Palavra do Leitor

Quando os filhos abandonam os pais


A população está envelhecendo e não chegamos a essa conclusão apenas por causa de informações veiculadas na mídia sobre andamento da reforma do sistema previdenciário. Se pararmos em estação de Metrô, em praça de alimentação de qualquer shopping center, perceberemos que há mais idosos caminhando pelos corredores do que crianças correndo nos espaços. Algumas enfermidades acometem exclusivamente a faixa etária dos que possuem mais de 60 anos e é devido a esse aumento da população da terceira idade que se começou a perceber que idosos possuem necessidades especiais, como receber auxílio-material por determinado tempo a fim de que possam manter condições básicas para subsistência.

O legislador constituinte, ao perceber tais necessidades, determinou nos artigos 229 e 230 da Constituição Federal que cabe aos filhos, à família, além da sociedade, do Estado, de modo subsidiário, a obrigação de proporcionar o melhor ambiente para que o idoso possa desenvolver-se, participar da sociedade em que pertence e viver de forma digna, como previsto no artigo 1º da Carta Magna. Acontece que, nem sempre, toda a entidade familiar e o meio social que o idoso participa verdadeiramente promovem esse auxílio, que não se restringe ao campo material. O idoso possui sentimentos, estado emocional que depende da manifestação de carinho, afeto e cuidado. É essa falta de cuidado afetivo do idoso que causa agravamento das doenças que já possui, tais como demência e quadros depressivos.

Não são raros os casos em que vistorias feitas por órgãos fiscalizadores, tais como secretarias de assistência social e promotorias de Justiça especializadas, encontram idosos internados em clínicas médicas nas mais degradantes condições, sem poder usufruir dos benefícios previdenciários de que são titulares, por conta da ação danosa de estelionatários, e sem receber a visita de um único parente. Seria um tanto incoerente pensar que aquele que auxiliou tantos quando possuía alguns anos a menos, hoje, estar em situação de abandono, tendo que se sujeitar a continuar no mercado de trabalho para complementar a renda fornecida pelo benefício previdenciário. Não se pode esquecer que os jovens e os adultos de hoje, daqui a alguns anos, caso não ocorra nenhum outro grave contratempo, estarão em situação de maior vulnerabilidade e precisarão ser amparados pelos mais novos.

O idoso merece todo o respeito e auxílio que a família, a sociedade e o Estado podem fornecer, não apenas pelo que ainda pode fazer, visto o crescente número de idosos considerados pessoas economicamente ativas, mas por tudo aquilo que já fizeram e contribuíram para o avanço da sociedade.

Natalia Bacaro Coelho é advogada do escritório Cerveira, Bloch, Goettems, Hansen e Longo Advogados Associados.

Motoqueiros

Deixando outras de lado, cito apenas as empresas que administram a entrega de refeição utilizando-se de motoqueiros. Como é feita a seleção dessas pessoas? Qual é o critério? Que grau de responsabilidade e comprometimento elas têm com essas pessoas? Porque o que se vê nas nas ruas é absurdo. Não respeitam nada, fazem o que bem entendem em nome da pressa. Em caso de acidente, a empresa responde pelas imprudências cometidas? Afinal, é o nome da companhia estampado nas caixas das motos que circula pelas ruas.

Nelson Mendes

São Bernardo

Português

Boa dica para quem vai fazer a prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), nos dias 3 e 10 de novembro, é não se espelhar no ministro do Educação, Abraham Weintraub, mestre em escorregar no português. Uma vez ele escreveu paralização (com ‘Z’, quando o correto é com ‘S’); em outras escreveu má fé, bem vindo e pós graduação sem hífen (má-fé, bem-vindo e pós-graduação). Além disso, ele não sabe usar crase nem pontuação. Mas o pior foi quando disse ‘haviam emendas parlamentares de R$ 55 milhões para recuperar o museu’, erro de concordância verbal grotesco, já que o correto seria ‘havia’, pois o verbo haver no sentido de existir é impessoal e só se conjuga na terceira pessoa do singular. Demonstrar domínio da norma culta da língua portuguesa deveria ser umas das competências da função, mas esse ministro de Bolsonaro é piada, assim como toda sua equipe.

Isaura Feleguer

Ribeirão Pires

Água Santa

O Água Santa, de Diadema, finalmente foi oficializado na elite do Campeonato Paulista pela Federação Paulista (Esportes, dia 16)! Agora tem de se reforçar de verdade, com atletas que venham para resolver e não para ficarem na reserva. Chega de cabeça de bagre, jogador sem compromisso com o clube, ‘chinelinho’, até para não repetir a mesma vergonha da Copa Paulista, em que foi eliminado mesmo após contratar quase todo elenco do Santo André campeão da Série A-2. O Ramalhão, no entanto, quase sem time e com jovens jogadores, se classificou. Ficou feio. Já passou da hora de um clube do Grande ABC voltar a figurar nos primeiros lugares do Campeonato Paulista.

Armando Silva Lopes

Diadema

13º do Bolsa

O governo de Jair Bolsonaro divulgou semana passada, com pompa e circunstância, em cerimônia no Palácio do Planalto, o pagamento do 13º salário do programa Bolsa Família. O anúncio dizia que esse benefício seria anual. No entanto, não há no texto da MP (Medida Provisória) nenhuma referência de que haverá em outros anos. Ou seja, é só para este ano. Mais uma mentira deste governo, especialista nessa prática. Foi só um ‘cala a boca’ na população, já que sua popularidade cai a cada dia e mais e mais pessoas se mostram arrependidas de terem votado no ‘biroliro’. O ministro da Cidadania, Osmar Terra, ainda tentou continuar com a mentira, ao afirmar que a ‘partir do ano que vem na previsão do Orçamento já vai estar colocada essa questão’. Mas o valor previsto para o Bolsa Família em 2020 é o mesmo do de 2019, R$ 30 bilhões. Mais uma vez enganada a população! Parabéns aos envolvidos na eleição do ‘Bozo’.

Antônio Carlos Brummer

Mauá

Lamaçal

Dia 16, na Câmara Federal, a deputada Soraya Manato, do Espírito Santo, admitiu que o seu partido, o PSL, o mesmo de Bolsonaro, utilizou ‘candidaturas laranjas’, aquelas em que alguém assume a função ou responsabilidade no papel, mas não na prática. Ela cede seu nome para uso de outra pessoa. Gil Diniz, o Carteiro Reaça, deputado estadual, que é líder do PSL, de novo, o mesmo de Bolsonaro, na Assembleia Legislativa de São Paulo, foi acusado pelo ex-assessor Alexandre Junqueira de ‘rachadinha’, que é a apropriação de parte do salário dos funcionários do gabinete do deputado. Só para ficar nestes dois exemplos. Será que esse partido pratica essas falcatruas só agora? Será que seu representante maior não sabia onde estava entrando? Bem difícil acreditar que não, haja vista que tem parentes envolvidos em milícias, desvios, corrupção e outros ilícitos. Agora que esses absurdos têm vindo à tona ele diz querer sair da legenda. E pensar que Bolsonaro foi eleito com discurso de fazer diferente. 

Paulo Ricardo Berttollatto

Diadema

Escafederam-se

Dona Miquelina Pinto Pacca tem 94 anos, é viúva do coronel Epaminondas Albuquerque Pinto Pacca (1928-2002) e era comadre de saudosa tia paterna ‘batateira’. Ela lê – com ‘pin-nez’ – e é leitora deste prestigioso Diário, desde a época em que era semanal e chamava-se News Seller. A viúva lê – com sofreguidão – esta coluna Palavra do Leitor, que é sua dileta. Como ela continua fiel à ideologia de Plínio Salgado (1895-1975), está inconformada com a escassez de missivas enaltecendo seu ‘mito’: o presidente ignaro e tosco, inclusive teve a audácia mor de dizer que vossa senhoria não publica mais as missivas de eleitores do ‘mito’ porque votou no ‘barbudo’. De nada adiantou minha exasperação contra sua afirmação infundada, porque eu disse que esta coluna é democrática e o editor – unicamente – faz copidesque e não publica epístolas com impropérios, sejam de gregos ou troianos. Também não adiantou dizer que os eleitores ‘mitonianos’ escafederam-se depois que perceberam que seu presidente ‘mito’ é, na verdade, ‘mico’. 

João Paulo de Oliveira

Diadema

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