Internacional

Estados Unidos acusam Venezuela de perseguir com 'atitude agressiva' avião militar


As Forças Armadas dos Estados Unidos acusaram ontem a Venezuela de enviar um de seus caças para perseguir um avião militar americano em espaço aéreo internacional. O governo venezuelano atribuiu aos americanos a culpa pelo incidente, dizendo que a aeronave, um EP-3, capaz de missões de reconhecimento e inteligência, interferiu no espaço aéreo do Aeroporto Internacional de Maiquetía, que serve Caracas.

O incidente teria ocorrido na sexta-feira, no mesmo dia em que o governo americano impôs novas sanções a autoridades militares venezuelanas.

Em comunicado, as Forças Armadas dos EUA informaram que determinaram que "a aeronave de produção russa sobrevoou agressivamente o avião EP-3 (Aries II) a uma distância insegura em espaço aéreo internacional por um período de tempo prolongado, colocando em risco a segurança da tripulação e prejudicando a missão do EP-3". A aeronave venezuelana, de produção russa, é um caça Sukhoi-30 Flanker.

Já a Venezuela diz que a aeronave americana teria ingressado no espaço aéreo venezuelano sem notificar as autoridades aeronáuticas. Segundo a versão venezuelana, a aeronave de inteligência EP-3 foi detectada ainda na manhã da quinta-feira por sistemas de defesa "na região de informação de voo da Venezuela, violando a segurança das operações aéreas e tratados internacionais", segundo comunicado do Comando Estratégico Operacional das Forças Armadas (CEOFANB).

Assim, a aeronave americana foi obrigada a abandonar a área após ser interceptada por dois aviões militares venezuelanos. Apesar do ocorrido, os aviões não colidiram e não há feridos.

Documento divulgado pelas Forças Armadas venezuelanas aponta que 76 incidentes similares foram registrados em 2019, o que foi classificado pelo governo como "uma provocação".

Ainda no comunicado americano, as Forças Armadas do presidente Donald Trump criticaram a administração de Nicolás Maduro. O regime chavista sofre sanções dos EUA, que não reconhece a reeleição de Maduro em 2018 e considera o líder da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente, Juan Guaidó, o governante da Venezuela.

Críticas

"O regime de Maduro continua a minar leis internacionalmente reconhecidas e demonstra seu desprezo a acordos internacionais que autorizam os EUA e outras nações a conduzir voos de maneira segura em espaço aéreo internacional".

A Rússia também foi alvo de críticas. O presidente Vladimir Putin é o principal financiador do regime chavista, e entre outras medidas, fornece equipamentos e mão de obra militar russa a Maduro. Em março e em junho deste ano, aviões militares russos pousaram no aeroporto de Caracas com cargas militares e funcionários.

Para os EUA, a proximidade entre as aeronaves "demonstra o apoio militar irresponsável da Rússia ao regime ilegítimo de Maduro".

Com o agravamento da crise econômica venezuelana, a falta de recursos para a manutenção de caças da Força Aérea aumentou. Parte da frota de Sukhoi, comprada ainda na época de Hugo Chávez, está no chão. Desde o começo do ano, o governo da Rússia mandou equipes de especialistas militares à Venezuela ao menos duas vezes.

Especialistas em Defesa acreditam que eles foram incumbidos de reparos no material bélico venezuelano, produzido em sua maior parte na Rússia, e de treinar militares venezuelanos./COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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