Política

MP investiga suspeita de pedágio de Nishikawa


 Deputado estadual em primeiro mandato, Coronel Nishikawa (PSL), de São Bernardo, é investigado, juntamente com dois assessores, por suspeita de prática de pedágio no gabinete – exigência de retorno de parte de salário de colaboradores do mandato.

No dia 11 de julho, o desembargador Francisco Mota Ferraz de Arruda, do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), autorizou abertura de apuração sobre denúncia levada à PGJ (Procuradoria-Geral de Justiça) – órgão máximo do Ministério Público – sobre a suposta prática no escritório de Nishikawa. Como deputado detém foro privilegiado, o processo correrá diretamente na segunda instância.

A investigação, além de Nishikawa, recai em Walter Resende Filho, chefe de gabinete do parlamentar, e David Monteiro de Mello, assessor especial do político. Resende Filho, inclusive, é presidente do PSL em São Bernardo.

Na autorização da apuração, o caso também é descrito em representação criminal “para apuração de notícia de que estariam promovendo desvio de dinheiro público por meio de nomeação de servidores e apropriação de parte de seus respectivos salários, bem como realizando prática de lavagem de dinheiro”.

Segundo consta no Portal da Transparência da Assembleia Legislativa, Resende Filho recebe salário bruto mensal de R$ 17.952,27, enquanto David Monteiro de Mello ganha R$ 6.515,40 mensais. Como deputado, Nishikawa tem remuneração de R$ 25,3 mil. O parlamentar do PSL foi eleito em 2018 com 23.094 votos.

O ato de se apropriar de parte de salários de assessores ou servidores públicos é conhecido como “pedágio” ou “rachadinha”. Investigação semelhante atinge um dos filhos do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), o senador Flávio Bolsonaro (PSL), que foi acusado de receber R$ 96 mil em diversos depósitos de R$ 2.000 do ex-assessor Fabrício Queiroz. O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão ligado à Receita Federal, sustenta que a movimentação é suspeita, mas a apuração foi suspensa por determinação do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli.

OUTRO LADO
Questionado sobre a investigação, Nishikawa disse, primeiramente, que “sequer havia sido notificado sobre o episódio”. “Por isso, não me manifestarei”. Na sequência, contudo, o parlamentar argumentou que “já há advogados designados para cuidar do assunto”. “Sei que o que ocorreu foi uma denúncia anônima e que foi aceita pelo Ministério Público. Quero descobrir quem foi que fez esta denúncia e processá-lo por falsa informação de crime ou algo deste tipo.”

Resende declarou que ainda não foi notificado sobre a representação e que foi pego de surpresa. “Isso não existe. Isso é tão absurdo que não tenho nem o que falar. Vou procurar entender o que está se passando e analisar quais atitudes vou tomar junto à Justiça”, alegou Resende.

(Colaborou Júnior Carvalho)

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