Palavra do Leitor

O desafio de humanizar as cidades


Por décadas, as cidades brasileiras viveram crescimento desordenado, o que afetou de forma aguda o modo de vida das pessoas. Para o arquiteto dinamarquês Jan Gehl, as construções urbanas seguiram conceitos modernistas e acabaram por privilegiar carros e máquinas, levando as pessoas ao sedentarismo e distanciamento social. Mas os anos 2000 vieram com novas ideias, propagação de tecnologias e com novas necessidades. Grande desafio das administrações públicas é, exatamente, o de tornar as cidades mais humanas. Desafio que, em ambientes metropolitanos, como o nosso no Grande ABC, é ainda maior, devido a grande concentração populacional, conurbação, excesso de frota e muitos problemas sociais.

Porém, é possível iniciar alteração de rota. Aliás, é necessário. E tudo se inicia pela mudança do modo de pensar. As questões climáticas, a saúde das pessoas e até as relações econômicas exigem que comecemos a buscar novos caminhos, a encontrar soluções e a tomar atitudes. Como prefeito, sinto essa responsabilidade emergente e inexorável. Em São Caetano temos a característica de cidade 100% urbanizada. Com dimensões geográficas pequenas, é muito difícil encontrar espaço para grandes transformações. Por isso, optamos por qualificar nossas áreas verdes, equipamentos públicos e serviços. O conceito que permeia nossas ações é inserir tecnologia para facilitar a vida das pessoas e transformar locais públicos em ambientes confortáveis e atraentes à convivência. Queremos cidade habitável, humana, inclusiva, sustentável e saudável.

Nosso planejamento passa por valorizar as áreas de uso comum. Já inauguramos parque, o Espaço Cerâmica Tom Jobim, e outros dois novos – bairro Fundação e Tamoyo – começam a ser construídos neste semestre. Paralelamente, temos projeto de revitalização e modernização de praças e parques. Sempre com espaços para prática de exercícios físicos para todas as idades. Afinal, ao viver bem, as pessoas envelhecem melhor, o que é bom para a própria pessoa e também para o desafogo do sistema público de saúde. No mesmo conceito, em breve, será iniciada reforma da Avenida Goiás, com inclusão de calçada verde e modal cicloviário, abrindo terreno para novas opções de mobilidade urbana. Novamente, sustentabilidade e saúde. E, ainda com essa concepção, ocorrem intervenções em unidades de saúde e educação, as novas escolas e a modernização dos serviços públicos. O olhar está para o lado humano da cidade.

O desafio existe. É difícil. Mas com visão e objetivos é possível pensar para onde queremos ir. O futuro dos municípios será resultado do que estamos fazendo agora. A missão é fazer com que a cidade seja o lugar de se viver. Lugar para as pessoas. 

José Auricchio Júnior é médico e prefeito de São Caetano.

Preso ao passado

Ao ler nesta Palavra do Leitor cartas com críticas a Bolsonaro tenho de volta a esperança de que o Brasil tem cura. Porque todo mundo erra, e todos sabemos do erro que foi colocar esse sujeito no poder. E é nobre reconhecer o erro, mas não voltar a errar, claro. Mas infelizmente tem leitor que fala em ‘lavagem cerebral’, mas que parece ser o mais afetado com esse mal, porque insiste em defender o indefensável. Acorda, amigo. O Brasil não estava ‘maravilha’, mas, com certeza, piorou, e muito, com esse ignóbil no comando. E não estou falando de partido, pois são todos iguais. As promessas de seu candidato e agora presidente eram de fazer ‘diferente’ e, no entanto, o que se vê é tudo igual e até pior. Seu presidente só faz o impublicável.

Samuel Vilafran Costa

Mauá

Piscinão

Embora não tenha acompanhado o desenrolar das obras desse reservatório de águas pluviais ao lado do Paço Municipal de São Bernardo, cheguei a imaginar tratar-se de piscinão gigante, a ponto de levar seis anos para ser construído, conforme informa a excelente reportagem deste Diário (Política, dia 11). Isso é prova inequívoca da falta de capacidade dos gestores públicos e da terrível ‘praga’ chamada burocracia, que ataca sem piedade o setor público. Mas a reportagem, de autoria do jornalista Daniel Tossato, foi excelente, porque ele deu preferência em focar os trabalhadores que ainda continuam nessa obra, cuja promessa de entrega será no dia 20, aniversário da querida e pujante São Bernardo. Se não tivessem ocorrido esses entraves, certamente a região central da cidade não teria sido vítima da catástrofe, quando toda a área central ficou praticamente inundada devido a fortes chuvas no verão de 2018. 

Arlindo Ligeirinho Ribeiro

Diadema

FGTS

O FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) foi criado e recebeu esse nome para que nós, trabalhadores da iniciativa privada, quando aposentados, tivéssemos velhice digna, já que nosso benefício, muito inferior ao dos servidores públicos, é praticamente esmola. Segundo Paulo Guedes, em média 20 vezes menor. Infelizmente ambiciosos políticos corruptos meteram a mão no dinheiro, deixando o País na maior crise financeira da sua história. Para isso, insistiram nas Diretas Já. Agora, para tirar a economia do fundo do poço, já que mesmo com tantos impostos não há dinheiro para nada, resolveram antecipar parte do fundo como presente que nos dão. Que bonzinhos! Mas esse presente é o cavalo de Troia, que vai nos custar caro no futuro. Claro que não faltará emprego depois da reforma aprovada, porque ganharemos apenas para comer. Ainda mais com atravessador entre nós e o patrão. Que beleza! Mais chupins vivendo nas costas de quem trabalha. Muitos aguardarão em casa e trabalharão menos dias por ano, recebendo salários, férias, 13º e fundo de garantia proporcionais aos dias trabalhados. Com isso a distância entre o pobre e o rico será ainda maior. 

Nilson Martins Altran

São Caetano

Radares

Bastou o presidente falar em tirar os radares das rodovias federais para os arautos do caos ‘saírem de pau’. Acho que a imprensa tem que ter total liberdade para noticiar o fato, mas não concordo que parte dela diga o que acha, pois sempre faz o comentário de acordo com seu modo de entender e muitas vezes de acordo com suas conveniências. Existe, entre muitos, aplicativo de celular usado no mundo todo que as pessoas usam quando estão dirigindo. Saem acelerando e, onde tem fiscalização, voz feminina do aplicativo diz: ‘Radar reportado à frente’. Aí o aplicativo, além, de avisar onde está o radar, informa a velocidade do veículo e qual deveria estar. Passou o radar o condutor volta a acelerar. A coisa piora muito quando alguém, dirigindo carro roubado, ou sem documentos, ou em más condições, ou transportando armas, drogas, carga roubada, mercadorias sem nota etc, é alertado pelo tal aplicativo: ‘Polícia reportada à frente’. Então, para que fiscalização se o próprio povo brasileiro concorda em fazer o Estado de idiota? Vai tirar o radar, mas a punição contra crimes de trânsito continua, só que o pacote anticrime prevê cumprimento integral da pena. Então, por que o governo está errado?

Donizete A. de Souza

Ribeirão Pires

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