Desvendando a economia

A deterioração da balança comercial ABC


 Segundo os dados do Ministério da Economia, a balança comercial do Grande ABC no período de janeiro a outubro de 2019 fechou com um deficit de aproximadamente US$ 250 milhões. No mesmo período do ano passado, havia fechado o mês com um superavit de aproximadamente US$ 393 milhões. Ou seja, houve reversão de uma posição superavitária para a formação de um deficit.

Desde o início da crise na Argentina, fim do ano de 2016, o Brasil, em especifico a região, sentiu um grande reflexo da crise, pelo fato de o Grande ABC ser grande exportador no setor automobilístico, sendo a Argentina a nossa maior compradora. No ano que antecedeu o início da crise na Argentina, em 2015, a balança comercial da região em igual período fechou com um superavit de aproximadamente US$ 608 milhões. Neste intervalo, exportamos para a Argentina o total de US$ 1,8 bilhão. Neste ano de 2019, entre janeiro e outubro, exportamos aproximadamente US$ 655 milhões, houve queda de aproximadamente 43% do volume exportado comparado ao ano de 2018.

Apenas entre os anos de 2015 e 2016, ano em que ocorre o agravamento da crise, tivemos queda de aproximadamente 33% no volume das exportações.

É nítida a dependência do Grande ABC com a Argentina, influenciando diretamente na balança comercial da região. Outro fator interessante a ser observado é que apenas o setor de média alta intensidade tecnológica apresentou superavit nas transações comerciais, o que pode ser explicado pela tendência de maior dinamismo do setor, comparativamente aos demais, impulsionado pela capacidade de competição e de geração de valor adicionado. No caso específico do Grande ABC, este está atrelado à dependência dos capitais produtivo e tecnológico externos, vinculados especialmente ao setor de veículos seus componentes. Tal resultado poderia sustentar uma interpretação tanto mais favorável quando menor a dependência produtiva e tecnológica do parque industrial regional.

O que pode sugerir a necessidade de uma política produtiva voltada a estruturar tais condições a longo prazo na estrutura produtiva brasileira, e também regional.

Enquanto não visualizamos iniciativas neste sentido, acompanhando o ritmo da balança comercial decrescente, somado ao fechamento de uma montadora em São Bernardo, não podemos ter grandes expectativas para o último trimestre do ano.

Material produzido por Natasha Jaccoud e Pedro Henrique Gomes do Nascimento, alunos do curso de ciências econômicas da Universidade Metodista de São Paulo.

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