Cotidiano

Mas o que são ‘fake news’?


Há alguns anos, pouco tempo mesmo, fake news era expressão ainda não inventada. Sequer imaginávamos que um dia ela viria para surfar na onda da política mundial e cair tão facilmente na boca do povo. 

Fato é que, a partir do momento em que surgiu, não demorou para ganhar notoriedade. Tudo, aliás, tem esse poder de entrar rapidamente nas rodas de conversa mundo afora, graças ao advento da internet. Modernidade que, há um bocado de tempo, tem servido de inspiração para este escritor. Diga-se de passagem, torna-se cada vez mais difícil escrever sobre qualquer assunto que, de algum modo, não esteja envolvido com ela ou vindo dela.

Com relação às fake news é preciso, antes de mais nada, entender que se trata de fenômeno que chegou com muita força para sabotar o entendimento das pessoas, de uma forma geral. Trata-se, no frigir dos ovos, de mentiras, ou boatos, como preferem alguns, propagados para que um determinado seguimento da população de um país ou de uma região se convença da necessidade de apoiar este ou aquele político. Seja para elegê-lo ou somente para mantê-lo no poder. Refiro-me, claro, àquela parcela do povo nada afeita à boa leitura, à conquista do conhecimento, fadada mesmo a digerir com facilidade toda a patifaria espalhada por quem possui nas mãos a máquina de disseminar tudo aquilo que segue na contramão da verdade.

A mentira é, pois, recurso que provavelmente tenha se tornado verdade no universo do homem, desde o momento em que o Criador soprou em suas narinas. Dizem que foi o diabo quem a inventou. Conversa! Foi mesmo o homo sapiens, em toda a sua sabedoria, que logo descobriu as vantagens de utilizá-la. E assim o fez, buscando sempre meios para divulgá-la em larga escala, quando necessário. Que me perdoem as pessoas ligadas ao clero ou criadas debaixo de seu cetro, mas a Santa Sé talvez tenha sido a primeira grande disseminadora de fake news da história. E a sua dissidência, posteriormente, se encarregou de tocar adiante o projeto de investir na imensa fábrica de fiéis que são levados na conversa por atacado, derramando lágrimas de júbilo.

E também é incontestável o fato de que foi a partir das fake news que este imenso sertão alcançou uma decadência nunca vista antes. A mente sórdida, desde que descobriu sua utilidade, usou de seu expediente para ludibriar a parca inteligência que se doa de corpo e alma a uma causa nobre que pensa existir. Azar de quem tem a faculdade de enxergar uns metros adiante e perceber a cilada em que se meteu toda uma nação. E essa gente se angustia ao ver derreter a economia, a saúde, a educação, o meio ambiente, as relações exteriores de seu país. Assiste, estarrecida, deteriorar conquistas de décadas. 

E o vento quente dos trópicos é forte o suficiente para tocar a mentira para os quatro cantos do território. Mentira que, devido à frequência com que é bombardeada nas vidas das pessoas, acaba por se tornar verdade. E ganha força, a despeito da incômoda presença da gente que a contesta e a combate. São pessoas mais esclarecidas que sofrem, por não aceitar como verdade o que lhes é imposto pelo poder. É gente, cuja sagacidade, ainda nutre de esperança o coração cansado de conviver com tudo o que há de mais vil nesta terra.

Há, contudo, uma pequena e abastada parcela desse povo com poder suficiente para deter a besta-fera que ora conduz com muita competência o barco para o fundo do oceano. Mas se recusa a fazê-lo. Pensa que o seu verdadeiro inimigo é a gente pobre que constitui a imensa maioria da população. 

Mas para que servem, afinal, as fake news? Para fazer com que o povo desta rica Nação permaneça crente de que tudo vai muito bem, mesmo que nada tenha para comemorar.

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