Confidencial

Diretoria do Santo André marca um gol contra


Já escrevi outras vezes neste espaço que o futuro dos clubes menores passa pela lapidação de novos jogadores. Investir na base, formar e vender é uma das formas mais simples para sustentar financeiramente os pequenos times, que não dispõem de grandes verbas publicitárias, tampouco podem contar com o valor conseguido na bilheteria. Neste assunto, o Santo André marcou gol contra na última semana. Quando eu esperava que o clube pudesse anunciar a conclusão do centro de treinamento que está sendo construído no antigo Clube de Campo do ABC, a agremiação vai na contramão e desistiu formalmente de disputar os campeonatos paulistas sub-15 e sub-17. A categoria de base do Ramalhão será representada apenas pelos times sub-11, sub-13 e sub-20.

A justificativa do presidente Sidney Riqueto é baseada na condição financeira do clube e também na impossibilidade de usar o Estádio Bruno Daniel para as categorias de base. “Além da reformulação que se fazia necessária, não dispúnhamos de campos em Santo André para mandar os jogos. A FPF (Federação Paulista) liberou, com ressalvas, o Bruno Daniel para o sub-20. Estamos aguardando autorização para o sub-11 e o sub-13 jogarem fora do município”, explicou o dirigente. A entidade que comanda o futebol em São Paulo quer evitar o desgaste dos campos e exigiu dos clubes opção para as categorias de base. A diretoria do Ramalhão tentou usar o Campo do Nacional, que pertence à Prefeitura, mas o local não foi aprovado porque não tem AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) nem vestiários em boas condições.

Riquetto também criticou o desempenho das equipes de base na última temporada, deixando claro que isso também pesou na decisão. “Em 2019 não passamos da primeira fase do Campeonato Paulista em nenhuma das categorias. E, pior, não conseguimos formar nenhum atleta de destaque, o que seria muito mais importante. Alguns jogadores do sub-17 vão compor o grupo do sub-20”, adiantou o dirigente.

Independentemente das razões, o corte dos times sub-15 e sub-17 representa retrocesso. Foi um balde de água fria em quem esperava que o R$ 1,19 milhão conquistado ao avançar para a segunda fase da Copa do Brasil pudesse mudar o status da equipe e vislumbrar futuro melhor. A construção do centro de treinamento, aliás, resolveria os dois problemas: elevaria a condição de trabalho e, com isso, traria reflexo na formação dos jogadores. E o Santo André também teria local apropriado para mandar as partidas da base. Mas quem sabe das condições financeiras do clube é a diretoria e, talvez, este não seja o melhor momento para tal investimento. Só espero que o Santo André não desperdice tudo que está vivendo em 2020 e plante agora para que possa colher no futuro.

ACABOU O ENCANTO?
Duas derrotas seguidas, três jogos sem vencer. Essa sequência derrubou a confiança que parte da torcida tinha no Santo André. Precipitado, eu diria. Oscilação é mais do que natural diante do alto nível técnico do Campeonato Paulista. Anormal era justamente a sequência que o Ramalhão havia conquistado, com seis vitórias em sete partidas.

São vários os motivos que levaram à queda de rendimento. Os adversários já sabem como joga o Ramalhão. Além disso a bola parou de entrar. Se antes o time criava duas chances e fazia um gol, agora tem muita dificuldade para colocar na rede. Contra o Oeste, por exemplo, foram três ótimas oportunidades para marcar, mas pela segunda vez consecutiva o time deixou a partida em branco.

O grande problema da equipe tem um nome: Dudu Vieira. O volante vinha sendo o grande destaque da equipe, com infiltrações em velocidade e aparecendo como homem surpresa no ataque, tanto que até marcou um gol contra o São Paulo. Não sei o que houve, mas ele caiu de rendimento. Consequentemente, o time andreense ficou previsível.

O técnico Paulo Roberto terá muito trabalho para recolocar a equipe nos trilhos, principalmente porque junto com o bom futebol vai embora também a confiança. Mesmo assim, a situação (ainda) é bastante confortável na luta por vaga na Série D do Campeonato Brasileiro. É preciso calma para se reinventar e voltar a vencer.

DESPEDIDA
Hoje será a última vez que farei uso deste espaço. A partir desta semana passo a integrar o time do caderno Setecidades e vou colaborar de outras formas com o jornal. Fica meu agradecimento aos leitores pelas boas prosas que trocamos depois de cada coluna. Vou sentir saudades.

Mas, como não podia deixar de ser, vou me despedir com os palpites que acabaram sendo marca registrada da minha coluna. Vamos aos chutes desta semana. Libertadores: Palmeiras 2 x 0 Guaraní (Paraguai), São Paulo 0 x 0 LDU (Equador) e Santos 2 x 0 Delfín (Equador). Paulistão: Red Bull Bragantino 2 x 0 Água Santa, Inter de Limeira 0 x 2 Palmeiras, São Paulo 1 x 1 Santos, Mirassol 0 x 0 Santo André e Corinthians 1 x 1 Ituano. Série A-2: São Bernardo FC 2 x 1 Monte Azul e Portuguesa Santista 2 x 0 São Caetano. Série A-3: Velo Clube 1 x 1 EC São Bernardo. 

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