Confidencial

Reencontro reaviva memórias regionais


O mesmo Estádio Anacleto Campanella que vai receber nesta quinta-feira o dérbi do Grande ABC entre São Caetano e São Bernardo FC foi palco do primeiro encontro entre os times, há nove anos, em uma partida que jamais deixará as memórias dos jogadores, dos 1.616 torcedores e quem estava lá naquele sábado, dia 2 de abril. Inclusive eu, que cobria junto do colega Thiago Bassan aqui para este Diário. E as recordações não são tanto pelo fato de aquele ter sido o primeiro duelo oficial entre os vizinhos, mas pelo placar final: goleada por 6 a 1 do Azulão sobre o Tigre, em noite do atacante Eduardo, autor de impressionantes cinco gols são-caetanenses. Os demais tentos foram marcados por Antônio Flávio (para o time da casa) e Amarildo (que descontou para os visitantes). A situação foi tão surpreendente e ao mesmo tempo avassaladora que, no intervalo, quando o placar já estava 5 a 0 para o São Caetano, grande parte da torcida do São Bernardo FC foi embora.

Depois do apito final, anestesiados, jogadores e comissão técnica do Tigre, comandado pelo técnico Estevam Soares, foram orientados pelo então presidente Luiz Fernando Teixeira a não concederem entrevista. O único a falar foi o diretor Edgard Montemor Filho, que garantiu a permanência do treinador à frente da equipe. Afinal, faltavam dois jogos para o fim da competição e o São Bernardo FC lutava contra o rebaixamento, que acabou consumado posteriormente, juntamente com o Santo André. Do outro lado, no vestiário do São Caetano, festa absoluta. O técnico fogueteiro Ademir Fonseca – que surpreendia os atletas durante os treinos com tiros de fogos de artifício para motiva-los – foi bastante comedido e respeitoso nas palavras, enquanto o artilheiro Eduardo acreditava que sequer conseguiria dormir naquela noite, após tamanho feito (primeiro e único da história azulina a alcançar tal façanha, deixando para trás Talone, Adhemar e Aílton, que haviam feito quatro tentos numa mesma partida com a camisa são-caetanense).

Não acredito que o reencontro desta quinta-feira possa ter um desfecho com tamanha disparidade. Obviamente que a paralisação do campeonato por cinco meses em razão da pandemia do novo coronavírus deixa qualquer cenário incerto, mas goleada com tamanha diferença acho pouco provável. O São Bernardo FC manteve mais de 90% do time e ainda trouxe alguns reforços, enquanto o São Caetano perdeu peças da equipe titular – os mais importantes o zagueiro Matheus Salustiano e o atacante Bruno Moraes –, mas também foi ao mercado em busca de reposições. Ambos lutam pela classificação e é bem verdade que um empate não é mau negócio nem para um lado nem para outro. Para o Azulão, claro, vitória seria melhor situação, uma vez que o aproximaria da vaga no mata-mata, onde o líder Tigre está praticamente assegurado. Uma pena as torcidas não poderem adentrar o Anacleto Campanella para acompanhar o duelo. Pelo menos poderão assistir pelo SporTV.

FORÇA, JURA!
Uma grande figura do jornalismo e do esporte do Grande ABC está passando por momento delicado. O colega Jurandir Martins, 76 anos, deu entrada no Pronto-Socorro Central de São Bernardo com quadro bastante preocupante, ainda mais debilitado em razão de tumores de próstata e rins, além de estar com anemia. Após grande movimentação de amigos e companheiros de uma jornada de cinco décadas na região, foi transferido para o Hospital de Clínicas, onde segue hospitalizado, mas já foi transferido para o quarto e, segundo informações, está lúcido, conversando e aguardando resultados de exames. Muito magro – perdeu quase 40 kg nos últimos meses – passará por período de recuperação.

A história do futebol do Grande ABC se confunde à de Jurandir Martins, que já vestiu a camisa desta empresa, enquanto repórter da extinta Rádio Diário. Foi nesta que, há quase 40 anos (a serem completados em setembro), venceu o Prêmio Sanyo de Jornalismo junto dos colegas Rolando Marques e Carlos Zanetti – além de tantos outros radialistas que deram voz ao veículo. Gaúcho e torcedor fanático do Internacional, de Porto Alegre, sempre foi um defensor dos times da região. Dono de memória invejável, é daqueles que conseguem facilmente lembrar escalações de Saad, Aliança, EC São Bernardo, Palestra, Santo André, São Caetano e demais times das nossas sete cidades.

Figurinha carimbada nos estádios da região – sobretudo Baetão e 1º de Maio –, assumiu o papel de principal figura da imprensa esportiva daqui. É assim que sigo o enxergando. Sugiro ao colegas da nova geração que, assim que nosso caro Jurandir superar este momento, se tiverem a oportunidade, conversem e, principalmente, aprendam alguma coisa com ele. Nem sempre concordávamos ao analisar esquemas táticos, utilização de jogadores, reforços e tudo mais, mas recebi muitas aulas nas mais diversas coberturas, de onde nasceu e cresceu um grande respeito, que permanecerá prevalecendo, pela idade, representatividade e, principalmente, pessoa que você é, amigo. Em oração: força, Jura! 

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