Palavra do Leitor

Cidades melhores e o Grande ABC


O investimento público em arquitetura e urbanismo no Grande ABC deve superar a tímida agenda de pavimentações desnecessárias, manutenção precária em prédios públicos ou provisão de habitação com baixíssima qualidade. Precisamos organizar a agenda urbana regional nas áreas de infraestrutura, mobilidade, habitação, sustentabilidade e urbanismo. Para habitação, o enfrentamento do deficit qualitativo e quantitativo por meio de plano regional e integrado de habitação, oferecer políticas de reabilitação urbana (reformas qualificadas), transferir imóveis ociosos para populações menos favorecidas, implementar programas de locação social, incentivar novas formas do habitar (moradias compartilhadas, transitórias, idosos, novos arranjos familiares, entre outras), estimular a provisão habitacional com baixo adensamento e implantar a assistência técnica gratuita.

Para infraestrutura e sustentabilidade, adotar práticas de resiliência urbana para diversificar a forma de combate às enchentes e aos desmoronamentos, aderir às metas internacionais para sequestro de carbono, implantar políticas de eficiência energética, priorizar as construções sustentáveis, incentivar pequenas usinas de cogeração de energia a partir do lixo orgânico e promover a implantação de áreas verdes nos grandes estacionamentos descobertos das cidades. O urbanismo deve contemplar áreas de permanência na escala do pedestre, com mobiliário urbano, acessibilidade, paisagismo e iluminação, atuando ainda na gestão dos passeios públicos; promover a preservação do patrimônio histórico, cultural e ambiental pelos instrumentos do Estatuto da Cidade, melhorar a paisagem urbana e suas redes de infraestrutura, implantar melhorias nos centros comerciais dos inúmeros bairros, qualificar os baixos de viadutos e vazios urbanos, equipar cidades para crianças e idosos e promover ações de baixo custo e rápida execução.

Os temas de mobilidade devem viabilizar redes e rotas de transporte individual e coletivo regional, VLT (sem precárias opções...) e Metrô, compartilhamento de carros elétricos e modais ativos como bicicletas, implantar malha cicloviária regional, estações de recarga para veículos elétricos e atualização do álcool como matriz energética renovável e de baixo carbono.

Para o enfrentamento dos desafios e complexidades urbanas atuais, o poder público regional precisa se aproximar dos cursos de engenharia civil e arquitetura e urbanismo da nossa região, usinas de boas ideias e propostas factíveis. O curso de arquitetura e urbanismo da USCS, comemorando seu terceiro aniversário, é uma das inúmeras possibilidades para disseminação qualificada de propostas e projetos.

Enio Moro Junior é gestor do curso de arquitetura e urbanismo da USCS.


PALAVRA DO LEITOR

Deturpado
Criadas na década de 1930, após a quebra da bolsa em 1929, as políticas públicas foram adotadas em quase todo o mundo, inclusive na Alemanha de Hitler e nos Estados Unidos, com base nas teorias de J.M. Keynes. Como no Brasil nada se cria, mas tudo se copia, passou a fazer parte das atividades de Estado a ingerência na economia como se fosse condição sine qua non (indispensável, essencial) para a existência do Estado e da própria Nação. O termo ‘políticas públicas’ atualmente está deturpado, tendo como conotação o fato de que o Estado é obrigado a tudo, inclusive a determinar para onde vai a economia. Ao contrário. Não cabe ao Estado direcionar a economia, mas tão somente gerenciar a política monetária e atuar de forma eficiente nas áreas sociais onde sua presença é necessária.
Aimardi Perez de Oliveira
São Bernardo

Futebol & VAR
Há pouco tempo não tínhamos o VAR (Vídeo Assistant Referee) no futebol. Quem gosta deste esporte e analisa um pouco as coisas sabe que tem apito amigo, jogos de cartas marcadas e otras cositas mas. Com o VAR isso ficou ainda mais cristalino. Nas semifinais da libertadores tivemos Santos x Boca Juniors na Argentina. O juiz em campo pode se equivocar devido à rapidez da jogada e às circunstâncias. Agora, o VAR analisando e congelando as imagens não tem como negar que o pênalti a favor do Santos foi anulado de forma nítida a ajudar o Boca. Assim como não há como negar que o River Plate foi muito prejudicado em São Paulo contra o Palmeiras. Domingo, em jogo de vida ou morte para o Vasco tentar se manter na elite do futebol brasileiro, outro pênalti escandaloso e ridículo foi assinalado pelo VAR da partida em favor do Vasco. Caros torcedores, seja qual time for, não briguem, não gastem energia, não vão a aeroportos e centro de treinamento para incentivar nem cobrar jogadores. Estes ganham uma fábula, poucos ‘vestem’ a camisa do clube e a maioria está preocupada com o cabelinho, tatuagens e arregaçar o calção para mostras as coxas. Guardem suas energias para coisas mais importantes da vida, que são muitas.
Mauri Fontes
Santo André

Expulsão
O currículo profissional do ainda deputado Daniel Silveira não é adequado. Como integrante da Polícia Militar fluminense, em poucos anos ele sofreu prisões, detenções, repreensões e advertências que não vieram a público em sua campanha para o Parlamento Federal. Agora ele está provocando divergências até entre integrantes de seu partido. Parte exige sua expulsão. Que os congressistas coloquem os mecanismos necessários para não prejudicar ainda mais o conceito da classe política.
Uriel Villas Boas
Santos (SP)

Exemplo
Na condição de ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa foi fiel à função. Surpreendeu. Rara exceção. Exerceu o cargo como manda o figurino, imparcial com relação ao seu padrinho envolvido no Mensalão, sem nenhum vestígio de gratidão. Infelizmente sua forma exemplar de exercer a Justiça nem sempre é adotada. Demos um passo para frente e vários para trás. Daí hoje mocinho virou bandido e bandido, inocentado. Resumo da ópera: no Brasil o crime compensa.
Humberto Schuwartz Soares
Vila Velha (ES) 

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