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Inadmissível para um estádio de R$ 1,08 bi


A Arena Corinthians foi o segundo estádio mais caro dos 12 construídos para a Copa do Mundo de 2014, disputada no Brasil (ô, saudade!). Foi gasto impressionante R$ 1,080 bilhão, sendo R$ 400 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), atrás somente do Mané Garrincha, em Brasília, que custou R$ 1,403 bilhão. Orgulho dos corintianos, a praça esportiva ostenta mármores, granitos, escadas rolantes, arquibancadas cobertas, camarotes luxuosos, áreas de convivência imponentes, memorial, auditório e muitas outros motivos que tornam-na uma das melhores do País. Pelo menos fora das quatro linhas. Porque dentro delas... As cenas da água empoçada em diversos pontos do gramado durante o jogo entre Corinthians x Santo André, na noite de quarta-feira, são dignas de revolta, se tratando de – reitero – um estádio que sediou partidas de Copa do Mundo e Olimpíada, além de muitos outros eventos. O sistema de drenagem falho atrapalhou demais o andamento do confronto, amarrando os contra-ataques do Ramalhão, que vencia por 1 a 0 quando o equipamento não deu conta de escoar a água, e impedindo o toque de bola corintiano, que só conseguiu empatar nos acréscimos do segundo tempo, em lance de bola aérea.

Para piorar, o Corinthians se eximiu de culpa e transferiu qualquer responsabilidade para a administradora do gramado – o qual intitula “o melhor do Brasil” – e até mesmo para São Pedro! Segundo nota emitida pelo clube, os temporais que castigaram a Capital tanto antes quanto no momento do jogo foram causadores do transtorno. Veja: “Desde a construção da Arena, a manutenção de seu gramado vem sendo feita pela empresa que o construiu para abertura da Copa do Mundo, a World Sports. A manutenção e a forma de preservá-lo, como o melhor gramado do Brasil, vêm sendo mantidas desde então. Tendo isto em vista, a Arena Corinthians e a World Sports, em conjunto, informam que o volume de chuva dos últimos dias na cidade, principalmente o ocorrido durante o jogo, foi o responsável pela efetivação mais lenta da drenagem na partida da noite desta quarta (26)”, divulgou o Timão em seu site oficial. Lamentável, para dizer o mínimo. O clube deveria ter pelo menos pontuado que vai buscar entender o que houve, prometido melhorias, seja lá o que for. Mas se esquivar é lastimável.

O problema surpreendeu até quem está acostumado a jogar ali. “Encharcou muito rápido. Nunca vi acontecer com nosso gramado. Já tiveram chuvas piores e não aconteceu nada. Tivemos que passar por cima. Mudamos o estilo de jogo”, admitiu o zagueiro Pedro Henrique. “Foi a primeira vez que viram o gramado nesse estado. Ficou impraticável, tivemos que mudar tudo”, pontuou o técnico Tiago Nunes.

Não sou profundo conhecedor de sistemas de drenagem, estou bem longe disso, mas em 12 anos de coberturas de jogos já presenciei chuvas tão ou mais fortes do que a da noite de quarta-feira e já vi campos resistindo muito mais às ações da água. E nem preciso ir longe. O 1º de Maio, em São Bernardo, depois da última grande reforma em seu sistema de escoamento de água, por exemplo, foi colocado à prova algumas vezes e aprovado com sucesso. E, à época, o gramado era administrado pela mesma empresa da Arena de Itaquera. Hoje em dia, já não está mais tão bom, mas em passado bastante recente, na Copa São Paulo de Futebol Júnior, o campo foi muito exigido por temporais e deu conta do recado.

E SE FOSSE DO OUTRO LADO?
Ainda sobre Corinthians x Santo André, acredito que tenha faltado pulso ao árbitro Salim Fende Chavez, que muitas vezes tentou se impor na base do grito, mas, em dois lances, adotou postura mais cômoda. Os carrinhos aplicados por Fagner sobre Marlon e Yony González sobre Luizão eram para cartão vermelho direto! Mas ambos foram punidos apenas com amarelo. Sobretudo a entrada do lateral-direito, que é recorrentemente violento, mas parece receber vista grossa dos árbitros. Situações que mudam o destino de um jogo. Queria ver se os mesmos carrinhos tivessem sido aplicados por ramalhinos sobre corintianos. O critério seria o mesmo? 

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