Economia

Crise na Argentina faz montadoras do Grande ABC deixarem operários em casa


A persistente crise na vizinha Argentina, aliada a ritmo lento de vendas no País – que, ao que tudo indica, está começando a reagir, mas, na média do ano, ainda é fraco – tem feito com que montadoras da região tomem a decisão de deixar trabalhadores em casa. Ontem, a GM colocou o seu chão de fábrica de São Caetano em day-off (folga com desconto no banco de horas) e, nos próximos dias, irá negociar com o sindicato a possibilidade de dar férias coletivas ou lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho) a partir deste mês – o que não vinha mais sendo adotado pelo setor desde 2017. Medidas essas que a Volkswagen já vai tomar em São Bernardo. As duas montadoras têm previsto para 2020 o lançamento de veículos.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, a planta da região tem de 350 a 400 profissionais ociosos na produção. “Os trabalhadores ficaram em casa e podem permanecer por mais tempo porque o volume de produção caiu. Não sei se o problema é só a Argentina, porque as vendas internas também não estão muito fortes”, diz. “Ainda vamos avaliar com a montadora o que será feito.”

Cidão diz que a expectativa é positiva com a fabricação de novo modelo a partir do ano que vem, o que ainda não tem data certa para começar, mas que, até lá, é preciso resolver a situação.

A partir do dia 2 de dezembro, cerca de 2.500 profissionais do segundo e terceiro turnos da Volkswagen terão férias coletivas de um mês, retornando ao trabalho em 4 de janeiro. Na volta, até 1.400 profissionais podem entrar em lay-off, sendo os mesmos do terceiro turno e aqueles que tiverem doenças profissionais. “Eles ficarão afastados por cinco meses e receberão 70% do salário, o que vai se aproximar do valor líquido, porque não terão descontos tradicionais. O governo dá contrapartida que gira em torno de R$ 1.700 e a empresa completa o restante”, explica Wagner Lima, coordenador da CSE (Comissão Sindical de Empresa), braço do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC dentro da Volkswagen. A medida visa evitar demissões em tempos de crise.

O volume de empregados que entrarão em lay-off, porém, pode diminuir, uma vez que a montadora quer desligar 280 aposentados que atuam direta ou indiretamente com a produção até dezembro. “Será aberto PDV (Programa de Demissão Voluntária) com adicional de 0,4 salário por ano trabalhado”, conta Lima. “Com isso, o número do lay-off pode cair para cerca de 1.100.” Segundo Lima, o volume de ociosidade de mão de obra é exatamente esse. E que a ideia é que, quando eles voltarem à fábrica, em junho do ano que vem, comecem a trabalhar na produção do CUV (utilitário compacto), cujo início é previsto para o mesmo mês.

O coordenador diz que, no início do ano, era esperada a produção de 244 mil veículos mas que, após a crise na Argentina se acentuar e as vendas internas irem bem com Polo e Virtus, mas terem caído com a Saveiro, são aguardados 204 mil, mesmo número de 2018.

Procuradas, as montadoras não se manifestaram.


Mercado vizinho se reduz em até 60%

Conforme avalia o consultor da ADK Automotive, Paulo Roberto Garbossa, o cenário no país vizinho não deverá mudar antes da eleição presidencial, realizada neste mês. “A Argentina está em compasso de espera. Com o avanço da crise, o mercado dos hermanos, que era de 800 mil a 1 milhão de veículos, tem previsão de 400 mil para este ano, ou seja, menos da metade (redução de até 60%). Eles não estão comprando quase nada nosso. E lá não tem veículo flex, então, o que produzimos para eles não tem mercado aqui”, assinala.

Dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) mostram que, de janeiro a agosto, 53% dos automóveis e comerciais leves exportados foram para a Argentina, sendo que, há um ano, o índice era de 75%.

Garbossa destaca que o mercado interno está começando a reagir, o que pode ajudar o setor. “Até sexta-feira (dia 27 de setembro), haviam sido faturados 202.994 veículos, sendo só na sexta, 15 mil – o normal é de 9.000 a 10 mil. Se fecharmos setembro com 220 mil unidades, este será o quarto melhor mês do ano, atrás apenas de maio, julho e agosto”, avalia o especialista.  

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