Palavra do Leitor

Tratoraço de Bolsonaro


Na surdina, o governo federal, por ação do Ministério da Infraestrutura e da Santos Porto Authority, designação gourmetizada da antiga Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo), perpetra um dos maiores ‘tratoraços’ da gestão Bolsonaro, que terá com certeza impacto profundo junto aos empresários do Grande ABC. Ao ceder a interesses privados, e contrariar a vocação de abrir espaço para a manipulação de cargas manufaturadas e abrigadas em contêineres, a indústria paulista poderá ser obrigada a procurar outros terminais marítimos, como Vitória ou Rio Grande, com impacto brutal na planilha de custos, para exportar seus produtos. O novo plano de desenvolvimento e zoneamento do Porto de Santos, que foi elaborado sem qualquer consulta formal às autoridades municipais da Baixada Santista nem a sindicatos de trabalhadores ou de empresários, pretende aumentar o fluxo ferroviário do porto para abrigar uma maior demanda do agronegócio, sobretudo aquela originária da região de Goiás, Tocantins e Mato Grosso.

Não é só. Pretende ainda destinar áreas nobres do porto, junto à área urbana, para manipulação de fertilizantes e substâncias químicas, entre elas o perigosíssimo nitrato de amônia, responsável pelo recente desastre ocorrido no porto de Beirute. O governo Bolsonaro desconsiderou investimentos históricos de governos anteriores em novos e modernos portos do chamado Arco Norte, mais especificamente nos Estados do Pará e do Maranhão. Muito mais próximos do Canal do Panamá do que os portos do Sudeste. Isso sem se falar na criação de redes ferroviárias e fluviais na região e no fim do congestionamento dos portos de Paranaguá e, claro, Santos.

Não é este o objetivo do governo federal. Por esta razão, a representação sindical santista, através do Settaport (Sindicato dos Empregados Terrestres em Transportes Aquaviários e Operadores Portuários do Estado de São Paulo), ajuizou, apoiado pelo Fórum da Cidadania da Baixada Santista, ações no Tribunal de Contas da União e na Justiça Federal. O governo federal reagiu com portarias ministeriais que inibem a autonomia municipal das cidades portuárias, com o único objetivo de impedir a oposição das populações envolvidas. Os empresários paulistas devem se mobilizar contra mais este retrocesso perpetrado pela gestão Bolsonaro, sob pena de terem seus negócios comprometidos pelo aumento dos custos de exportação. Os trabalhadores portuários e a população da Baixada Santista já estão mobilizados. Contamos com mais este apoio.

Francisco Nogueira é presidente do Sindicato dos Empregados Terrestres em Transportes Aquaviários e Operadores Portuários do Estado de São Paulo e vereador da Câmara Municipal de Santos (PT).


PALAVRA DO LEITOR

Densidade
Sempre achei que cidade com menor densidade populacional do Grande ABC fosse Rio Grande da Serra. Parabéns ao jornalista Anderson Fattori, pela circunstanciada reportagem neste prestigioso Diário (Setecidades, dia 12)
João Paulo de Oliveira
Diadema

Carnaval 2021
Calou-se o pandeiro/Não escuto o chocalho/Cadê o brilho dos paetês/Cadê o som dos tamborins/Aonde colocaram as saias das baianas?/O sapato branco do porta-bandeira?/Cadê?/Você ouve? O que você ouve?/Silêncio com gosto salgado/Sal de uma lágrima/O que temos/São as luzes das velas/O soluçar de uma humanidade/Que cada dia se despede sem se despedir/Que o amanhã é tão distante/Distante e quase invisível/Cadê o brilho/Cadê a alegria...
Silvia Guides
Santo André


Desigualdades
Perdemos a capacidade de ficarmos indignados e aceitamos alguns absurdos como se normal fossem! Um deles o fato de o governo federal gastar R$ 1,8 bilhão em alimentos supérfluos – inclusive R$ 15 milhões em leite condensado, R$ 2,2 milhões em goma de mascar, R$ 2,2 milhões em sagu, R$ 2,5 milhões em vinho, e mais milhões em chicletes e outros itens –; gastar fortuna para comprar votos que elegeram presidentes da Câmara e do Senado, mas relutar em disponibilizar auxílio emergencial a quem necessita, a quem passa fome, e aventa com possibilidade de três parcelas de R$ 200 (Economia, dia 9)! Como torcer para o Brasil dar certo se desigualdades têm início no próprio governo.
Odivani Magalhães
São Bernardo

Continuo Bolsonaro
Cansei de tantos deputados, senadores e vereadores que, custando bilhões aos cofres públicos, vivem no conforto e luxo legislando em causa própria. E por que tantos? Precisamos de professores e ensino de qualidade. Deles, não! Cansei também de juízes que, em iguais condições, nos decepcionam e agridem livrando da prisão corruptos, estupradores e traficantes, transformando o País em verdadeiro paraíso de bandidos e sanguessugas da Nação. Bolsonaro é impulsivo, malcriado e trapalhão, mas, mesmo se aliando ao Centrão, prefiro ele aos governadores que o criticam e que irresponsavelmente faliram seus Estados para agora pedirem socorro. Ignorando Bolsonaro, em quem para se eleger sem escrúpulo algum se pendurou, Doria, o ‘gestor’, traiu Alckmin, abandonou a prefeitura, enganou os eleitores e, agora, como Judas, o trai também sem qualquer constrangimento. Falso e egoísta, quer a Presidência a qualquer custo. Se conseguir, trairá mais uma vez quem nele votar!
Nilson Martins Altran
São Caetano

Vacina Covid
Moramos em São Bernardo e minha mãe, que tem 86 anos, recebeu no dia 13, em casa, a primeira dose da vacina Coronavac (Butantan). Outros vizinhos (faixa etária acima de 85 anos) também a receberam. As enfermeiras da UBS (Unidade Básica de Saúde) Vila Marchi que a vacinaram foram muito profissionais e simpáticas. Obrigado às profissionais da UBS Vila Marchi e parabéns à iniciativa do prefeito Orlando Morando de atender esta faixa etária em casa.
Walmir Ciosani
São Bernardo

Artigo
No Artigo do vereador Ricardo Alvarez, de Santo André, ele defende a manutenção das aulas on-line, devido à pandemia e à falta de segurança sanitária para o retorno (Opinião, dia 14). Em seu site oficial, Alvarez afirma ter ‘formação de professor e apurado senso de humanismo’. Sendo assim, sugiro que o nobre vereador saia da segurança de seu gabinete e vá a uma área periférica da cidade para ver como as aulas on-line realmente são feitas e verifique como está o (não) aprendizado de crianças em situação de vulnerabilidade.
Edgard Ortiz Rinaldi
São Bernardo

UBS Alves Dias
Minha irmã faz uso do medicamento controlado carbonato de lítio, que retiro na UBS (Unidade Básica de Saúde) Alves Dias, em São Bernardo. Estou sempre ligando para saber se o remédio chegou. Da última vez o prazo de chegada era de 20 dias. Fui dia 15 para retirar outro medicamento e perguntei se tinha previsão de chegada do lítio. Respondeu que é de mais 30 dias e que o medicamento está em falta há quatro meses. Gostaria de uma posição da Secretaria de Saúde, pois a última vez que retirei foi somente com a publicação da falta do medicamento nesta coluna.
Keiko Sakata
São Bernardo

Prerrogativa
Os decretos para a liberação da aquisição e o uso de armas foram publicados em edição especial do Diário Oficial da União. E mostram a insensibilidade do atual presidente da República. O uso de armas tem de ser prerrogativa das Forças Armadas e dos sistemas policiais, para combater de forma preventiva a violência da criminalidade.
Uriel Villas Boas
Santos (SP)

lsso tem nome!
A prefeitura de São Paulo prometeu entregar 13 mil salas de aulas adaptadas para a volta às aulas. Depois de um ano, as escolas continuarão fechadas, pois a prefeitura nunca esteve pronta nem estará, pois nesta volta às aulas o prefeito da Capital, Bruno Covas, oferece 19 salas. Ou seja, faltam 12.981 salas prometidas. Mas o prefeito está tranquilo, aumentou seu salário, cortou bilhete do idoso, reajustou o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e não tem condições de acolher as crianças que precisam voltar às aulas. O nome disso é desleixo, incompetência e falta de respeito. Então, eleitor, na próxima eleição escolha melhor seus representantes.
Izabel Avallone
Capital 

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