Setecidades

Moradores da favela do Amor protestam após desaparecimento misterioso de adolescente


Atualizada às 17h47

Sob o coro de "queremos o Lucas" e "não acabou, tem que acabar, queremos o fim da Polícia Militar” moradores da favela do Amor, na região da Vila Luzita, em Santo André, protestam contra o desaparecimento misterioso do adolescente Lucas Eduardo Martins dos Santos, 14 anos. O estudante foi visto pela última vez por volta da 1h30 de terça-feira (12) quando saiu da casa de sua tia.

Os manifestantes fecharam por completo, por volta das 16h45, a Avenida São Bernardo do Campo, altura do número 500, e seguiram em passeata em direção ao terminal de ônibus da Vila Luzita em protesto. Duas viaturas da Polícia Militar acompanham o grupo, que seguiu pelo corredor de ônibus da Avenida Capitão Mário Toledo de Camargo até o 6º DP (Vila Mazzei), onde está reunido.

De acordo com boletim de ocorrência registrado ontem (13) no 6º DP (Vila Mazzei), a família deu conta do sumiço do estudante após PMs (Policiais Militares) baterem em sua casa perguntando para sua madrasta quem morava no local e se alguma coisa estava errada. Assim que os agentes deixaram a residência, os familiares saíram a procura do adolescente.

A blusa de moletom usada por ele foi encontrada com um usuário de drogas conhecido na região onde Lucas mora. Questionado pela família, ele indicou que achou a vestimenta atrás da EE Antônio Adib Chamas, no Jardim Cristina, onde posteriormente também foi encontrado o boné usado pelo desaparecido. As duas peças foram entregues formalmente à polícia e passarão por perícia.

Segundo o delegado Márcio Macedo, do 6º DP, assim que a família registrou o boletim de ocorrência, ele realizou diligência nas proximidades da EE Antônio Adib Chamas. "Não foram encontrados vestígios que pudessem ser periciados", esclareceu. O caso foi encaminhado para o setor de homicídios e desaparecidos da seccional andreense, na Vila Metalúrgica.

Ariel de Castro Alves, conselheiro do Condepe (Conselho Estadual de Direitos Humanos) declarou que esse é "mais um caso gravíssimo provavelmente envolvendo policiais militares, conforme os relatos dos familiares e das testemunhas. A PM de São Paulo e o Governo do Estado devem respostas à sociedade sobre o paradeiro do menino Lucas imediatamente. Novamente a imagem da PM está sendo manchada, gerando mais descrédito para a instituição. A PM deveria ser a maior interessada em solucionar rapidamente este caso de possível desaparecimento forçado", declarou.

A ouvidoria de polícia também está acompanhando o caso e informou que um procedimento para investigação do paradeiro de Lucas já foi instaurado.

O conselheiro executivo da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Santo André, Helton Fesan esteve presente no protesto. Segundo ele, o primeiro passo da instituição é prestar auxílio jurídico à família para dar lisura ao inquérito. Em seguida eles também irão acompanhar as investigações. “Queremos respostas. Toda madrugada some um e não vamos nos calar. Não queremos nossos filhos mortos. Vamos cobrar repostas, a lei deve valer para todos e não vamos recuar. Não acusamos ninguém. A cobrança é pela investigação", declarou.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que todas as circunstâncias relativas ao fato são apuradas por meio de inquérito instaurado pelo Setor de Desaparecimento do SHPP da Polícia Civil de Santo André."As equipes da unidade policial realizam diligências para localizar o jovem. A Polícia Militar também instaurou um procedimento para apurar o caso e, preventivamente, afastou do serviço operacional dois agentes que foram apontados por testemunhas como supostos participantes da abordagem no Jardim Santa Catarina", finalizou.
 (Com informações de Flavia Kurotori)

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