Confidencial

Quem leva o dérbi que define o Estadual?


Pela oitava vez na história de 119 anos do Paulistão, Corinthians e Palmeiras decidirão quem será o campeão. O Timão leva ligeira vantagem, com quatro títulos (1954, 1995, 1999 e 2018), contra três do Verdão (1936, 1974 e 1993). Os jogos de amanhã e sábado decretarão a igualdade alviverde ou definirão a ampliação do domínio alvinegro, em um duelo que até duas semanas atrás parecia inacreditável, sobretudo em razão de os corintianos estarem lutando contra o rebaixamento. Mas foi justamente um triunfo sobre os palmeirenses, pela 11ª rodada da primeira fase, que decretou a reviravolta na condição dos comandados de Tiago Nunes, que garantiram classificação, superaram o favorito Red Bull Bragantino nas quartas de final e passaram pelo Mirassol na semi.

“Ah, mas o Corinthians teve ajuda do VAR na expulsão do Juninho (do Mirassol), o mesmo VAR que não deu um pênalti sobre Zé Roberto (do Mirassol) ou que no jogo anterior não decretou o cartão vermelho para Fagner (após entrada em jogador do Red Bull Bragantino)”. Contra fatos, não há argumentos. Realmente, o árbitro de vídeo não demonstrou o mesmo critério e não teve o mesmo olhar rígido nestes três casos que mencionei – inclusive, o juiz que esteve no comando do VAR em Corinthians x Mirassol foi justamente Raphael Claus, escalado para apitar o primeiro jogo da decisão, amanhã. Agora é tarde para se debater o passado. É hora de se pensar nas duas partidas finais. E projetar que os rivais façam um dérbi grandioso, de muita qualidade e, se possível, de placares mais voluptuosos do que 0 x 0, 1 x 0 ou 1 x 1. Que possam coroar o maior e mais forte Estadual do
País.

E que Juca Kfouri me desculpe – em sua coluna, disse que o Timão chegar à final prova que o campeonato é “fraquíssimo”. Discordo absolutamente. Pode até ser que faltem craques, mas o Paulistão segue como o principal regional do Brasil. Entre outros motivos, elejo o fato de dois times do Interior terem chegado às semifinais (Mirassol e Ponte Preta) e outros dois ficado a maior parte do tempo na liderança (Santo André e Red Bull Bragantino), dando mostras de que por aqui não são as mesmas duas, três ou quatro equipes apenas que brigam por algo grande. Vida longa ao Paulistão.

RECONHECIMENTO
No dia 21 de novembro do ano passado, aqui neste espaço, pedi paciência aos torcedores do Santo André que me mandaram mensagem ou se manifestaram nas redes sociais contrários à contratação do executivo de futebol Edgard Montemor Filho, que chegava após 12 anos no vizinho São Bernardo FC. Porém, oito meses depois, os andreenses tiveram de reconhecer que o dirigente fez um excelente trabalho, junto do diretor Juraci Catarino, do técnico Paulo Roberto Santos e todos os outros que colaboraram nesta campanha quadrifinalista do Ramalhão que, mesmo limitado financeiramente, surpreendeu, encarou os grandes e por detalhes não eliminou o Palmeiras nas quartas de final. Não só alcançou o objetivo inicial de se livrar do rebaixamento como se classificou ao mata-mata e devolveu o clube para o Campeonato Brasileiro da Série D após sete anos.

O contrato de Edgard com o Santo André era válido somente até o fim da campanha da equipe no Estadual, ou seja, encerrou-se na sexta-feira. E em uma das redes sociais do dirigente, em um post agradecendo por estes oito meses no cargo, ele recebeu uma verdadeira enxurrada de reconhecimentos e elogios, tanto de torcedores quanto profissionais da bola, entre eles treinadores e jogadores, comprovando que a aposta da diretoria ramalhina em trazê-lo foi acertada, deixando qualquer clubismo de lado, apoiando a decisão somente no profissionalismo de alguém que esteve diretamente relacionado à ida do Tigre da Segundona (Quarta Divisão) para a Série A-1, além de participações em Copa do Brasil e Série D nacional, em curto período de tempo.

Tenho certeza que portas se abrirão a Edgard, mas confesso que espero por seu retorno para a temporada 2021, que será completa para o Ramalhão. Também acredito que seria vital o retorno de Paulo Roberto, outro que não deverá ficar desempregado por muito tempo após estar à frente desta memorável campanha andreense. Estendo essa expectativa para alguns jogadores, como Nando Carandina, Paulinho, Douglas Baggio e Ronaldo.

TREVO DE QUATRO FOLHAS
“A sorte sorri aos fortes”, “A perseverança é a mãe da boa sorte”, “A sorte favorece os destemidos.” Mas o que essas frases de Terêncio, Miguel de Cervantes e Alexandre, o Grande, respectivamente, fazem aqui? Pois é, as trouxe justamente para falar sobre a última volta do GP da Inglaterra de Fórmula 1, domingo, em Silverstone, no qual Lewis Hamilton superou 75% do traçado com o pneu dianteiro esquerdo furado para vencer a corrida. Condicionar somente à sorte poderia ser minimizar a competência do britânico – que, segundo dados da telemetria da equipe, chegou a 230 km/h mesmo nessas condições –, mas como diz aquela expressão esportiva, o piloto da Mercedes mais uma vez mostrou sua “sorte de campeão”, tanto que outros pilotos, como Valtteri Bottas (seu companheiro de equipe) e Carlos Sainz Jr (McLaren), tiveram problemas semelhantes, mas destinos diferentes. Assim, parafraseando Nelson Rodrigues, “com sorte você atravessa o mundo, sem sorte você não atravessa a rua”, nem mesmo, então, a pista de Silvertsone. 

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