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Casos de dengue sobem 550%


O Grande ABC vivenciou nos primeiros oito meses do ano uma explosão nos casos de dengue. De janeiro a agosto de 2019 foram 1.297 pacientes infectados, média de cinco ao dia. No mesmo período do ano passado, as cidades contabilizaram 200 ocorrências. O aumento foi de 548,50%. Infectologista explica que existem diferentes tipos de vírus, mas destaca a necessidade de se combater o vetor, o mosquito Aedes aegypti, que, além da dengue, causa zika e chikungunya.

Em porcentagem, o maior aumento foi em Santo André, que passou de 14 casos no ano passado para 346 em 2019, avanço de 2.371,43%. Já em casos absolutos, São Bernardo foi o município com maior número de pacientes, totalizando 435 infectados em 2019 contra 28 no ano passado.

O infectologista do hospital BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo João Prats explicou que o Brasil tem vivido, em períodos de três a quatro anos, diferentes epidemias de dengue. “O que temos visto é que a grande maioria dos casos confirmados recentemente é do tipo 2”, detalhou o médico.

São conhecidos cinco tipos de dengue, sendo que quatro deles já foram registrados no Brasil e todos têm os mesmos sintomas. Basicamente, a diferença entre cada um é o tipo de vírus causador da doença. O paciente que tiver a dengue de um tipo e posteriormente de outro, terá mais chances de desenvolver a manifestação hemorrágica da doença.

Prats pontuou que para uma epidemia ocorrer, dois fatores são os principais motivadores: uma boa parte da população sem anticorpos contra a doença – neste caso específico, sem imunidade contra esse tipo de dengue – e a troca do vírus circulante.

O infectologista lembrou que, independentemente do tipo de doença que esteja afetando as pessoas, o combate à dengue se dá com a eliminação do vetor. “Uma das possibilidades para esse grande número de pessoas infectadas pode estar associada a um certo relaxamento das pessoas no combate ao mosquito e aos criadouros, especialmente em um momento no qual o País também vive o avanço de outra doença, o sarampo”, disse o especialista.

Prats lembrou que, com a aproximação de meses mais quentes, cria-se o ambiente perfeito para a eclosão dos ovos e surgimento das larvas dos mosquitos. Pontuou, também, os já conhecidos cuidados para evitar a proliferação do mosquito. “São medidas simples, mas que fazem toda a diferença. Evitar em qualquer lugar a água limpa e parada. E, como proteção, não esquecer de usar repelentes”, citou.

O infectologista destacou, ainda, o papel do poder público no combate ao Aedes. “As prefeituras devem reforçar as visitas em domicílio e auxiliar os moradores a identificar possíveis focos em suas propriedades”, detalhou. “Uso de inseticidas em larga escala, os famosos fumacês, têm um grande poder contra o vetor.” 

Prefeituras alegam que mantêm medidas preventivas

Apesar do aumento próximo de 550% dos casos de dengue no Grande ABC nos primeiros oito meses do ano, as prefeituras da região alegam que mantêm medidas preventivas e de combate ao Aedes aegypti, mosquito causador da doença.

Santo André informou que mantém a Brigada Contra o Aedes, que atualmente possui mais de 260 órgãos cadastrados e 780 brigadistas treinados para o controle do mosquito. A administração destacou que é “preciso o envolvimento de todos, uma vez que o raio de ação do mosquito é pequeno, cerca de 300 metros”.

O programa São Bernardo Contra a Dengue realiza visitas domiciliares em busca de possíveis focos do mosquito, além de orientar os moradores. São Caetano não teve casos da doença no período mais frio do ano e atribui o resultado a ações como mutirões porta a porta realizados o ano todo.

Diadema realiza ações de controle durante todo o ano, e as atividades serão intensificadas entre outubro e novembro. Mauá foi a única cidade a registrar óbito em decorrência da doença. A morte aconteceu em maio e a administração não informou o bairro onde morava. A Prefeitura afirmou que as ações de conscientização serão retomadas na atual gestão.

Ribeirão Pires está realizando ADL (Avaliação de Densidade Larvária) do mosquito, com visitas casa a casa. Rio Grande da Serra realiza medidas como a Operação Cata-Bagulho, feita toda semana pelos bairros e, eventualmente, o Dia D Contra a Dengue.

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