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Expectativa e curiosidade sobre um remake


Em meio a possibilidades praticamente infinitas de ideias que podem tomar forma com a ajuda da tecnologia, um grande ‘filão’ dentro do mundo dos games tem olhado para o passado. A ideia é resgatar jogos que fizeram sucesso ou que marcaram época há anos e tentar trazê-los para o mercado atual no formato de remakes. Tradução livre do inglês para o português diz que a palavra significa refazer, sendo que o termo, dentro do universo do entretenimento, tenta ir além do que simplesmente remontar algo já realizado. Brincar com lembranças e com as expectativas do público faz parte dos desafios desses títulos.

“Uma das coisas que mais vendem hoje em dia é a nostalgia. Retrabalhar um jogo e trazer a experiência que ele entregou de volta, além de atender os jogadores que já são fãs de determinado game, também acabam atingindo uma nova legião de jogadores”, analisa Ariel Souza, cofundador e editor do site Combo Infinito (www.comboinfinito.com.br), especializado em games e cultura pop em geral, que ressalta Resident Evil 2 (original de 1998 e com relançamento especial em 2019) como um marco. “Há jogadores que são muito fãs da obra original e não gostariam que mexessem com seus jogos favoritos. Mas, ao mesmo tempo, se virem que a nova versão respeita o título original, tudo acaba andando para o lado do sucesso. Ainda que RE2 Remake tenha errado na hora de contar a história, ele se tornou a grande referência de remakes, pois trouxe basicamente o jogo original, seus principais momentos e grandes mudanças que tornam o produto uma novidade como um todo para quem nunca jogou e para quem já havia jogado.”

O tema ganha força neste mês com dois jogos muito esperados. As remontagens de Resident Evil 3, de 1999 e com versões para PlayStation 4 (R$ 249,90, em média), Xbox One (R$ 249,90, em média) e PC (R$ 129,99, em média), e de Final Fantasy VII, de 1997 e exclusivo do PlayStation 4 (R$ 249,90, em média), chegaram ao mercado nas duas últimas semanas entre empolgação, desconfiança e, claro, muita curiosidade do público. Segundo Souza, “no caso de RE3, a recepção foi bem dividida. Muitos criticaram o game por seu tamanho, enquanto outros gostaram do que viram. Já Final Fantasy VII se saiu muito bem. Embora o jogo seja dividido em episódios, a Square Enix conseguiu capturar a essência da obra original e ampliar em diversos aspectos. Vejo que FFVII vai marcar mais que RE3”.

É difícil apontar o caminho correto para repaginar um clássico de maneira satisfatória. Além da parte básica de melhorar os gráficos para o potencial atual, reforçar momentos marcantes e apresentar mecânicas evoluídas devem estar no pacote. Entre bons exemplos estão Ratchet & Clank e a remodelagem da franquia Yakuza. Desenvolver algo simplesmente por fazer e chamar a atenção dos fãs, como em GoldenEye 007 Reloaded e Conker: Live & Reloaded, parece apenas uma maneira de ir atrás do dinheiro dos gamers.

Com tantas histórias virtuais a serem contadas e exploradas pelas novas tecnologias, rever títulos antigos com outros olhos pode dividir opiniões. “A empresa pode acabar deixando de criar algo novo, o que realmente é um problema em muitos projetos. Mas se entregar uma experiência que valha a pena e que, muitas vezes, pode ser única, acaba fazendo do remake um projeto ainda mais ambicioso que um game totalmente original”, comenta o especialista, citando que Dino Crisis é um dos jogos que encabeçam o desejo do público para ser refeito. 

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