Setecidades

Região tem 91 nascimentos por dia; queda de 10,15% na última década


O Grande ABC ganhou pelo menos 91 novos moradores por dia no ano passado. O número refere-se ao total de registros de nascimentos computados nas sete cidades pela Arpen (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo). O cenário atual representa queda de 10,15% em relação ao de uma década atrás – a quantidade de certidões emitidas pelos cartórios passou de 36.867 para 33.471 no período. Especialistas ouvidos pelo Diário observam que a redução da taxa de natalidade é reflexo tanto do cenário econômico de crise observado no País quanto das mudanças sociais, com a mulher optando pela gravidez tardia ou por não ter filhos.

Com exceção de São Caetano e Rio Grande da Serra, onde houve alta de 27,57% e 31,77%, respectivamente, nos registros de nascimentos nos últimos dez anos, as demais cidades observaram queda nos números (confira a tabela abaixo). A maior redução foi em Diadema (19,61%), seguida por Mauá (19,12%), São Bernardo (10,85%), Santo André (3,7%) e Ribeirão Pires (3%).

Professor de sociologia da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Fernando Luiz, pontua que atualmente muitas mulheres preferem esperar mais pela gravidez por não ser o único projeto de vida. “É uma questão comportamental da própria autonomia da mulher. Elas preferem estudar, buscar posição melhor na carreira, para depois pensar na gravidez. Além disso, elas buscam seu empoderamento, já que a gravidez é uma opção e não uma obrigação”, comenta.

Outro ponto que interfere nos dados é a situação das políticas públicas relacionadas a educação, saúde, segurança e economia, observa Luiz. “Creche, convênio, alimentação e lazer são itens importantes para pontuar quando se pensa em ter filho. O investimento é alto nestes aspectos estruturais quando não há a opção de usar serviços públicos”, finaliza.

Estudante de biomedicina, a moradora de Santo André Paula Andrade, 39 anos, deu à luz a segunda filha, a pequena Isadora, há apenas 12 dias. Segundo ela, assim como a primeira gravidez, não foi um ato planejado. “Foi no susto mesmo. Estava decidida a não ter outro filho, até porque tive dificuldades na primeira gestação. E hoje temos uma rotina em que pai e mãe trabalham fora, as crianças precisam ficar na creche.” Questões como educação, violência e condições financeiras são tidas por Paula Andrade como cruciais para que sua escolha de manter a família com dois filhos seja diferente daquela observada pela mãe, que teve três crianças, e pela avó, que gerou 12 vidas.

A modernização da sociedade é o motor da queda da fecundidade, ressalta o professor de planejamento territorial da UFABC (Universidade Federal do ABC) Leonardo Freire. “Essa modernização acaba atingindo todas as classes sociais, apesar de todo cenário de políticas públicas. A mulher está assumindo um papel de protagonista e deixa de ser só a dona de casa. Com isso, estende o prazo para a gravidez.”

A gerente administrativa Paula Ramos, 44, comenta que engravidou do seu primeiro filho aos 24 anos, algo que gerou desgaste mental e financeiro. “Não pretendo ter mais de um filho. Eles são incríveis, mas os gastos são absurdos e necessários, como convênio médico, escola, transporte. Quando colocamos na ponta do lápis, desistimos”, finaliza.

Na contramão, população idosa está em alta no Grande ABC

Um a cada três moradores do Grande ABC terá 60 anos ou mais em 2050. Conforme a projeção populacional da Fundação Seade, o número de idosos entre as sete cidades passará dos atuais 365,8 mil habitantes para 820,8 mil indivíduos, salto de 124,34% no período. Os dados, que seguem tendência mundial, tendo em vista o aumento da expectativa de vida e a queda da taxa de fecundidade, devem ser encarados como instrumentos para o planejamento e implantação de políticas públicas.

No geral, a população total da região sofrerá variação pequena (1,64%), subindo de 2,65 milhões de pessoas para 2,69 milhões de munícipes. Com exceção dos idosos, cuja proporção de indivíduos aumentará dos atuais 13,79% para 30,44%, todos os demais grupos etários sofrerão queda.

A queda da taxa de fecundidade é vista com certo alerta pelo professor de sociologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Rogério Baptistini Mendes. “Temos população que envelhece rapidamente e uma força de trabalho que talvez não se renove na proporção necessária para substituí-la”, fala.

Hoje, 11,6% dos brasileiros têm 60 anos ou mais e 12,5% dos paulistas estão nesta faixa etária. Na região, 12,9% da população total é idosa.

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