Economia

Renda média na região diminui 33% entre 2014 e 2017


O rendimento médio do trabalhador do Grande ABC despencou 33% no período mais crítico da crise econômica, entre o fim de 2014 e o início de 2017. O montante, que era de R$ 2.825,97, recuou em um terço, para R$ 1.911,16, diferença de R$ 914,81 – quase um salário mínimo, hoje em R$ 998, mas, à época, R$ 937.

Os dados são da Pesquisa Socioeconômica dos Inpes/USCS (Instituto de Pesquisas da Universidade Municipal de São Caetano). O levantamento tem periodicidade semestral, vai a campo em fevereiro e em agosto, por isso as comparações têm como base esses meses.

A queda brusca foi motivada, principalmente, pela disparada do desemprego nas sete cidades, que quase dobrou em três. A taxa em agosto de 2014 era de 8% da PEA (População Economicamente Ativa), ou seja, das pessoas ocupadas ou em busca de emprego. No oitavo mês de 2017, atingiu 14%, ou seja, cresceu 75%.

Neste cenário, a informalidade, que vinha em trajetória de redução, voltou a crescer. De 38% em 2014, chegou a 40% em 2015 e, em 2017, foi a 37,1%. “É claro, o comportamento negativo do mercado de trabalho fez cair o nível de renda. Em 2017, quando a crise deu sinais de melhora, o rendimento bruto do trabalho principal ainda era inferior àquele de 2011 (R$ 2.185,36). Quando comparado ao pico da série, em 2014, a queda alcançou assustadores 33%. A mediana também caiu; em fevereiro de 2014, metade dos rendimentos era menor que R$ 1.870; três anos depois, a metade não alcança R$ 1.512,45”, assinalou Lucio Flávio da Silva Freitas, professor de economia da Escola de Negócios da USCS e integrante do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura), que divulgou o estudo.

Freitas contextualiza o cenário ao lembrar que a desaceleração da economia já deu seus primeiros sinais no biênio 2011/2012. No terceiro trimestre de 2011, o crescimento foi de quase 4% em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. Em 2012, a alta foi inferior a 2%. Nos dois últimos trimestres de 2014, as variações passaram ao campo negativo, e o Brasil entrou em recessão técnica. No ano seguinte, a desaceleração converteu-se em crise, com longa duração. Apenas no primeiro trimestre de 2017, depois de oito trimestres consecutivos de queda, a variação da produção voltou a ser positiva. “No acumulado, mais de 9% de redução do PIB (Produto Interno Bruto), em um dos piores momentos da economia brasileira”, avaliou.

Quanto à suficiência da renda, em agosto de 2014, mais de 60% dos entrevistados declaravam que o salário bastava, percentual que caiu para 48% no fim do período de crise. Na outra ponta, mais do que dobrou o percentual daqueles que declaravam que a renda nunca era suficiente, ao passar de 3,8% para 9,9%.

Em tempos de dificuldades financeiras, a maior parte dos desembolsos se concentra nas despesas básicas, como alimentação, habitação e outros gastos de saúde. “Somados, mostram o comprometimento da renda sobre o qual o consumidor exerce menor grau de discricionariedade. Em fevereiro e agosto de 2014, essas somas atingiram, respectivamente, 37,5% e 36,7%. Em 2017, esses percentuais eram 42,1% e 42%. Ou seja, diminuiu a liberdade do consumidor para gastar sua renda”, avaliou Freitas. “As despesas básicas são as mais difíceis de serem cortadas, por isso seu relativo aumento.”

O professor aponta que outros desembolsos, nesse mesmo período, caíram drasticamente, pela redução da renda. O percentual de domicílios que faziam uso do serviço de diarista/faxineira no Grande ABC foi de 14,6% a 6,5% entre agosto de 2014 e agosto de 2017 e o acesso à internet da residência, no mesmo período, passou de 74,2% para 63,6%.
 

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