Memória

O lado mocinho de João Ramalho


Santo André e Vouzela, terra portuguesa onde nasceu João Ramalho, foram declaradas cidades-irmãs pela lei número 8.475, de 1º de abril de 2003.

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João Ramalho e Bartira estão ganhando um dia em Santo André: 22 de janeiro. A data escolhida remete ao dia da chegada da esquadra de Martim Afonso de Souza ao Litoral paulista. João Ramalho e sua mulher, Bartira, teriam tido papel preponderante no episódio. A indicação para a criação do Dia Municipal de João Ramalho e Bartira é do vereador Marcos Pinchiari.

PROGRAMAÇÃO

Hoje, dia 21, às 14h30, exposição sobre o tema no Museu de Santo André, a cargo do músico Robson Miguel, da tradutora e intérprete Damiana Rosa de Oliveira e do representante do Instituto do Patrimônio do ABC, Adalberto Dias Almeida.

Para amanhã, que seria o primeiro Dia Municipal de João Ramalho e Bartira, não há nada programado.

DADOS BIOGRÁFICOS

- João Ramalho era filho de João Velho Maldonado e de Catarina Afonso Valdobe. Desconhece-se a data do seu nascimento. Em Portugal casou-se com Catarina Fernandes das Vacas. Ao partir, deixou a mulher grávida.</CW>

- Há uma carta de privilégio, com data de 3 de abril de 1487, que nomeia João Ramalho Cavaleiro do Rei, fidalgo da Casa Real.

- João Ramalho teria se oferecido voluntariamente para fazer parte de uma expedição de conquista de novas terras, em missão autorizada pelo reino de Portugal.

- Supõe-se que João Ramalho teria chegado ao Brasil antes da descoberta oficial, entre 1492 e 1493.

- Ele vive ora no Litoral paulista, ora no planalto, inclusive em terras que hoje formam o Grande ABC. Da sua união com Bartira (filha do cacique Tibiriçá), nasceram 12 filhos.

- De um lado, o casal participa da fundação de Santo André da Borda do Campo e de São Paulo de Piratininga; de outro, João Ramalho é excomungado, acusado de bigamia. Chega a ser expulso de uma missa.

- Bartira falece em 1568, aos 63 anos; João Ramalho, em 1582, deixando um testamento firmado dois anos antes.

NOTA

Memória acolhe as informações repassadas pelo pesquisador Adalberto Dias Almeida. Dois autores são citados: Maria Tereza Ferreira e Costa Tavares, curadora do Museu Municipal de Vouzela; e Alexandre Herculano, português, autor de pesquisas feitas em 1956.

No arrazoado recebido não é citado o livro João Ramalho e Santo André da Borda do Campo, de Affonso de E. Taunay, publicação comemorativa do Quarto Centenário da Vila de Santo André da Borda do Campo (1953), reeditado em 1968, sob os auspícios da municipalidade andreense (governos Fioravante Zampol).

Também não é citado o livro Antecedentes Históricos do ABC Paulista, de Wanderley dos Santos, publicado em 1992 pela Prefeitura de São Bernardo.

Taunay e Wanderley são estudiosos sérios, confiáveis, assim como vários outros, inclusive os ligados ao IHGSP (Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo), que hoje, sob a presidência do professor Jorge Cintra, tem se debruçado sobre o assunto. 

É preciso ser lembrado sempre: não é de hoje que a figura de João Ramalho é estudada. Cada pesquisador, em cada época, errando ou acertando, debruçou-se sobre o tema. Que os esforços dos antepassados não sejam ignorados. 

Apenas a união de todos os estudos realizados (e em realização) poderá oferecer pistas racionais para que a verdade histórica apareça. Ou que as dúvidas se acentuem. Por enquanto, sequer sabemos a data do nascimento de João Ramalho, quem o acompanhou em expedição ao Brasil, nem o local onde morreu e/ou está sepultado.

Temerário garantir que João Ramalho tenha chegado antes do descobrimento oficial do Brasil. 

A maioria dos autores diz que a chegada ocorreu depois de 1500. Neste caso, o rei que o havia homenageado já morrera e não se sabe os reais motivos que teriam influído para que Ramalho deixasse a mulher grávida e embarcasse para as terras de Santa Cruz.

Memória espera que não sejam feitas meras cerimônias laudatórias em torno de uma data escolhida – mais uma data, no caso o 22 de janeiro –, mas que apareçam pesquisas esclarecedoras e documentos primários, novos documentos. 

Não precisamos de heróis e sim da verdade histórica. 


Diário há 30 anos

Domingo, 21 de janeiro de 1990 – Ano 32, edição 7282

Manchete – PT suspende prefeito que chamou PM

A executiva estadual do PT puniu o prefeito de Diadema, José Augusto da Silva Ramos, com suspensão por três meses, de qualquer atividade partidária, por ter chamado a Polícia Militar para desocupar o Buraco do Gazuza, área municipal invadida em agosto de 1989.

Internacional – Comunidade acompanha autonomia da Lituânia. Um grupo de habitantes do Grande ABC acompanha atentamente o que ocorre na União Soviética. São moradores de bairros como o Barcelona, Santa Maria e Jardim.

Entre os moradores, Victor Lukavicius, do Restaurante Vitus: “A Lituânia é um celeiro, mas tudo que há de melhor vai para a Rússia”.

Brasileiro, Victor é filho de imigrantes que chegaram ao Brasil em 1926.

A reportagem é assinada pelo jornalista Valter Venturini, que lembra: a maior comunidade lituana da América Latina localiza-se na Vila Zelina, em São Paulo, na divisa com São Caetano.

Hoje

- Dia Mundial da Religião. Data sugerida em 1949 pela Assembleia Espiritual Nacional da Fé Bahá’i – religião criada no século XIX.

- Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, cf. lei de 27 de dezembro de 2007. 

Santos do dia

- Epifânio de Pavia

Municípios brasileiros

Celebram seus aniversários em 21 de janeiro:

- Em Goiás, Goiatuba

- Em Santa Catarina, Pomerode

- No Rio Grande do Sul, Redentora

- No Rio Grande do Norte, Senador Georgino Avelino

- Na Paraíba, Serra da Raiz

- No Paraná, Sulina

Fonte:IBGE.

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