinhança o senhor também.
Talita Vergere
Santo André


Retrocesso?
A insistência de Bolsonaro em armar a população para formação de milícias e grupos paramilitares – como o que atacou o STF (Supremo Tribunal Federal) ano passado – e a militarização do seu governo seriam uma espécie de preparação para um golpe em benefício da ditadura?
Samir Godoy Haddade
Diadema


Maldades
Noto nesta coluna que, às vezes, aparecem missivas irônicas ‘elogiando’ a administração pública de Santo André, mas não a de São Bernardo. Não seria mais fácil cobrar seu prefeito para que, assim, possa se falar bem dele também? Ou que o missivista elenque as boas obras dele – se é que existem. Ou será que o leitor esquece da tentativa de interferência na Faculdade de Direito de São Bernardo, o fim do projeto Meninos e Meninas de Rua, o fim da Fundação Casa, o teatro, aumento da contribuição dos servidores para previdência municipal, o sucateamento da Guarda Civil Municipal, o despejo de famílias de suas residências e mais um monte de maldades?
Suzana De Marchi
São Bernardo 

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