Setecidades

Região corre risco no plano de flexibilização


O Grande ABC corre risco de regredir de fase no Plano São Paulo, programa do Estado que estabelece as diretrizes de flexibilização da quarentena. Os números da pandemia causada pelo coronavírus na região aumentaram consideravelmente nas duas últimas semanas, o que pode deixar a região na Fase 2 (laranja) na próxima atualização do governo, marcada para sexta-feira.

São dois os problemas enfrentados pelas sete cidades do Grande ABC: o número de internações e o de mortes. Em 14 dias, contados de 26 de agosto a 8 de setembro, foram 1.699 novas internações segundo dados do Estado, o que resulta em 60 a cada grupo de 100 mil habitantes. Em relação aos falecimentos, foram 185 no período, ou seja, 6,5 a cada 100 mil habitantes. Segundo o Estado, dois dos principais indicadores para uma região se manter na Fase 3 (amarela) é não ter mais do que 40 internações e cinco óbitos a cada grupo de 100 mil habitantes.

A regressão de fase impacta diretamente na economia, já que não permite, por exemplo, abertura de bares, restaurantes, academias e parques, além de diminuir drasticamente a capacidade de atendimento nos estabelecimentos comerciais e shoppings, que poderiam funcionar por apenas quatro horas por dia e com 20% da capacidade – hoje o funcionamento está garantido por oito horas e com 60% da capacidade. A mudança para a fase laranja também iria impactar no retorno presencial das aulas, pois para que a região possa restabelecer o ensino em sala precisa estar, no mínimo, 28 dias seguidos na fase amarela.

“Esses critérios (usados no Plano São Paulo) são baseados em recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde). O número de óbitos e internações mostra a capacidade de o sistema de saúde absorver os casos mais graves. Houve aumento consistente em duas semanas, indicando que surto está ocorrendo e isso pode fazer a doença voltar a se propagar. Regredir de fase, diminuir a flexibilização para tentar fazer com que o vírus circule menos é uma defesa para controlar o avanço da pandemia, e isso acontece em vários países, como a Alemanha”, explicou Sônia Regina Pereira de Souza, epidemiologista e professora do curso de medicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano).

A especialista entende que, mesmo perto da Capital, a mudança de fase pode causar impactos positivos no Grande ABC. “A cidade de São Paulo é muito grande e certamente tem bairros em melhores e piores condições. É possível que os locais que se avizinham ao Grande ABC possam estar em condições mais complicadas no combate à pandemia. Segurar a circulação é uma medida que ajuda a diminuir a propagação do vírus, mas precisa vir junto com as medidas sanitárias”, comenta Sônia.

Na sexta-feira, a região de Ribeirão Preto regrediu da fase amarela para a laranja, após registrar alta de 43,1% no número de casos e 48,3% nos óbitos na variação semanal.

Grande ABC acumula mais 15 óbitos

Foram 15 mortes e 236 novos diagnósticos positivos para o novo coronavírus registrados ontem nas sete cidades do Grande ABC. Os números podem ser ainda maiores, na medida em que nem todas as cidades emitem boletins nos fins de semana e em feriados, como Diadema e Mauá.

Diadema, por exemplo, incluiu ontem nove mortes na soma, além de 92 casos positivos. Mauá, no entanto, informou que não houve perdas e acumulou 68 diagnósticos positivos. Os outros óbitos de ontem foram informados por Santo André (três), São Bernardo (dois) e São Caetano (um). No total, são 58.735 casos e 2.273 mortes até agora. 

O Estado acumulou, nas últimas 24 horas, 1.453 novos casos e 53 novos óbitos provocados pelo novo coronavírus. Foi o menor número de mortes diárias contabilizadas para uma terça-feira desde o dia 21 de abril, também durante um feriado prolongado. Naquela ocasião foram 56 mortes. No total, São Paulo tem 31.430 óbitos e 858.783 casos. 

O feriado, quando as secretarias municipais da saúde trabalham com equipes reduzidas, também refletiu nos dados nacionais. Nas últimas 24 horas o Ministério da Saúde registrou 504 novas mortes e 14.279 casos de Covid-19. O número de óbitos chega a 127.464 e o de pacientes contaminados, a 4.162.073. 

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