Palavra do Leitor

Pandemia e ensino superior privado


O que podemos aprender com a pandemia da Covid-19?
No quesito educação, especificamente no ensino superior privado, os professores receberam uma dolorosa e humilhante lição: aprenderam da pior maneira que são profissionais irrelevantes, pois, segundo o Sinpro-SP (Sindicato dos Professores de São Paulo), 1.809 professores universitários foram demitidos em meio à pandemia no Estado. A lição se configura como dolorosa, porque, independentemente da competência, da titulação, do tempo de serviço e das atividades desenvolvidas na instituição, o docente, de uma hora para outra, não se faz mais necessário, tornando-se, por assim dizer, tão descartável quanto um prato de plástico usado.

Humilhante, porque houve determinada instituição que demitiu os docentes por meio de um comunicado on-line – um pop-up que apareceu na tela do computador quando o professor se preparava para acessar o sistema. Foram 500 docentes em dois cortes durante o primeiro semestre de 2020!

O que se nota distintamente é uma tendência de precarização que tem sido registrada, no ensino superior privado, ao longo dos últimos anos, advinda não apenas da constante demissão dos docentes ao fim dos semestres, com a ‘troca’ de professores qualificados academicamente por profissionais de menor titulação, a fim de baratear os custos, como também da tendência de oligopolização de grupos econômicos no setor privado da educação.

As circunstâncias provocadas pela pandemia aceleraram um processo de reestruturação, com o advento do ensino a distância. A portaria 2.177/2019 contribuiu para essa realidade, ao permitir que as instituições de ensino oferecessem ‘carga horária na modalidade de EaD na organização pedagógica e curricular de seus cursos de graduação presenciais, até o limite de 40% da carga horária total do curso’ (artigo 2º). É o dobro do limite anterior, que era de 20%. Para as instituições particulares, virou uma festa. Elas estão inclusive promovendo em larga escala o que se chama ‘ensalamento’ virtual (já existia o ensalamento físico), que consiste em juntar turmas de níveis, de anos e até de cursos diferentes numa única aula. Ou seja, em vez de o professor dar três aulas para turmas de 50 alunos, o mestre dá uma aula para uma classe de 150 ou mais alunos.

Ao que tudo indica, o ensino a distância veio para ficar, ao diminuir significativamente os custos de manutenção das instituições, uma vez que estas reduziram de forma drástica suas despesas com telefone, luz, água, limpeza, vigilância, impressão de provas etc. Os mantenedores descobriram, enfim, a galinha dos ovos de ouro.

Sérgio Simka é doutor em língua portuguesa, professor e escritor.


PALAVRA DO LEITOR

Coreto
Morador do Riacho Grande, em São Bernardo, venho, por meio desta coluna, solicitar providências do prefeito Orlando Morando referentes ao coreto ao lado da Biblioteca Machado de Assis, pois está cheio de mendigos, assaltantes e virou ponto de usuários de drogas. E as autoridades não tomam nenhuma providência. Quando tem feira do verde, aos domingos, é uma vergonha. Já foram feitas várias reclamações e nada foi feito. Não pode ficar assim, prefeito!
José Augusto da Silva
São Bernardo

Aposentados
FHC, hoje muito bem aposentado, desvinculou do salário mínimo reajustes dos aposentados. Resumindo, pagamos sobre 20, aposentamos com dez, nem isso, porque aplicaram redutores ‘legais’ e, hoje, enquanto pagamos seus privilégios, recebemos menos que três. Frente a tanta injustiça, tive que voltar ao trabalho e pagar impostos por mais 14 anos. O general Figueiredo disse gostar mais do cheiro de cavalos que do cheiro do povo. E, ao sair, que sentiríamos saudade dele.
Nilson Martins Altran
São Caetano

Salvador Arena
Mesmo com a pandemia em números altos em São Bernardo, é visível o grande número de pessoas que insistem em andar no Parque Salvador Arena, no Rudge Ramos, sem máscara ou a utilizando de forma errada, colocando em risco a vida de usuários do parque. E principalmente deveria haver boa quantidade de cartazes no interior do local avisando sobre obrigação de uso do item e eventual multa em descumprimento da lei. A fiscalização é precária, para não dizer nula. Inclusive durante o horário de funcionamento do parque se vê funcionários distraídos manuseando celulares e deixando de fazer suas tarefas, para as quais estão sendo pagos pelo cofre público municipal. Até quando o munícipe vai ter que aturar esse descaso público?
Maria de Lourdes Barbosa dos Santos
São Bernardo

Carga tributária
A Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) foi imposto criado no governo FHC – diga-se, carga tributária que era de 29,46% do PIB (Produto Interno Bruto) e depois de oito anos passou a 35,33%. Todos os presidentes se queixaram, mas ninguém fez coisa alguma para diminuir essa carga que tanto afeta a economia e classes menos afortunadas. Hoje a Cide virou caixa única do governo. Ninguém abre mão dos recursos e a contrapartida é o asfixiamento dos contribuintes. Como pode a Petrobras ter o lucro que tem, a mordomia que desfruta e mandar a conta aos brasileiros? Com certeza, solução tem, mas abrir mão de benesses não é tendência de nossos governantes. Ato de coragem seria a privatização, mas eis aí o tamanho da encrenca. Todos juntos no jargão: ‘Meu pirão primeiro’. Reforma tributaria, nem pensar. E assim la nave vá.
Izabel Avallone
Capital

Decisão pelo medo
Infelizmente o Congresso é corporativista e fisiológico. No episódio da deputada Flordelis, não se viu nenhuma manifestação dos partidos. Já na prisão do deputado Daniel Silveira pelo Supremo Tribunal Federal falam em cassação, mostrando que o Poder Legislativo está de joelhos. Qual o recado ao cidadão? Dependendo de quem é o atingido, as excelências agem, não por patriotismo, mas simplesmente por medo, visto que grande parte desses senhores tem ‘rabo preso’ com os 11 homens mais poderosos do País. Triste ao cidadão quando conclui que a Justiça tem lado.
Luciana Lins
Campinas (SP)

À espera
A população brasileira continua à espera da vacinação. E com procedimentos inadequados de quem participa de eventos, como as festas de fim de ano e o Carnaval, temos risco de continuidade da pandemia. Por que o empresariado não se envolve e pressiona os organismos públicos a adotarem medidas efetivas, como aquisição imediata de vacinas? É forma também de diminuir prejuízos, a queda da produção, demissões de trabalhadores e o risco à segurança pública. O momento é agora.
Uriel Villas Boas
Santos (SP) 

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