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Variantes, imunização e volta às aulas




O processo de imunização contra a Covid-19 está em curso no Brasil, assim como o retorno dos alunos às escolas. Atuando na linha de frente do combate ao novo coronavírus, o médico Marco Aurélio Sáfadi, professor de infectologia da Santa Casa de São Paulo, acredita no efeito das vacinas para a diminuição de mortes e hospitalizações, aliviando assim a sobrecarga nos serviços de saúde. “Não significa erradicar o vírus, mas ajuda no controle da pandemia. Se a imunização alcançar uma proporção grande da população, serão beneficiados grupos para os quais ela não pode ainda ser aplicada, como crianças e adolescentes”, afirmou em entrevista ao programa A Hora e a Vez da Pequena Empresa. Dados da Santa Casa de São Paulo mostram que as vacinas protegem não só da doença, mas também da infecção em algum grau.

De acordo com Sáfadi, cerca de 80 milhões de brasileiros fazem parte dos grupos de risco a serem vacinados com duas doses e, considerando a velocidade da implementação da vacinação, ainda com carência de doses, a tendência é que seja um processo demorado, levando todo ano de 2021. São prioridades neste momento os idosos e aqueles com comorbidades, além de profissionais da saúde. “Chamada de vírus RNA, a Covid-19 desenvolve variantes e acumula mutações, que podem alterar alguns aspectos do vírus original, como seu poder de infecção e agressividade”, explica o médico. Segundo ele, o monitoramento é importante para entender a eficiência da proteção oferecida pelas vacinas. “É um trabalho minucioso para os virologistas. A comunidade científica está atenta”, explica.

Recentemente, o infectologista foi convidado a integrar a Comissão Médica da Educação do Estado de São Paulo, criada para garantir a retomada com responsabilidade e segurança aos alunos e profissionais de ensino. Segundo Sáfadi, a Covid-19 tem peculiaridades, uma delas é o seu comportamento na população pediátrica. “Claro que há casos graves e até mortes, mas desproporcionalmente menor do que em adultos. Além disso, ao longo da pandemia verificamos que as crianças, ao contrário do que supúnhamos, não são vetores relevantes de transmissão da Covid-19”, relata. Neste momento, a evasão escolar é uma preocupação. “Quanto mais tempo fora das escolas, menor a chance de os alunos retornarem”, frisa. Ele lembra ainda que interrupção das atividades escolares trouxe outros grandes prejuízos para crianças e adolescentes, como depressão e baixo rendimento cognitivo e de aprendizado.

Diante das opções, qual vacina tomar? De acordo com o infectologista, “aquela que primeiro estiver ao seu alcance desde que registrada pelas autoridades e agências regulatórias, pressupondo que foi avaliada, testada e representa possibilidade de prevenção”, orienta. Segundo ele, todas as vacinas disponíveis têm elevada eficácia para prevenir formas graves como morte e hospitalização. “Entretanto, ser vacinado não significa prescindir do uso de máscara, higienização e distanciamento social”, finaliza.

Segurança no trânsito

O Brasil é o quarto País do mundo que mais fere pessoas em acidentes de trânsito. Todos os anos, são em média 40 mil mortos e 250 mil lesionados, segundo Silvio Médici, presidente-executivo da Abeetrans (Associação Brasileira das Empresas de Engenharia de Trânsito). Um estudo recente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revelou que essa soma ultrapassa R$ 150 bilhões por ano, quantia superior à economia prevista com a reforma da Previdência Social, que é da ordem de R$ 132 bilhões por ano. Custo este pago por toda a sociedade, afirma Médici. “Todo investimento público ou privado nessa área retornará em melhor qualidade de vida e produtividade, inclusive para as empresas. Oferecer treinamento para uma direção segura e apoiar a fiscalização são exemplos de boas iniciativas”, frisa Médici.
 

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