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Para ver e explorar vídeos


Compartilhar detalhes do cotidiano ou participação em algum ‘rolê’ que pareça interessante o bastante para render uma postagem parece não ser o bastante. Preparar vídeos curtos com dublagens, coreografias e brincadeiras com edição rápida tem lotado as redes sociais, com um aplicativo em especial despontando entre a preferências dos adolescentes. O TikTok ganhou força no universo on-line nos últimos dois anos e a atual temporada não demonstra que seu apelo deva abaixar em futuro próximo, ainda mais com a recomendação do isolamento social contra a proliferação da Covid-19 aproximando o público da internet e aumentando o tempo conectado atrás do que acontece nos feeds.

Ele existe em seu formato atual desde 2017, tendo origem chinesa. A ideia é apostar na criatividade para chamar a atenção e aproveitar os recursos disponibilizados, seja trechos de músicas, diferentes velocidades de gravação, filtros variados e efeitos nada convencionais. Tudo deve ser misturado ao longo de 15 ou 60 segundos, tempo o bastante para gerar memes e estourar canções, caso de Old Town Road, do norte-americano Lil Nas X. Uma das principais atrações são as dancinhas, feitas em espaço diminuto o bastante para caber em uma tela vertical e com Luara Fonseca, 15 anos, de Santos, entre as expoentes estrelas brasileiras.

“Às vezes alguém posta um vídeo fazendo desenho de uma pessoa ou simplesmente pintando algo. Também curto ver as danças, que vira e mexe viralizam. Gosto de postar justamente as dancinhas, que eu tenho mais afinidade para fazer ou aqueles mais engraçados, quando pegam parte aleatória de uma música e tentam colocar em situações do dia a dia”, conta Júlia Machado Dias Paschoal, 16 anos, de Santo André.

A quarentena contra o novo coronavírus tem feito a estudante ampliar seu contato com a internet e, consequentemente, com o TikTok. Mesmo com as tarefas da escola e os deveres em casa, confessa que ainda sobra muito tempo livre. “Durante as aulas não tinha como acompanhar tudo, ver as novidades e postar meus vídeos. Tenho morado dentro do aplicativo de tantas coisas que assisto. Isso me deixa mais próxima do conteúdo que sigo e me ajuda a relaxar.”

Levantamento da Sensor Tower, plataforma analítica sobre mercado móvel, mostra que o TikTok esteve no topo de apps baixados em celulares com os sistemas Android (Google) e iOS (Apple) durante o mês de fevereiro, somando 113 milhões de procuras internacionais. O Brasil representa 8,6% do total de instalações, ficando atrás somente da Índia (41,3%). No fim de 2019, bateu a marca de 1,5 bilhão de downloads, somando atividades na App Store e na Google Play Store, e sua avaliação financeira no mundo dos negócios cibernéticos chegou a US$ 78 bilhões (cerca de R$ 414 bilhões).

A interação com amigos ajuda a estar por dentro do que movimenta a plataforma. Bruno Israel Alves de Oliveira, 16, sempre recebe compartilhamentos da turma mais próxima e tenta copiar certas postagens. Claro que o aplicativo fica atento a toda essa movimentação. “No For You (aba secundária recheada de recomendações) eles fornecem todo tipo de conteúdo e há muitas opções. Entre elas sempre aparece algo conforme o que você gosta”, diz o andreense. “O TikTok consegue ser diferente pela facilidade de criar conteúdo e enviar vídeos e também consegue ser mais fácil a forma de ver os posts de outras pessoas”, analisa.

Enquanto muitos adultos não começam a explorar o app chinês, os adolescentes podem aproveitar melhor a rede. Há quem consiga acompanhar a dinâmica, mas estar livre dos mais velhos pode ser um atrativo extra. “Eu e acho que a maioria dos adolescentes não temos interesse nesse universo e nesse humor (adulto). Querendo ou não, os jovens não se sentem tão confortáveis quando familiares e conhecidos mais velhos começam a segui-los na internet. Agora, o TikTok te deixa livre para postar qualquer bobagem divertida”, comenta Júlia. 

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