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Enem recheado de preocupação


O calendário escolar deste ano foi alterado com o impacto da pandemia da Covid-19 no Brasil e no mundo. Com o isolamento físico sendo recomendado como principal medida para evitar a proliferação da doença, aulas foram suspensas, férias tiveram que ser adiantadas, cronogramas de matérias acabaram modificados e ações a distância entre escolas e alunos estão sendo tomadas. O caos estudantil afeta crianças, jovens e adultos, com os que estão à beira de encerrar a etapa do colégio tendo temporada bem tumultuada em meio à preparação para chances no ensino superior.

As atenções estão voltadas para resultados dentro do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), com sua nota servindo de apoio em disputa por vagas em universidades federais, faculdades privadas e seleção dentro de programas do governo federal. Em meio a esse caos estudantil motivado por ações contra o novo coronavírus, há discussões sobre como o desempenho dos estudantes pode ser influenciado.

“Comecei (o ano) fazendo um plano de estudo para conciliar a escola e o cursinho e segui esse cronograma para não me perder”, diz Heloísa Rodrigues de Sousa, 17 anos, de Mauá, que tenta seguir a rotina. “(A aula a distância) Não é a mesma coisa de uma aula presencial. Não consigo tirar dúvidas, corrigir os exercícios nem prestar tanto atenção assim nas aulas on-line. Acredito que vai, sim, me afetar em alguns pontos, como nas matérias que eu tenho muitas dúvidas, e nos exames de vestibulares que estão por vir.”

O MEC (Ministério da Educação) confirma que as datas do Enem presencial permanecem em 1° e 8 de novembro. A única alteração ficou por conta dos dias da inédita versão digital (mas com o aluno tendo que ir até um local para acessar o computador disponibilizado), que passou de 11 e 18 de outubro para 22 e 29 de novembro. O candidato deve escolher qual das duas modalidades prefere fazer. 

Entidades estudantis nacionais pedem que o cronograma seja adiado, citando que é necessário maior “sensibilidade para o momento em que vivemos”. “Diferentemente do que diz o ministro (Abraham Weintraub), é absurdo pensar que os estudantes estão em igualdade de condições nesta situação, e que atividades a distância poderiam solucionar o problema da suspensão das aulas”, diz trecho do texto em conjunto entre a UNE (União Nacional dos Estudantes) e Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas). Até mesmo dois senadores já apresentaram projetos de lei que podem suspender o exame nacional para prorrogar o calendário.

Segundo Maiara Rodrigues, 17, as alterações no formato das aulas a desanimaram bastante a estudar ‘sozinha’ e ela tem se esforçado mais do que normalmente para tentar evitar ficar defasada. “Acredito que seja 50% justo e 50% injusto (os resultados que virão do Enem 2020). São diversos fatores a serem analisados, pois, de certa forma, quem conseguir um resultado bom vai ser resultado de seu próprio esforço”, diz a mauaense.

A possibilidade de o Enem deste ano ser adiado é vista com bons olhos pela adolescente, que irá prestar a prova. “De certa forma, o calendário escolar já terá se cumprido. Então, esse adiamento pode ajudar os estudantes.” 

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