Palavra do Leitor

Pandemia, racismo e guerra


O clima apocalíptico gerado pela pandemia do novo coronavírus impediu a humanidade de dar o devido destaque e reflexões que as celebrações dos 75 anos do fim dos combates contra o nazifascimo suscitariam. É verdade que o tema chega à baila de forma enviesada e apropriado por discursos ideológicos de governos autoritários, em nome de verdade que julgam monopolizar. Mas é igualmente inquestionável que o clima pandêmico acirrou ânimos mundo afora e expôs as desigualdades e o preconceito social.

Até que ponto os movimentos contra o racismo foram potencializados pelo estresse do isolamento físico? Teria o confinamento contribuído para despertar nos indivíduos o desejo de interagir e ocupar espaços públicos como forma de ouvirem e serem ouvidos? É suposto que momentos de ruptura, como os propiciados por guerras e pandemias, podem desencadear transformações nas relações de poder. Esta é discussão atual e que tem levado as pessoas a se questionar se o mundo pós-Covid será melhor ou pior. A última grande crise a atingir o mundo, a Segunda Guerra, pode trazer ingredientes e este debate.

Em época em que segregação racial reinava com naturalidade na sociedade norte-americana, alistamento de negros para as Forças Armadas parecia contrassenso. Como podiam estes homens discriminados em sua pátria serem treinados para lutar pela liberdade em solo europeu? Partiram para a guerra, mas a eles foram destinadas atividades menos nobres como limpeza, auxiliar na cozinha ou para desativar minas.

Até mesmo no navio que transportava as tropas para a Europa, a tripulação de negros e mulatos era obrigada a dormir e fazer suas refeições separadamente. Divisão de infantaria do Exército norte-americano, conhecida como Divisão Búfalo, era composta somente por negros, mas a liderança era exercida exclusivamente por oficiais superiores de cor branca.

Aos jornalistas norte-americanos gerava surpresa a convivência democrática entre brancos e negros na Força Expedicionária Brasileira que lutou ao lado dos Aliados. Embora a segregação racial não tivesse sido componente da tropa brasileira, há registros sobre a determinação do comandante do primeiro escalão da FEB, Zenobio da Costa, no sentido de excluir negros e mulatos do desfile da tropa no Rio, pouco antes de seu embarque para a Itália.

A ordem foi ignorada pelos oficias da FEB e aí estão os registros fotográficos para provar que brasileiros lutaram e saíram vitoriosos no combate contra o nazifascismo, sem distinção de cor. Aos olhos do Tio Sam, o fato era expressão da democracia racial no Brasil. Será?

Cristina Pellegrino Feres é historiadora e pesquisadora sobre a FEB do Leer/USP.


PALAVRA DO LEITOR

Meu amigo
Saudades infindas do meu inesquecível amigo, o historiador e pesquisador Wanderley dos Santos (1951-1995), que foi diretor do arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo e me dava atendimento personalizado quando ia pesquisar sobre meus antepassados, que viveram desde a época da colonização, na Vila de São Bernardo.
João Paulo de Oliveira
Diadema

Brasil melhor
Não peço a volta dos militares, como temem as excelências privilegiadas de Brasília, mas também não quero essa democracia corrupta e injusta que não nos protege, que, ao contrário, nos explora e humilha, obrigando-nos a pagar tantos impostos sem termos retorno, inúmeros e imorais privilégios ao poder público e, mais que isso, consente que bandidos cruéis nos matem sem podermos nos defender. Temos que aceitar tudo e morrer calados? Explodem bancos, atacam delegacias, queimam ônibus, nos assaltam, roubam, sequestram, estupram e matam sem serem devidamente punidos. Leis absurdas os protegem mais que a nós, cidadãos comuns pagadores de impostos. No Brasil de hoje as imoralidades prevalecem sobre a decência e a Justiça. Suplantam o bem promovendo o mal que prolifera no País inteiro.
Nilson Martins Altran
São Caetano

Brasil lá fora
O que me incomoda, aliás, deve incomodar a muitos, é que medíocres burocratas do governo, em todas as esferas, fazem com que a imagem do brasileiro seja denegrida lá fora com a nomeação de péssimos representantes a cargos de evidência. Não há dúvidas de que temos bons nomes, que bem nos representariam. Mas insistimos na teimosia de gestores que indicam, como na nomeação de Weintraub para uma das diretorias do Banco Mundial, que seguiu o rito. Economista, o conheci na condição de estudante de economia. É do tipo do jargão popular ‘late, mas não morde’. Quem errou não foi ele, mas sim quem o nomeou. Mas não acho justo nem respeitoso o que fazem com ele, até porque, nos atinge também, pois estes ataques só fazem piorar nossa imagem, que já é horrível lá fora. Não estou o defendendo. Apenas ressaltando o quanto, e cada vez mais, nossos governantes estão nos prejudicando. Pois eles se refugiam em seus privilégios e mordomias, e não estão nem aí com a imagem do País.
Marcel Martin
Santo André

Bem Barato
Concordo em gênero, número e grau com as declarações de João Ricardo Guimarães Caetano, ex-secretário do governo Luiz Marinho, na excelente reportagem do jornalista Raphael Rocha sobre construção de supermercado do Grupo Bem Barato na região central de São Bernardo, fazendo com que área verde fosse destruída (Política, dia 25). Esse empreendimento pode até ser legal, mas no meu ponto de vista é imoral por faltar com respeito à saúde e ao bem-estar da população adjacente. E o cúmulo é a nota da administração tucana alegar que não encontrou nenhum registro na Secretaria de Obras e Planejamento Estratégico de que a área da antiga Fiação e Tecelagem Tognato fosse destinada à instalação de parque. Será que a administração do PT era tão desorganizada a tal ponto de gestar o bem público apenas por palavras e nada por escrito?
Arlindo Ligeirinho Ribeiro
Diadema

Brasil explorado
Cada dia mais descarada a exploração do território brasileiro. Exploram nosso minério com ouro e até diamantes a preço de terra para serem beneficiados no Exterior e só ficamos com as crateras. E depois nos vendem tudo bem caro, gerando empregos e muita renda em outros países. Levam até nossas pedras brutas, para serem lapidadas ou cortadas no Exterior, e desde o ano do descobrimento fazem isso com tudo que encontram de valor. Em retribuição despejam em nossas terras e alimentos todos agrotóxicos que nenhum país quer ou permite. E para celebrar o fim da soberania brasileira, o Congresso, o Senado e a Presidência, em conluio com empresários, entregam nossa maior e última riqueza, simbolizada nas maiores reservas de água doce do planeta, situadas em nosso território. Infelizmente nunca deixaremos de ser colônia de exploração graças a elite mesquinha e ignorante, que destrói o País e seu povo em troca de algum dinheiro e um pouco de poder. Realmente a crise brasileira sempre foi de caráter.
Daniel Marques
Virginópolis (MG) 

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