Palavra do Leitor

Palavra do leitor


Nestes tempos terríveis, em que a pandemia da Covid-19 ceifa milhares de vidas – já são mais de 60 mil mortos no País e os brasileiros infectados passam de 1,3 milhão –, é preciso reverenciar aqueles que estão na linha de frente para salvar pessoas, seja nas cidades, nas favelas ou nas aldeias indígenas dos rincões do Brasil. São médicos, enfermeiros, técnicos de saúde; enfim, todo um exército de profissionais valorosos que arriscam as próprias vidas para evitar o aumento da mortandade e aliviar o sofrimento dos doentes. Estes são os verdadeiros heróis desta Pátria de tantos mitos falsos quanto heróis espúrios!

Precisamos enterrar os mortos e cuidar dos vivos, para que eles permaneçam vivos. E também tirar as lições dessa tragédia. Já devíamos ter entendido que a natureza é sábia, mesmo quando se manifesta de maneira violenta e, aparentemente, irracional. Ela está querendo nos dizer algo. Não foi à toa que povos ditos ‘primitivos’, das mais diversas etnias, criaram ao longo da história deuses semelhantes à natureza, de modo que pudessem interagir com ela. Era como se, através desses deuses, o ser humano dialogasse com a mãe natureza. Para entender, como os ‘povos primitivos’ entendiam, que, como toda boa mãe, a natureza às vezes precisa ser rigorosa, castigando seus filhos quando eles fazem traquinagens.

Estamos tão acostumados à poluição, à devastação da natureza, que quase não percebemos a dimensão da destruição que pode comprometer o futuro das próximas gerações. Foi preciso que a pandemia da Covid-19 nos obrigasse a ficar em casa em quarentena para que pudéssemos ser capazes de enxergar que ainda podemos salvar o meio ambiente. A poluição na cidade de São Paulo, por exemplo, caiu 50%; as águas da Baía da Guanabara estão translúcidas, a ponto de podermos ver a vida marinha; também deixamos de jogar na atmosfera trilhões de toneladas de carbono. Vimos que a devastação não é inevitável.

Mas não é só o aspecto ambiental: no plano social também pudemos constatar as dramáticas consequências sociais de processo de concentração de renda brutal, criado pelo sistema rentista neoliberal. Tudo isso nos obriga a sonhar e a pensar em mundo novo, totalmente diferente deste que está aí. É urgente construir mundo diferente, mais equilibrado do ponto de vista ambiental, com modelo de desenvolvimento sustentado. Mas também mundo socialmente mais digno. Mas, com este governo, não será possível nenhuma mudança, nenhum passo à frente. Estamos retrocedendo décadas, quase voltando aos tempos da ditadura militar, com esse autoritarismo, essa ode à ignorância, essa insensibilidade social e esse obscurantismo cultural.

José Luís Penna é presidente nacional do Partido Verde. 

PALAVRA DO LEITOR

Matriarca 

 Agradeço, em nome da família Lemes, as palavras de carinho à nossa matriarca, dona Cotinha, do professor João Paulo de Oliveira nesta coluna Palavra do Leitor (Dona Cotinha, dia 30). O leitor não imagina o quanto é importante para ela, uma mulher de 92 anos de idade, ver o seu nome ser lembrado pelo seu trabalho, quando o normal hoje é as pessoas se referirem ao idoso como um ser descartável. Queremos também agradecer às pessoas pelas doações que têm feito para realização do tradicional almoço comunitário no Parque São Bernardo. Professor, o nosso a abraço bem abraçado de gratidão!

Benedito da Silva Lemes, filho da dona Cotinha – São Bernardo

Cai mais um! 

 Carlos Alberto Decotelli, que achou-se ministro da Educação por um dia, é mais um caso emblemático do governo Bolsonaro. Ele só pode ter sido ‘plantado’ nesta gestão, neste momento de caos – tanto político quanto sanitário –, para que a opinião pública esqueça de Queiroz e todas as ilicitudes em que está metida a família do presidente. Não é possível que um sujeito seja alçado ao cargo de ministro de pasta com essa envergadura com tantas mentiras no currículo, sem que ninguém tenha checado antes. Mostra o quanto está perdido o presidente e sem rumo a Nação. É má-fé, despreparado da equipe de governo que faz as escolhas ou tudo pensado, articulado. Seria essa a estratégia para desviar o foco? Será que menosprezamos a inteligência do presidente?

Júlio Nunes

 São Caetano

Processos

 Dia 14 de novembro de 2018 o ministro Gilmar Mendes suspendeu processos das cadernetas de poupança por dois anos, forçando poupadores a aceitarem acordo proposto pelos banqueiros, com aval do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor). Agora, eis que esse mesmo ministro, dia 27 de junho último, suspendeu os processos trabalhistas que estavam no TST (Tribunal Superior do Trabalho) em votação para correção dos depósitos judiciais pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), já que as correções atuais são feitas pela TR (Taxa Referencial), que é zero. Antes favoreceu os banqueiros, agora, à maioria de empresários, que acumulam grande volume de depósitos judiciais trabalhistas, portanto, com correção zero pela TR. É esta a democracia, na qual um ministro suspende processos judiciais importantes com decisões monocráticas nas barbas dos demais magistrados? Dias Toffoli, suspenda essa liminar antes de setembro, quando passará a presidência do STF (Supremo Tribunal Federal) para o ministro Luiz Fux.

Nelson Sanchez

 Santo André

Não fazem falta 

 Nenhuma novidade o fato de vereadores do Grande ABC tirarem férias em plena pandemia (Política, dia 29). O que esperar desse pessoal? Para colaborar doando parte do salário para ajudar no combate da Covid-19 alguns parlamentares levaram muito tempo para aceitar; outros não quiseram; e outros ainda nem ao menos votaram essa ajuda, empurrando com a barriga. Acham que a população é cega, surda e muda. Parcela considerável até não se preocupa em seguir os trabalhos dos edis, mas outra parcela, também considerável, sabe bem quem são essas ‘raposas’. Demonstram o tempo todo total desprezo pelos eleitores, especialmente os mais necessitados. Mas para aprovar férias foi uma rapidez impressionante. É cada dia mais evidente que é categoria descartável, não serve para quase nada, a não ser votar nome de rua.

Jane Suzana do Prado

 Ribeirão Pires

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