Palavra do Leitor

Transporte público: agora e pós-pandemia


A crise gerada pela pandemia da Covid-19 atingiu o mundo profundamente. Aponta-se queda do PIB (Produto Interno Bruto) entre 5% e mais de 10% entre 2020 e 2021, a depender do tempo de isolamento e de recuperação da economia.

O governo procura diminuir a recessão por meio de políticas horizontais, como o aumento da liquidez para empréstimos, a MP (Medida Provisória) 936, que procura proteger o emprego, a lei de auxílio emergencial para os informais, e outros.

Políticas verticais também são previstas. Noticia-se socorro às empresas aéreas, de energia e de inúmeros outros setores, inclusive de transporte público. A escolha centra-se, pode-se dizer, em três questões: 1 – quais as atividades que devem ser preservadas; 2 – qual a necessidade de recursos, e 3 – quais serão as necessidades no pós-pandemia.

A crise denota ainda mais a essencialidade de certas atividades. Transporte público é uma delas. É serviço de prestação obrigatória pelo Estado diretamente ou por terceiros, e se por terceiros, devem ser dadas as condições de não serem levados à bancarrota, se necessário for por meio de subvenção. Primeiro deve-se atender às necessidades de curto prazo.

É preciso fechar o caixa, obter recursos para arcar com custos de combustível, mão de obra, peças de reposição e administração. Se a arrecadação da tarifa não for suficiente, impõe-se subvenção.

No médio prazo deve-se observar os custos econômicos do setor, acrescendo os de amortização e a remuneração do capital empregado para viabilizar o pagamento do financiamento tomado para a compra de veículos, e aquele necessário para pagar os tributos diferidos na época da pandemia.

Alguns socorreram as operadoras adquirindo antecipadamente passes e vale-transporte, mecanismo que permite fechar o caixa, mas impõe passivo futuro. Outros optaram pela subvenção econômica ou tarifária, mecanismos mais ‘limpos’, na medida em que não geram passivos.

No longo prazo também há desafios. O pós-pandemia reclamará readequações operacionais e econômicas, com segurança jurídica.

Prevê-se queda duradoura de demanda e a necessidade de maior oferta decorrente do distanciamento dos usuários para reduzir o risco de contágio. As operações deverão se manter deficitárias e será necessário retomar o debate sobre a funcionalidade do setor. Ou serão, por exemplo, destinados investimentos para a melhoria da produtividade dos serviços e condições de fluidez, ou permanecerá, e agravada, a necessidade de subvenção com recursos públicos.

Sem debates e providências vislumbramos mundo pós-pandemia parecido com o pós-guerra. Com escombros que ilustrarão o que fomos no passado, mas deixamos acontecer no presente, sem compreender as sequelas que a crise deixaria para o futuro.

Fernando Leme Fleury é economista, mestre e doutor pela FEA-USP. José Ricardo Biazzo Simon é advogado e mestre em direito público pela PUC-SP. Rodrigo Eduardo Dias Verrone é engenheiro pela Poli-USP e mestre em engenharia pela Unicamp.


PALAVRA DO LEITOR

Edição 18.000 – 1
‘Diário circula 18.000ª edição impressa, feito entre jornais regionais’ (Setecidades, dia 7). Foi com grande alegria que li esta reportagem e aproveito minha felicidade, primeiro para parabenizar este excelente veículo de comunicação. Sua cobertura regional, e até nacional, deixa o leitor do Grande ABC informado do que é realmente importante. Depois, como jornalista, queria agradecer a este Diário por manter a qualidade de suas edições mesmo em tempos de pandemia e os empregos dos colegas jornalistas, diagramadores, fotógrafos, editores e muitos outros. Meus sinceros agradecimentos e meus efusivos parabéns.
Wilson de Sá, assessor de comunicação da Câmara Municipal de Diadema

Edição 18.000 – 2
Muito oportuna e circunstanciada a reportagem do jornalista Nilton Valentim neste prestigioso Diário, que, além de enaltecer a 18.000ª edição impressa, informa das medidas virtuais tomadas para o acesso gratuito de leitores, que é forma incisiva de combater as nefastas notícias falsas. Também sou leitor da dona Folha, mas leio primeiro a edição deste filho do News Seller. Desejo muito vigor aos valorosos profissionais, que permitem aos ‘diarionetes’ estarem bem informados dos acontecimentos regionais, nacionais e mundiais.
João Paulo de Oliveira
Diadema

Edição 18.000 – 3
Recebo diariamente em minha residência este querido Diário. Domingo fiquei surpreso ao constatar que tinha em mãos precioso e histórico exemplar que fazia parte da tiragem comemorativa à 18.000ª edição impressa. Tomo a liberdade para usar as palavras do respeitável líder da Igreja Católica no Grande ABC, dom Pedro Carlos Cipollini, quando ressaltou a bravura do jornal, calcada em responsabilidade, coragem e inteligência, para definir meu pensamento e minha homenagem a esse feito. E faço com grande júbilo, já que tive a honra de ter participado da equipe de profissionais responsáveis pelas suas edições diárias. E gostaria também de prestar minha solidariedade à família Dotto, que teve a ousadia e a coragem de fazer surgir este nosso Diário, através da fundação do News Seller, naquele memorável dia 11 de maio de 1958. Hoje, decorridas quase 20 mil edições, este periódico não é sonho. É realidade, para a alegria de seus milhares de leitores e, principalmente, pela corajosa equipe de profissionais que, com forças braçais e intelectuais, faz com que o jornal continue e, com certeza, continuará sendo um dos melhores informativos da região, noticiando, informando e até mesmo criticando, custe o que custar, doa a quem doer.
Arlindo Ligeirinho Ribeiro
Diadema

Manipulação
Não bastasse a decepção de termos presidente que não governa, apenas promove crises e enlameia a imagem do Brasil no Exterior em meio a esta pandemia, Bolsonaro ainda tem o desplante de montar ministério da Saúde acéfalo sobre conhecimento da área. Ou seja, sem médicos, nada informa. E, entre outros absurdos, como de até ameaçar recontar o número de óbitos, agora também manipula números de mortes. Crime! É mais uma prova de que temos governo em decomposição, que só acumula indignação e prejuízos inestimáveis à Nação!
Paulo Panossian
São Carlos (SP)

Esquecida
Outrora rico e respeitado, o Grande ABC anda continuamente sendo passado para trás pelos governantes do Estado. Somos lembrados pelas autoridades estaduais apenas em anos eleitorais, com promessas de realizações e obras que possam beneficiar a região. Desde 2011, a Linha Turquesa da CTPM deixou de ir até a Estação Luz, obrigando usuários da região a fazer baldeação no Brás. A medida, que na época foi dada como provisória, continua até hoje e provavelmente não será revertida. O Metrô, prometido pelas gestões Serra, Alckmin e na campanha de Doria, e heroicamente defendido por este Diário, teve o projeto enterrado por este governo, e transformado em BRT (ônibus de transporte rápido), que não acredito que saia do papel. Agora temos a construção do Piscinão Jaboticabal, na divisa com São Paulo, que poderia diminuir o transtorno das enchentes na região, adiada para não se sabe quando, provavelmente estará nas promessas da próxima eleição. Espero que os políticos que se elegerem para o próximo mandato olhem para a região com pouco mais de carinho.
Clovis Boaro
Santo André 

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