Confidencial

Noite de gala para a AD São Caetano


“O Paulinho Kobayashi estava na direita. Ele, muito habilidoso, levou a bola, cruzou, antecipei ao zagueiro e bati de primeira, de pé direito.” Esta é a narração do primeiro gol da história da Associação Desportiva São Caetano, dia 18 de março de 1990, contra o Comercial de Registro, em lembrança do próprio autor do tento, o ex-atacante Taloni. Ontem, ele esteve na Câmara Municipal em noite de gala para o Azulão, que recebeu homenagem em sessão solene para celebrar os 30 anos de história, completados dia 4. E, de quebra, o presidente licenciado Nairo Ferreira de Souza ainda ganhou título de cidadão emérito. “Por causa daquele gol estou hoje (ontem) aqui. Ô gol bendito”, continuou o ex-jogador, que teve de encerrar a carreira precocemente, aos 23 anos, por conta de lesão no joelho direito.

Taloni – que também é autor do segundo gol da história azulina, o qual virou “coadjuvante”, de acordo com ele mesmo – foi por mais de uma vez citado por aqueles que foram à tribuna são-caetanense ontem. E foi uma noite nostálgica, na qual os presentes puderam em pouco mais de uma hora de sessão passear pelas três décadas de história. Desde o início dela, quando o licenciado Saad EC não aceitou agregar São Caetano ao seu nome, migrou para São José dos Campos e abriu espaço para que um grupo de esportistas da cidade, capitaneado por Luiz Tortorello, fundasse o Azulão a partir da fusão da Sociedade Esportiva Recreativa União Jabaquara com o Borda do Campo. Passando pelos momentos áureos como as finais de Brasileiro e Libertadores, além do título do Paulista, até chegar aos dias de hoje.

E uma figura faz parte do dia a dia nestes 30 anos e foi justamente homenageada ontem. Nairo Ferreira de Souza acabou ganhando muitos inimigos nos últimos tempos, nos quais o São Caetano passa a pior fase financeira da história. Ontem, porém, preferiu exaltar os amigos. E não conseguiu conter as lágrimas “A emoção é muito grande. São 30 anos que me dedico a este clube, com muito carinho. Mas nós passamos e o clube fica”, declarou o dirigente, que abriu espaço para seu vice, Roberto Campi, o Bia, assumir o controle do Azulão. Estranhamente, porém, o novo mandatário não esteve ontem na Câmara. E a ausência não foi apenas sentida, como comentada por alguns dos presentes. Não por Nairo, que novamente fez questão de saudar e exaltar o empresário, investidor e parceiro Saul Klein, que também não apareceu ao evento.

Mas, em um momento como este, melhor exaltar quem marcou presença. E faço questão de voltar a Taloni, que, por sua vez, não poupou elogios ao ex-presidente Nairo. “Dedicou a vida dele ao clube. Sei, acompanho, estou sempre lá. Deixou muitas vezes de estar com a família para estar com o São Caetano, tem coração azul”, pontuou.

Há 24 anos, depois que se aposentou, Taloni ingressou em empresa de São Caetano e nunca mais saiu. História similar a que tem com a cidade, onde chegou após deixar o São Paulo FC, em 1990, e segue morando. “Quando fiz o primeiro gol, nunca pensaria que receberia convite 30 anos depois para falar disso. Mas para mim é motivo de orgulho. Eu tinha quatro gols numa só partida (pelo São Caetano, marca depois igualada por Adhemar e Aílton) e outro jogador veio e marcou cinco (Eduardo, contra o São Bernardo FC, em 2011). Mas o primeiro, ninguém vai tirar de mim”, disse. “Hoje sou torcedor de arquibancada e é orgulho acompanhar sempre o clube. Tenho certeza que vai voltar a ser grande”, concluiu.

Outras importantes figuras da história do Azulão foram justamente homenageadas, como os líderes das três maiores torcidas uniformizadas (Comando Azul, Gladiadores e Bengala Azul) e o torcedor símbolo, Nikito. São eles personagens fundamentais para o clube, acompanhando-o onde quer que vá, nos bons e maus momentos. Os chamados “verdadeiros”.<EM><EM>

ANTES TARDE DO QUE NUNCA<EM>
Fiquei sabendo no início da semana que o Santo André quebrou uma barreira de muitos anos e passou a treinar no Jaçatuba, sede social do clube. Os trabalhos em campo reduzido comandados pelo técnico Paulo Roberto Santos – que nesta semana está na Granja Comary, no Rio de Janeiro, em curso na CBF – vêm sendo realizados no poliesportivo e, ao contrário do que temiam os dirigentes até algum tempo atrás, os associados não torceram o nariz. Muito pelo contrário. Elogiaram a proximidade com o time e, na minha opinião, tal ação gera muito mais envolvimento entre as partes. O campo principal do clube, onde é realizado o campeonato interno, passará por reforma para receber o elenco. Para mim, um golaço do Ramalhão. 

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