Política

Justiça Federal manda soltar ex-presidente Lula


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou nesta sexta-feira a carceragem da PF (Polícia Federal), em Curitiba, após 580 dias de cumprimento de pena e, em discurso do lado de fora, agradeceu aos militantes da vigília em frente à cadeia e criticou o que denominou de “lado podre” da Justiça. Com a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que barrou no dia anterior prisão em segunda instância, o líder petista obteve alvará de soltura no fim da tarde, saindo do local por volta das 17h40, mas resolveu pernoitar na capital paranaense. Em sua fala, antecipou que fará espécie de comício neste sábado no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo – o ato começa às 10h.

Lula estava preso havia um ano e sete meses no âmbito da Operação Lava Jato, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, dentro do processo do triplex do Guarujá, no Litoral de São Paulo. O ex-presidente foi condenado em três instâncias a oito anos, dez meses e 20 dias, mas ainda conta com recursos no STF. Diante de pedido da defesa, o juiz Danilo Pereira Júnior, titular da 12ª Vara Federal, autorizou que o petista recorra em liberdade. “Observa-se que a presente execução iniciou-se exclusivamente em virtude da confirmação da sentença condenatória em segundo grau, não existindo qualquer outro fundamento fático para o início do cumprimento das penas”, diz trecho do despacho.

Ao deixar a carceragem da PF, Lula falou que a vigília montada em frente ao local “era alimento da democracia que precisava para resistir à canalhice do lado podre do Estado brasileiro, da Justiça, do Ministério Público, da Polícia Federal e da Receita, que trabalharam para criminalizar a esquerda e o PT”. O líder petista voltou a condenar a postura do procurador e coordenador da Lava Jato Deltan Dallagnol e do ex-juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça do presidente Jair Bolsonaro (PSL), além de entrar no mérito da política, frisando ter vontade de provar que o País pode ser muito melhor na hora em que um governo não minta tanto quanto Bolsonaro no Twitter.

Na sequência, ele apresentou a namorada, Rosângela da Silva, citando relação iniciada já detido, e adiantou que, depois de retorno para São Paulo, as portas do Brasil estarão abertas para que ele possa percorrer em caravana.

Durante o período de detenção, Lula saiu da sede da PF em apenas duas oportunidades. A primeira para comparecer a interrogatório no caso do sítio de Atibaia, em novembro de 2018, e ao enterro do neto Arthur Araújo Lula da Silva, 7 anos, em São Bernardo, em março. Na ocasião da morte do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, 79 anos, ele teve a liberação apenas perto do horário do sepultamento, o que inviabilizou a ida. Apesar da soltura, ele continua inelegível, enquadrado na Lei da Ficha Limpa por ter sido condenado por órgão colegiado.

Presidente estadual do PT e ex-prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho reiterou tese de que a prisão de Lula serviu para evitar resultado eleitoral favorável ao correligionário, porém, sustentou que a bandeira do movimento Lula Livre significa busca pela inocência do ex-presidente, o que ainda não se fundamentou no caso. “Não é simplesmente pela liberdade. Vamos dar continuidade e exigir punição dos responsáveis que cometeram essa irresponsabilidade. Isso (soltura) vai ajudar e colaborará para que ele resgate os plenos direitos políticos e o povo possa resgatar a esperança.”

Embora a decisão do STF tenha exercido maior repercussão sobre Lula, a votação de quinta beneficiou ainda outras figuras do meio político, como ex-ministro José Dirceu, detido na esteira da Lava Jato e que estava preso no complexo médico-penal de Pinhais, no Paraná, e o ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo, condenado no Mensalão tucano.
(colaboraram Júnior Carvalho e  Daniel Tossato)

Comentários


Veja Também


Justiça Federal manda soltar ex-presidente Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou nesta sexta-feira a carceragem da PF (Polícia Federal), em Curitiba, após 580 dias de cumprimento de pena e, em discurso do lado de fora, agradeceu aos militantes da vigília em frente à cadeia e criticou o que denominou de “lado podre” da Just...

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:
Voltar