Economia

Confiança na indústria cai sob governo Bolsonaro


A indústria do Grande ABC perdeu o entusiasmo com o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Entre fevereiro e julho, houve queda de 5,1 pontos no Icei (Índice de Confiança da Indústria), apurado pelo Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, com base em dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria) e da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Os números foram divulgados ontem pelo observatório. Enquanto em fevereiro o Icei regional medido foi de 61,5, em julho o índice foi de 56,4. O Icei mede a disponibilidade de empresários do Grande ABC em realizar investimentos.

Coordenador de estudos do Observatório Econômico da Universidade Metodista, Sandro Maskio vê relação direta da política econômica impressa pela equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, com a redução da expectativa. O professor lembrou que a eleição de Bolsonaro criou sentimento de mudança positiva no empresariado nacional, porém, a demora em apresentação de dados positivos fez arrefecer o otimismo.

“O empresário só vai colocar máquina para rodar e se sentir mais seguro para produzir e empregar mais se tiver boa expectativa e confiança. À medida em que cresce a desconfiança, a tendência é de recuo. E esse empresário se mostra menos disposto a realizar investimentos, a tomar postura mais ousada”, disse Maskio, lembrando das reduções de projeção de crescimento feitas pelo governo federal – em setembro, o Boletim Focus, do BC (Banco Central), estimou em 0,87% o volume de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), percentual que foi de 2,5% em janeiro.

O coordenador do estudo acredita que há chance real de o Icei reduzir da casa dos 50 pontos no próximo levantamento (previsto para dezembro), o que indica, conforme a metodologia utilizada, avaliação pessimista do empresário. A última vez em que esse cenário foi medido foi em agosto de 2016, auge da crise política brasileira, que culminou com o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT).

“Não vejo motivos para esperar que a gente tenha melhora significativa do índice de confiança. Muito pelo contrário. Está claro e desenhado que será ano de crescimento abaixo das expectativas, ante de 2% a 3% (de projeção). Em geral, quando a gente chega próximo do fim do ano, há queda da expectativa, os próprios tomadores de decisão postergam para o ano seguinte”, ponderou o especialista.

Além das questões de condução da política nacional, o estudo ressaltou a crise pela qual passa o principal parceiro econômico da região: a Argentina. O país vive turbulência política, que contaminou a economia, e impactou diretamente nas relações comerciais, em especial de produtos de alto valor agregado, como automóveis, pesados e peças.  

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