ABC da Economia

Indústria gráfica: compartilhar é necessário


A indústria gráfica brasileira é constituída em 81,7% por microempresas com zero a nove empregados. Apenas 0,4% do parque industrial gráfico é formado por empresas grandes, com mais de 250 empregados; 15,5% são de empresas médias, com 50 a 249 empregados. A maior parte das empresas que compõem a indústria gráfica brasileira está concentrada no Sudeste (47%). A concentração nesta região é ainda maior no caso dos empregados (58%). O setor emprega um total de 180.246 trabalhadores, distribuídos em 19.142 empresas, perfazendo uma média de 9,41 empregados por empresa.

Em relação ao faturamento, os números do setor gráfico vêm apresentando variações negativas. Em 2013, houve variação de -3,2% no faturamento da indústria gráfica brasileira. Essa variação negativa na produção gráfica ocorreu até 2017. A pior performance se deu em 2016, quando a queda do faturamento foi de -7,3%. Em 2018, embora se verificou um leve crescimento positivo de +1,8%, em valores nominais e a preço corrente, o resultado de 2018 é pior do que o de 2013. Em 2013 o setor faturou R$ 48,8 bilhões, enquanto o faturamento de 2018 foi de R$ 46,7 bilhões.

A produção da indústria gráfica brasileira divide-se em nove segmentos, sendo o de embalagem o mais importante, com 48,6% do total da indústria, seguido pelo editorial – publicações, com 21,6%. A produção física industrial, nele o setor de embalagens, vem apresentando oscilações negativas, que teve retração de 5,5% em 2015. Já em 2019, com a posse do governo eleito, havia a expectativa de retomada na economia, inclusive no setor gráfico, o que não vem se concretizando.

A partir de conversa com nossos pares do setor no Grande ABC, percebemos que uma grande parte dos empresários gráficos que dirigem essas microempresas e pequenas empresas é composta por pessoas ‘criadas’ dentro do setor gráfico. Algumas delas são oriundas da época do linotipo, uma máquina de composição tipográfica inventada em 1884. Outra parte se forma a partir de ex-funcionários do setor.

Os desafios do setor, principalmente para esses pequenos e microempresários, são grandes, em razão da retração econômica no País. Mas temos que enfrentar uma questão maior, que é o problema estrutural do setor. Os tempos mudaram. A cultura de leitura impressa (jornais, revistas etc) tem diminuído dia a dia. Em um período recente, a quantidade de impressos de oferta de produtos distribuídas em semáforos era enorme e de variados setores. Hoje, o que vemos são apenas folhetos de empreendimentos imobiliários. Os demais setores já não utilizam impressos como meio de divulgação de seus produtos. Isso acontece em razão de alguns fatores, como custo elevado (se comparado à divulgação eletrônica), aspectos culturais e preocupações ambientais e de legislação (como a Lei da Cidade Limpa, aprovada e implementada em São Paulo).

Diante desse quadro, esses micro e pequenos empresários acabam enfrentando grande ociosidade em máquinas e equipamentos. Um equipamento que poderia produzir 140 horas por mês em um turno de oito horas, por exemplo, passa a produzir, em razão da demanda reduzida, 70/80 horas. Ou seja, a empresa ‘A’, com sua impressora offset, produz 70/80 horas, a ‘B’ e a ‘C’, idem.

Na Carta de Conjuntura da USCS apresentei proposta que visa otimizar a produção e até mesmo dar boas respostas em períodos de concentração de pedidos, seria o ‘compartilhamento’ produtivo. Pela proposta, as empresas podem, por exemplo, estruturar uma ‘central de impressão’. Os empresários das empresas ‘A’, ‘B’ e ‘C’, agora sócios, podem constituir uma quarta empresa (uma empresa ‘D’) profissionalizada e em espaço físico específico. Este será composto pelos mesmos equipamentos das empresas ‘A’, ‘B’ e ‘C’, em regime de comodato. A partir dessa constituição, a empresa ‘D’ prestará serviço de impressão para as três empresas sócias. Essa empresa ‘D’ será, exclusivamente, uma prestadora de serviços direcionada às empresas do setor sem nenhuma relação direta com o consumidor e contratante de produtos gráficos.

Algo importante a ser lembrado é que as empresas ‘A’, ‘B’ e ‘C’, proprietárias da empresa ‘D’, se manterão ativas comercialmente com suas carteiras de clientes e independentes da nova empresa constituída. Ou seja, resumidamente, a ideia é concentrar a produção e otimizar a utilização de máquinas e equipamentos, bem como os custos de produção. 

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