Economia

GM considera absorver demitidos da Ford


A GM (General Motors) e a Prefeitura de São Bernardo encaminharam protocolo de intenções para que funcionários desligados da planta da Ford, no bairro do Taboão, integrem lista de prioridades de admissão para a montadora norte-americana, que conta com fábrica em São Caetano.

O presidente da GM na América do Sul, Carlos Zarlenga, se reuniu na tarde desta segunda-feira com o prefeito Orlando Morando (PSDB) para desenhar a parceria. A ideia é criar na CTR (Central de Trabalho e Renda) de São Bernardo uma área para acolher os colaboradores que serão desligados da Ford. Esse espaço será espécie de intermediador entre o demitido da Ford e o centro de recursos humanos da GM.

“O assunto Ford ainda me incomoda, confesso. É algo que não me darei por vencido até encontrar uma solução. Ainda acredito que haverá comprador para a fábrica, mas não sei se haverá absorção de todos os funcionários. Não vamos deixar esse trabalhador deslocado. Levei a ideia ao Carlos Zarlenga, que gostou muito”, comentou Morando.

A GM, que no ano passado ameaçou sair de São Caetano dentro de uma estratégia global de trabalho, decidiu permanecer no município do Grande ABC e anunciou até investimento na ordem de R$ 10 bilhões no País, sendo metade para São Caetano e outra para a fábrica de São José dos Campos.

“Sabemos que a GM precisará de mão de obra qualificada para dar andamento satisfatório ao planejamento de investimentos que fará nos próximos dez anos. Esses trabalhadores da Ford são muito capacitados”, adicionou o prefeito.

Morando discorreu ainda que pedirá ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), a adoção de cursos de requalificação de colaboradores da Ford no período entre o desligamento da empresa e a admissão na GM.

Em fevereiro, a Ford anunciou o fechamento da fábrica de São Bernardo – a montadora está, com esse nome, desde 1967 em São Bernardo, depois de comprar a Willys. No início do ano, quando revelou o plano de deixar o Grande ABC, a empresa contava com 2.800 funcionários. Esse número vem caindo gradativamente, até por causa de planos de demissão voluntária implementados e pelo fim da fabricação do New Fiesta, algo que impactará diretamente em 750 postos de trabalho.

O governo do Estado intermedeia negociação para que o grupo Caoa, do empresário Carlos Alberto Oliveira Andrade, compre a planta onde até o fim de novembro ainda é a Ford. As tratativas são mantidas em silêncio até o momento. O que se sabe é que o grupo Caoa pediu ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aporte para repaginação da planta – devido à falta de investimentos de grande porte nos últimos anos, partes da fábrica são consideradas obsoletas pelo avanço da indústria 4.0.

A GM informou que não irá acrescentar "em nada o texto divulgado" pela Prefeitura. 

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