Política

Avamileno deixa PT e diz: ‘Me sinto magoado’


Sucessor de Celso Daniel (morto em 2002) na Prefeitura de Santo André, o ex-prefeito João Avamileno decidiu deixar o PT, partido que ajudou a fundar em 1980, ao alegar desprestígio junto às pessoas que comandam o diretório municipal. “Me sinto magoado em relação a alguns grupos, praticamente colocado de escanteio. É sentimento que já vinha se arrastando há anos. Resolvi sair.” Ele irá entregar carta de desfiliação na terça-feira, data derradeira para inscrições de pré-candidaturas majoritárias dentro da legenda para a eleição de 2020, ao lado de outros militantes, como Erick Eloi, que se colocava entre os postulantes da sigla. 

Avamileno sustentou que o documento já está pronto, assinado. “A partir do momento em que não se tem mais respeito não há mais motivo para continuar (filiado). Vou entregar a carta no começo desta semana”, confirmou. Ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André, chefiou o Paço por sete anos. Foi vice de Celso, assumiu a administração local com a morte do correligionário e conquistou a reeleição em 2004 – a última renovação de mandato alcançada na cidade. 

O ex-prefeito pontuou que, recentemente, se colocou à disposição para disputar a Prefeitura novamente, mas não foi levado em consideração. Logo no começo das discussões, Avamileno retirou seu nome e declarou apoio a Erick no processo. “Sequer me procuraram (para debater a situação). Fiquei muito chateado. Avaliei que era oportunidade de mostrar o legado, auxiliar o partido, fizemos bastante coisa concreta em Santo André. Podíamos apresentar isso na campanha. Sei que a tarefa será difícil, mas não impossível”, disse, ao acrescentar que grupos internos, sem mencionar nomes, “não reconheceram” a iniciativa. 

A gota d’água para a decisão se deu com a formalização da posse da nova executiva – agora nas mãos do ex-vereador Antonio Padre – na quinta-feira, quando a vereadora Bete Siraque, pré-candidata ao Paço, teria sido aclamada por alas majoritárias do petismo. “Nada contra a Bete, se ela for a candidata, considero, no entanto, que eu poderia ter sido, ao menos, ouvido. Senti que não tenho mais espaço”, emendou. 

O petista, de 75 anos, antecipou que vai estudar filiação em outros partidos, ainda com pretensão em disputar cargo público. Erick endossou a fala do correligionário e reforçou tese de desrespeito. Disse que o discurso de democracia do PT é somente “demagógico”. “Sairemos todos do grupo, juntos, por princípios e valores, caminhando em outra direção. (A ideia) É estarmos nas urnas por outro partido de esquerda”, afirmou o empresário de 38 anos, filiado ao PT desde os 15.

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