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Fim dos likes


A corrida virtual por curtidas no Instagram acaba de ganhar importante capítulo. Após ações no Canadá, a rede social fez do Brasil seu mais novo campo de estudo para ocultar a contagem de curtidas de terceiros, sendo que somente o usuário poderá ver quantas interações do tipo ocorreram em sua postagem on-line. Tudo está em fase de testes e nem todos os brasileiros tiveram sua versão do aplicativo atualizado para o formato. Entre preocupações quanto à saúde mental do público e possíveis mudanças mercadológicas para influencers, a decisão promete agitar a dinâmica dentro desse universo de fotos e vídeos curtos, sem contar os aleatórios stories.

Segundo levantamento da plataforma alemã de estatísticas de mercado Statista (www.statista.com), o Instagram conta com 1 bilhão de usuários em todo o planeta, sendo a sexta rede mais popular. O maior número de instagrammers está nos Estados Unidos (110 milhões de logins), com o top 3 sendo ainda formado por Brasil (70 milhões) e Índia (69 milhões). Ele foi lançado em 2010, sendo resultado de parceria de trabalho entre o norte-americano Kevin Systrom e o brasileiro Mike Krieger. Em 2012, a dupla vendeu a empresa para o gigante Facebook por cerca de US$ 1 bilhão, com estimativa atual de que a ferramenta valha por volta de US$ 100 bilhões.

A ideia anunciada pelos responsáveis é fazer com que os números de likes não ditem o ritmo da experiência dentro do aplicativo, ou seja, não sirvam como espécie de validação de bom material compartilhado. “Queremos que seus seguidores se concentrem no que você compartilha, não em quantas curtidas suas publicações recebem”, diz o aviso. Parte da iniciativa passa por incentivo a uma preocupação por produção de conteúdo mais interessante, relevante e significativa, além de tentar de diminuir a questão de comparações entre conhecidos e com influencers.

Grande parte do foco gira em torno da saúde mental. Pesquisa resultado de parceria entre a Royal Society for Public Health (instituição de saúde pública do Reino Unido) e o Movimento de Saúde Jovem mostra que o ‘mundo perfeito’ das linhas do tempo no aplicativo influenciam negativamente bem-estar, autoestima e ansiedade. Foram ouvidos 1.479 jovens com idade entre 14 e 24 anos, sendo que 90% deles vivem diariamente na internet. Em mundo extremamente conectado, o termômetro sobre a quantidade de corações recebidos nas postagens pode ser uma balança desleal. 

DESAFIO PROFISSIONAL

A busca por interação mexe com o cotidiano da plataforma, principalmente para quem fez dela uma fonte de renda e fica de olho da recepção do público. “Sinto um pouco de pressão, sim, porque é o meu trabalho. Quando as pessoas não compartilham, não comentam e não curtem, acho que estou falhando em alguma coisa. Gosto sempre de melhorar o material que disponibilizo”, diz a criadora de conteúdo Vitoria Mondoni Marques (@vitoria_mondoni), 19 anos, com 381.000 seguidores e postagens que fazem menções a maquiagens, lanchonetes e, principalmente, marcas de roupas. Entre as dicas de elementos que chamam a atenção no feed, cita “postagens naturais”, como fotos de viagens e mostrando o rosto.

A moradora de Mauá tem percebido que possíveis parceiros estão com dificuldade em escolher seus ‘modelos’, com avaliações mais demoradas sobre informações de engajamento dessas personalidades – que podem ser editadas. “O objetivo (do Instagram) é muito bom e eu gostei, mas acredito que pode ter comprometido um pouco as pessoas que trabalham com isso. Não que as curtidas não estejam valendo mais nada. Tem gente que curtia por curtir e, hoje, nem interage desse jeito”, conta a jovem, cujos milhares de likes estão cada vez mais misteriosos para seu público ou curiosos sobre sua página.

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