Esportes

São Caetano vive incertezas depois do fim da dinastia Nairo


Indefinições quanto ao presente e ao futuro marcaram o primeiro dia do São Caetano sem o comando de Nairo Ferreira de Souza. O presidente, que estava no comando do clube desde a fundação, há 30 anos, e que na terça-feira entregou carta ao conselho deliberativo pedindo afastamento do cargo até 20 de abril de 2020 – quando acaba o mandato – alegando que passará por tratamento médico, participou de reuniões para definir os próximos passos após a decisão.

Nairo se reuniu com o presidente do conselho, Paulo Bottura, e o vice, Antônio de Pádua Tortorello. Um advogado que defende os interesses de Saul Klein, filho de Samuel Klein, fundador da Casas Bahia, também esteve presente. O empresário, que investiu milhões no clube em suas melhores fases, é o principal interessado em assumir o controle administrativo do São Caetano Futebol Ltda (leia mais abaixo), mas colocaria na presidência alguém de sua inteira confiança, atuando nos bastidores como sempre fez.

A ideia de Saul era recolocar na administração José Carlos Molina, que foi seu braço direito no Azulão no início dos anos 2000, quando o time encantava o Brasil. Mas ele teria recusado, alegando que não está em condições físicas ideais para suportar a pressão do cargo.
Desta maneira, quem deve assumir é Roberto Campi, mais conhecido como Bia. Ele é o atual vice-presidente na chapa com Nairo e mantém boa relação com Saul.

Bia disse que ainda não foi comunicado oficialmente pelo conselho deliberativo. “Não assumi nada ainda, se é que eu vou assumir. Sou vice do Nairo, mas até agora não sei o que aconteceu, foi surpresa para mim também (o afastamento), não sabia de nada. Estou acompanhando tudo o que está acontecendo pela mídia. Tenho de esperar o que será determinado pelo presidente do conselho, esperar eles me empossarem”, comentou, despistando quando questionado sobre sua aproximação com Saul Klein. “Conheço ele, mas não sei de nada, não quero me envolver com isso.”

O Diário tentou de várias maneiras contato com Nairo Ferreira, mas ele não foi localizado. Alheio aos problemas políticos que movimentam o clube, o técnico Marcelo Vilar prepara o time para o confronto de sábado, às 18h, contra a Ferroviária, em Araraquara.

Dirigente mantém controle de empresa que gere o time

A AD São Caetano, que detém os direitos esportivos e o vínculo com a Federação Paulista e a CBF, é administrada desde 2003 pela São Caetano Futebol Ltda, empresa privada que, desde 2011, com a morte do sócio majoritário Luiz de Paula, o Batata, é de propriedade integralmente de Nairo Ferreira de Souza.

O dirigente, portanto, acumulava o cargo de presidente do clube esportivo e a propriedade da empresa gestora. O pedido de afastamento feito na terça-feira por Nairo é em relação ao tempo que resta do mandato na AD, que termina dia 20 de abril de 2020. Teoricamente, ele continuaria a prestar serviços de gestão, mas isso vai depender do novo presidente.

Principal interessado em assumir o controle do São Caetano é Saul Klein, filho de Samuel Klein, fundador da Casas Bahia, e que por muitos anos foi o mecenas da equipe, principalmente no fim dos anos 1999 e no início de 2000, quando o clube chegou às finais da Copa João Havelange (Brasileirão de 2000) e da Libertadores (veja mais na linha do tempo).

O que não se sabe é se Saul estaria disposto a comprar a São Caetano Futebol Ltda de Nairo, mantendo os jogadores vinculados, que é seu principal patrimônio. A firma estaria mergulhada em dívidas, que opositores do atual presidente dizem ser de desvio de verbas. Essa, aliás, seria a razão pela qual Saul Klein pressionou Nairo a se afastar, sob o risco de denunciá-lo ao Ministério Público.

Outra opção é que a AD rompa o vínculo com a São Caetano Futebol Ltda e Saul abra nova empresa para gerir os interesses do clube. Mas as condições para isso, como possíveis multas contratuais e outros detalhes, são desconhecidas.

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