Economia

Sindicato realiza hoje assembleia com trabalhadores da Ford


Os trabalhadores da fábrica da Ford em São Bernardo aguardam assembleia que será realizada hoje pelo SMABC (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC). A expectativa é a de que o encontro traga mais informações sobre a situação da unidade, já que segundo informações da Prefeitura, divulgadas na sexta-feira, o encerramento da produção do New Fiesta – que ocorreu em 13 de junho – deve gerar 750 demissões. Ontem, os colaboradores da produção retornaram ao trabalho após cerca de um mês em banco de horas.

O sindicato afirmou que está em conversa com a empresa sobre a situação dos trabalhadores, mas não deu mais detalhes sobre o conteúdo, além de não comentar o possível desligamento de 750 operários. A entidade e a Ford já anunciaram PDI (Plano de Demissão Incentivada) em maio, que vai pagar entre 1,5 a dois salários por ano trabalhado, considerando a possibilidade de contratação por um futuro comprador da unidade fabril.

O Diário conversou com funcionários da fábrica da região que preferiram não se identificar. Eles relataram que a previsão é de que a produção de caminhões aconteça durante toda a semana. Somente ontem, foram produzidas 80 unidades, que fazem parte dos últimos 300 pesados (modelos Cargo, F 4000 e F-350) que ainda sairão da linha de montagem.

“Eles estão acelerando a produção porque saíram 80 veículos, mas estavam previstos 40”, disse o funcionário. “Está um clima tenso sobre o futuro da fábrica e sobre as demissões, mas nós não temos nenhuma informação.”

NEGOCIAÇÃO - A única empresa que assumiu publicamente o interesse na compra da Ford até o momento foi a Caoa. De acordo com informações do colunista Lauro Jardim, do jornal
O Globo, a possibilidade de fechar negócio estaria distante por conta do financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A empresa teria pedido aporte de R$ 3 bilhões para a aquisição, porém, o banco só quer emprestar R$ 2 bilhões.

Em maio, o empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, fundador da Caoa e atual presidente do conselho de administração do grupo, chegou a dizer que o investimento na região dependeria da aprovação da reforma da Previdência. Na última semana, o prefeito Orlando Morando (PSDB) afirmou que duas empresas estão interessadas na aquisição, sendo que uma delas deve gerar mais 1.000 empregos em até dois anos, além de manter 2.800 atuais.

Questionada sobre as demissões e as negociações, a Ford disse que não ia se manifestar. A Caoa afirmou que não tinha novidades. O sindicato não comenta as questões relacionadas à venda da fábrica. E o BNDES não se posicionou sobre o tema. 

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