Memória

Fernandes & Thais, um encontro de talentos


A HISTÓRIA DE UM RÓTULO

Naquele janeiro de 2019, o quarto andar do edifício-sede do Diário realizava a abertura, felizmente presencial, do Encontro São Paulo de Literatura. Ano seguinte viria a pandemia, mas tanto Fernandes como Thais continuaram a produzir ideias, cada qual no seu campo.

Agora surge uma indagação do casal Wilson Luiz Cordeiro e Sueli Cordeiro:

MISTÉRIO

- Fazemos parte de um grupo do Facebook chamado Memória Cerqueirense, da cidade de Cerqueira César (São Paulo), e hoje foi feito um post de um rótulo de pirulito cuja ilustração foi feita por Luiz Carlos Fernandes. Gostaria de saber se é o mesmo Fernandes ilustrador do Diário do Grande ABC.

FERNANDES RESPONDE
- Que bacana! Lembro de ter feito esse rótulo do pirulito (era colado no pote do doce), quando trabalhava na Gráfica Centenário de Avaré.
O ano era 1981. Logo depois, em janeiro de 1982, mudei para o Grande ABC. Era o início da minha carreira e certamente hoje faria diferente esse rótulo.
Tem um detalhe que me envergonha. A imagem é uma turminha de crianças pulando com pirulito nas mãos e o garoto negro tem o sapato furado (coisa que os artistas da época faziam). Mas logo o garoto negro? Desnecessário. Porém, faz parte do aprendizado.
Eu tenho esse rótulo aqui, só preciso encontrar. Não lembro ter assinado o rótulo. Nem podia. O crédito é ‘Gráfica Centenário’.

QUEBRA-CABEÇA
A notícia da obra de Fernandes quem descobriu foi Paulo Pelicon, de Cerqueira César, o administrador do grupo Memória Cerqueirense. E quem enviou o rótulo foi um colega de infância de Fernandes, Gesiel Junior, que conta:
Fernandes é meu amigo de infância. Publicamos a história em quadrinhos da pintora Djanira, em 2018. Fiz o roteiro e ele, claro, as ilustrações.
Artista gráfico hoje de renome internacional, Fernandes fez essa ilustração há mais de 40 anos, ainda em Avaré, antes de fazer história no Diário do Grande ABC.

E lá vem a Thais.
Com mais livros.

www.editoramatarazzo.com.br

Ao mesmo tempo em que descobrimos o rótulo produzido pelo Fernandes em 1981, Memória recebe as novas produções literárias da Thais Matarazzo: livros de papel. Cheiram a tinta. Prova de resistência editorial – dizemos sempre.
Este desenho do sobrado remete à Rua Aurora, 20. “Em toda a extensão da Rua Aurora se concentravam cortiços, sobrados de famílias remediadas e palacetes. Várias destas construções vieram abaixo devido à especulação imobiliária no fim da década de 1930, quando o prefeito Prestes Maia promoveu a desapropriação e demolição de residências velhas para o alargamento de logradouros na região central, com o Plano de Avenidas de São Paulo, conta Thais Matarazzo no livro Rua Aurora, 20.
Coube à ilustradora Camila Giudice, fiel colaboradora da Thais, reconstruir a fachada do sobrado, bem como vários outros cenários antigos do bairro da Santa Ifigênia.

PARA LER
REFLETIR
ENSINAR
DIVERTIR

“Aquele sábado estava quente, Yolanda e Tenório estavam de chapéu para se protegerem do Sol.”
A menina e o tucano

Neste pacote de preciosidades histórico-literárias, Thais oferece outros títulos:
- O livro infantil com Tenório e Yolanda – Tenório? Quem é Tenório
- As poesias e poemas de Wanderley Cepeda Junior, todo apaixonado:
“Mulheres. Existem lindas, gostosas, sensuais, dengosas. Mulheres inteligentes. E existe você, guria, que tem tudo isso e mais um pouco”...
Thais se supera em Alegria e Gratidão. Ela viaja de São Paulo a Portugal, num estalar de dedos:
“Quando estou na cidade do Porto, gosto de descer até o Ribeira, sentar-me em algum dos bancos de madeira e passar bastante tempo a observar a paisagem: a correnteza do Douro, o zum-zum das pessoas, os trajetos dos barcos e... o voo das gaivotas, ah, fico hipnotizada”!
Junto com os livros, a edição 18 da revista Escritores Brasileiros Contemporâneos. De pano de fundo, um bate-papo com a atriz e apresentadora Silvana Teixeira.
Num dos livros, uma homenagem ao jornalista e pesquisador Adauri Alves (1947-2018), presença constante em bibliotecas e arquivos, pesquisando, anotando, oferecendo suas descobertas a tantos autores.
Adauri amava história. E tinha raízes em Mauá, aqui no Grande ABC, onde morou e fez músicas e enredos carnavalescos que precisariam ser redescobertos e (re)gravados.
Em As Aventuras de Tenório e Yolanda, Thais/Yolanda na capa, numa foto de Gilberto Cantero, pai da autora. História de dois paulistanos passeando em Taubaté.
Tenório é esse tucano que aparece com Yolanda/Thais na janela do Sítio do Pica-pau Amarelo, lá longe, na terra de Lobato.

CARNAVAL DE TODOS OS TEMPOS

Em 1931, um comentário que diz muito ao Carnaval 2021. “Não se escuta o toque de um clarim, o ribombo de uma zabumba, a gritaria de um forrobodó. Nada. A nossa terra nunca teve vocação para essas coisas. O Carnaval em São Paulo apareceu por volta de 1857, com os ‘zuavos’, numa chácara do caminho de Santo Amaro, e teve até há pouco uma vida toda artificial. Momo em São Paulo é um deus sem futuro.”
Cf. O Estado de S. Paulo, 8-2-1931, p. 7.

Diário há meio século

Domingo, 7 de fevereiro de 1971 – ano 13, edição 1455

Teatro – Escreve José Armando Pereira da Silva, o querido Zé Armando: “Eliminada a hipótese da montagem de A Torre em Concurso, para a qual sempre penderam as preferências do Grupo Teatro da Cidade; a peça escolhida para a inauguração do Teatro Municipal de Santo André (em abril de 1971) foi Guerra do Cansa Cavalo, de Osman Lins.

Em 8 de fevereiro de...

1916 – Estão matriculadas no Grupo Escolar de Santo André 560 crianças de ambos os sexos. Mais de 200 outras não recebem instrução. A cidade defendia a decretação da obrigatoriedade do ensino no município.
1966 – Sucursal de Santo André do jornal Última Hora inaugura telex.
1986 – Chuvas causam inundações em Utinga, Santa Terezinha e Parque Novo Oratório, em Santo André.
1991 – Fundado o Grêmio Cultural e Escola de Samba Fantasia e Realidade, de Diadema.

Santos do Dia

- Josefina Bakhita (Sudão, África, 1869 – Itália 1947). Seu nome significa ‘afortunada’. Ingressou num mosteiro da Congregação de Santa Madalena de Canossa e ali, por mais de 50 anos, se dedicou a diversas ocupações, de cozinheira a sacristã.

- Jerônimo Emiliani

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