Setecidades

Lendas de Paranapiacaba serão contadas em filme


Construções centenárias, Mata Atlântica, neblina e cambuci. Esses são alguns dos atrativos mais conhecidos de Paranapiacaba, vila ferroviária andreense fundada pelos ingleses no século XIX. Mas há outra coisa que se funde ao cenário do local: suas lendas. Paranapiacaba é cheia delas, que sobrevivem contadas pelos mais velhos. Diversas dessas histórias estão no livro Paranapiacaba, Lendas e Mitos (Editora Estranhos Atratores, 112 páginas, R$ 50), do escritor e pesquisador andreense Jairo Costa, 45 anos, lançado em 2014 e que chega à sexta edição, com farta iconografia e contos inéditos. Agora, a obra vai virar filme.

O longa-metragem ainda não tem data para ficar pronto e o autor evita dar dicas de quais lendas serão incluídas na montagem, mas algumas contadas na vila são de arrepiar, como a da aparição de um ‘espectro’ no Castelinho, antiga residência do engenheiro-chefe da ferrovia São Paulo Railway, Daniel Fox, e que hoje abriga museu. Relatos apontam que a imagem que frequentemente se vê é ‘grande’. O antigo morador do local media mais de 2 metros de altura.

Outra história bem conhecida da população diz respeito a mulher que teria sido vista dançando no Clube União Lira Serrano – espaço que no passado abrigava bailes e festas – quando o lugar estava com as portas trancadas. Para ficar ainda mais sinistro, afirmam que um quadro com a pintura de uma figura feminina desapareceu depois disso. Como não bastasse, reza a lenda que o assassino inglês apelidado Jack The Ripper, ou Jack, o Estripador, tenha se mudado para Paranapiacaba no fim dos anos 1800.

Jairo adianta que o longa-metragem vai misturar histórias reais, da criação do local, com os contos. “Vamos mergulhar nas origens das lendas da vila. Esse é um capítulo que escrevi, mas nunca publiquei no livro. Na minha pesquisa conheci uma Paranapiacaba real pouco divulgada. É dessa Paranapiacaba profunda que vai surgir o filme”, explica.

O autor adianta que a história de uma noiva, razão pela qual Paranapiacaba teria neblina, é uma das lendas que estarão na obra. “Porém não posso dar detalhes para não estragar o encantamento e a surpresa”, brinca Jairo.

O idealizador do projeto explica que transformar seu livro em filme era um caminho natural. Para ele, Paranapiacaba é, por natureza, cinematográfica e o público que consome cultura atualmente está mais “ligado às redes e mídias de tela do que ao livro, que defenderei até o fim”, conta Jairo, que tem editora independente.

Esta será a primeira experiência do andreense com longa-metragem. Ele conta que tem material produzido, mas que nunca foi lançado. “Alguns são documentários. Essa nossa nova iniciativa com o filme sobre as lendas servirá também para escoar toda uma produção que está há anos na gaveta, represada.”

O roteiro está pronto. Jairo cuida da direção de arte e de fotografia, enquanto a pré-produção segue a todo vapor, com o andreense buscando parceiros e levantando elenco para as filmagens. O autor acredita que o projeto deve ter custo entre R$ 15 mil e R$ 20 mil. “Cinema é obra coletiva e os custos são altos com equipamentos, alimentação, transporte e hospedagem. Mesmo fazendo cinema de guerrilha sempre tem gastos envolvidos.”

A captação de recursos para a produção do longa-metragem, por meio de vaquinha virtual, deve começar em meados de abril. Mas Jairo afirma que está aberto para apoio da iniciativa privada também. “(Preciso de) Toda ajuda possível. Nós vamos mandar o filme para o mundo, festivais independentes. Onde for possível divulgar nossa cultura serrana, estaremos lá”, encerra.

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