Economia

Dólar tem novo dia de volatilidade alta com fiscal e decepção com varejo




O dólar teve novo dia de instabilidade, oscilando de acordo com as notícias de Brasília sobre o auxílio emergencial, enquanto a moeda americana teve pregão de queda quase que generalizada no mercado internacional. Pela manhã, fluxo externo ajudou o dólar a cair, mas além da piora do risco fiscal, em meio ao aumento da pressão no Congresso por mais gastos do governo, os números fracos do varejo em dezembro, com as vendas mostrando a pior queda para o mês da série histórica, acabaram também pressionando o câmbio, ao sinalizar que o aumento dos juros pelo Banco Central pode demorar mais um pouco. O resultado foi volatilidade, com a moeda oscilando entre a mínima de R$ 5,35 e a máxima de quase R$ 5,44.

No fechamento, o dólar à vista encerrou a quarta-feira com baixa de 0,22%, a R$ 5,3711. No mercado futuro, o dólar para março subiu 0,17%, para R$ 5,3910.

Em meio a discussão de retorno do auxílio emergencial, um dos consensos observados hoje foi o de que não haverá aumento de impostos para bancar a medida. "Vamos buscar solução sem criação de impostos", disse o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) no final da tarde. O Broadcast apurou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, em conversa com parlamentares, também descartou um novo imposto e ainda falou da necessidade de disciplina fiscal. Contudo, pela manhã, o relator do Orçamento de 2021, senador Márcio Bittar (MDB-AC), declarou que a necessidade das pessoas não pode esperar a agenda fiscal.

Para o sócio da Acqua Investimentos Bruno Musa, a prorrogação do auxílio traz alívio para parte da população no curto prazo, mas pode gerar um problema muito maior pela frente, de juro mais alto e inflação maior, que vai prejudicar mais as pessoas. "É um remédio de curtíssimo prazo com pouco efeito, para um problema duradouro mais lá na frente." Em sua avaliação, faria sentido ter o auxílio desde que houvesse cortes no Orçamento, mas os parlamentares parecem não querer essa contrapartida.

Além da questão fiscal, Musa ressalta que os indicadores também estão contribuindo para pressionar o câmbio. "As vendas no varejo, abaixo do esperado em dezembro, basicamente são uma chancela de que o Banco Central não vai subir os juros em março", disse ele, citando ainda o IPCA de janeiro mais fraco. "Mantendo os juros a 2%, continua pressionando o câmbio." Para Musa, os juros podem subir só no segundo semestre, a depender do avanço das reformas e próximos indicadores.

No exterior, o dia foi de dólar fraco, ajudado pela divulgação da inflação ao consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês), que veio abaixo do esperado, com alta de 0,3% em janeiro. Para os analistas do TD Bank, o número sinaliza que o Federal Reserve não terá pressa para retirar seus estímulos extraordinários, mantendo as compras de ativos por mais tempo, o que ajuda a enfraquecer o dólar.

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