Memória

Zélia Gattai: uma menina em São Caetano


“Embora anarquista, nonno Gattai era formal, gostava de tudo direitinho”.

Cf. Zélia Gattai, no livro que apresentamos a seguir.

Na Semana São Caetano 2020, Memória apresenta um livro belíssimo de Zélia Gattai (1916-2008), a mulher do Jorge Amado: Città di Roma (Editora Record, 2000). São várias passagens em que Zélia refere-se às suas vindas a São Caetano, para visitar os primos que residiam no bairro Cerâmica – ontem citamos um trecho.

É mais conhecido o primeiro livro de Zélia, Anarquistas Graças a Deus (de 1979), também com várias lembranças da cidade de São Caetano e de um crime ocorrido na Estrada do Mar, o que vitimou o casal Quaglia. Città di Roma  também é importante, mesmo porque, mais experiente, Zélia Gattai dá show de bola.

Em determinado trecho de Cittá... Zélia escreve:

>– Emocionei-me com todas as versões que ouvi, os detalhes novos de cada narrador com sua ótica particular, cada qual com sua lembrança. Quem a contava bem, com grande sentimento, era tio Angelin. Sempre que ia a São Caetano visitá-lo, puxava o assunto.

(No caso, eram as histórias vividas pelos imigrantes italianos, tios e ancestrais de Zélia, nas fazendas de café no Interior do Estado de São Paulo. Ali eram explorados e advertidos se tentassem fugir. Sorte não teve um negro, que foi açoitado num tronco após tentativa frustrada de deixar aquela vida miserável. Velhos, adultos e crianças imigrantes foram levados pelo capataz para assistir à tortura e lhes servir de exemplo – doloroso exemplo).

Com que carinho Zélia Gattai fala do tio Angelin, que morava em São Caetano:

– Tio Angelin trabalhava de envernizador de móveis finos. Tinha emprego certo, na cidade, viajava todos os dias. Ia de ônibus até a estaçãozinha de São Caetano, onde tomava o trem que o levava, parando no Mooca, Brás, antes de chegar à Estação da Luz, ponto final da linha, onde desembarcavam.

Procurem pelo livro. É lindo. Uma história atrás da outra, com muitas pitadas sobre São Caetano, Alto da Serra e tantas outras paragens.

Diário há meio século

Sexta-feira, 31 de julho de 1970 – ano 13, edição 1297

Manchete – Explode canalização de gás da Câmara Municipal de São Bernardo. Morre o operário municipal Jacir Rodrigues.

Saúde – Dr. Álvaro Duzzi assume a Divisão de Saúde de São Bernardo, cargo equivalente ao do atual secretário municipal.

Em 31 de julho de...

1915 – A empresa cinematográfica de Dal Medico & Andaló realiza espetáculos na Sociedade Italiana Savoia, de Santo André. 

1925 – Fundado o Clube Atlético Rhodia, de Santo André, nos escritórios da Companhia Química Rhodia Brasileira, na Estação de São Bernardo (hoje Santo André). Seu primeiro presidente foi Joaquim Petrilli.

1930 – Momento político nacional pós-assassinato de João Pessoa, governador da Paraíba. Getúlio Vargas, governador do Rio Grande do Sul, declara que não assumirá qualquer atitude violenta neste momento da vida do País.

1960 – Pelo Campeonato Paulista da Primeira Divisão, em Mogi das Cruzes: AA Comercial 2, Irmãos Romano, de São Bernardo, 1 (gol de Didi).

Nota – Era a divisão de acesso ao futebol maior de São Paulo 60 anos atrás.

1975 – Censura Federal proíbe show de estreia de Caetano Veloso no Teatro Municipal de Santo André.

Santo do dia

- Inácio de Loyola (Azpzitia, Espanha, 1491 – Roma, 1556). Nobre espanhol. Converteu-se aos 30 anos de idade, depois de breve e brilhante carreira nas armas. Um dos fundadores da Companhia de Jesus, em 1534. 

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