Esportes

Lucas Limão troca campo pela areia após desilusão no São Caetano




O futebol que é transmitido pela televisão, na maioria das vezes, esconde a realidade do esporte no dia a dia da maior parte dos clubes no Brasil. Longe das cifras milionárias (apenas 12% dos jogadores no País recebem mais do que R$ 5.000 por mês e 55% recebem até R$ 1.000, segundo relatório da consultoria EY, encomendado pela CBF), atletas convivem com salários atrasados, faltas de valorização, respaldo e respeito, fatos que fazem com que sonhos sejam interrompidos precocemente.

Foi o que aconteceu recentemente com o ex-meia Lucas Limão. Contratado pelo São Caetano em setembro de 2020 para a disputa do Campeonato Brasileiro da Série D, sofreu com os problemas financeiros do clube (não recebeu pelos meses de contrato), teve uma lesão no joelho direito, que o tirou de combate e, para piorar, teve de bancar do bolso os três exames. Apesar de não ser tão jovem, aos 30 anos ele ainda tinha ambições no campo. Aceitou regressar ao Azulão depois de dois anos se dedicando a outro negócio porque era um desejo de longa data vestir novamente a camisa são-caetanense. Porém, com tamanha frustração, decidiu pendurar as chuteiras e agora seu trabalho é descalço, na areia, como professor de futevôlei.

“Não quero mais (jogar futebol). O que eu vivi nesses últimos meses no São Caetano não passei em nenhum lugar. Não só pelo fato de ficar sem receber, mas diversas outras coisas, como o clima. Não tive respaldo do clube e fui me chateando”, lamenta ele, que agradece aos fisioterapeutas Guinter Pritsch e Hugo Manabu pela única ajuda que recebeu no Azulão. “Futebol agora só na várzea. Lá você recebe, depois tem a cervejinha pós-jogo, ambiente tranquilo, dá prazer em ir”, complementa.

Lucas Limão foi revelado pelo próprio São Caetano, time de sua cidade natal e onde mora com a família até hoje. Quando se profissionalizou, migrou pelo Interior, mas teve destaque mesmo em duas temporadas pelo Água Santa. Foi peça fundamental nos primeiros campeonatos oficiais do Netuno (inclusive sendo o responsável pelos dois primeiros gols da história profissional do time), alcançando os acessos na Segundona de 2013 e na Série A-3 de 2014. Porém, sem saber o motivo, teve interrompida sua continuidade no clube de Diadema, onde a torcida o considerava ídolo.

“A expectativa de ficar era muito grande, porque já tinha história legal, relacionamento bacana com a diretoria. Mas quando acabou a A-3, não tive o convite. O tempo foi passando e não podia ficar esperando. Continuei a carreira, segui em frente. Não ficou mágoa com ninguém”, admite o ex-jogador, que passou por Duque de Caxias-RJ, Primavera, CSA-AL, Olímpia e disputou a Quarta Divisão do futebol italiano pelo Real Sersale. Agora, a expectativa é difundir na areia suas vivências e experiências.

Ex-jogador se arrepende de não ter feito faculdade, mas projeta cursos
O primeiro contato de Lucas Limão com o futevôlei foi como proprietário de um espaço em Mogi das Cruzes. A pandemia, no entanto, fechou o negócio e fez ele voltar ao Grande ABC. Depois do insucesso no São Caetano, viu as portas se abrirem por intermédio de um velho amigo, o Cabelo, na Arena Pé na Areia, em São Bernardo, na qual pode ensinar por sua experiência com a bola.

“Comecei a fazer a faculdade ainda na base do São Caetano. Mas parei e me arrependo profundamente, porque pensava que viveria do futebol para o resto da vida. Tenho certificado de monitor do Sindicato (dos Atletas), pelo fato de ter jogado, que faz com que eu possa dar aula ao pessoal que está começando. Mas pretendo fazer cursos e me aprofundar.”

O local é ainda ponto de encontro para boleiros, como Raphael Toledo e Raphael Luz, da Portuguesa, Cristian, do Atibaia, e ex-jogadores, como Rodrigo Fabri e Ewerton. “Procuro, quando estou de folga ou trocando de clube, vir à areia para me manter bem fisicamente, com risco mínimo de lesão. E é prazeroso”, conta o zagueiro João Paulo, do Juventus. Localizada na avenida Winston Churchill, 452, a academia tem aulas de futevôlei, vôlei de praia e futebol society, e aluga espaço para a prática dessas modalidades.

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